Após o depoimento de Ana Priscila Silva de Azevedo à CPI dos atos antidemocráticos na Câmara Legislativa, seu presidente Chico Vigilante ironizou: ela enfatizou repetidamente que as manifestações eram pacíficas e tinham como objetivo obter o código-fonte das urnas eletrônicas, no entanto é curioso notar que, como cidadã brasileira, ela não exerceu seu direito a votar.
Ana Priscila foi apontada como uma das lideranças das manifestações do dia 8 de janeiro em Brasília. Ela foi presa pela Polícia Federal em 10 de janeiro, em Luziânia, e se encontra detida desde esse momento.

Ana Priscila afirmou que as manifestações foram pacíficas e garantiu que o vandalismo aos prédios do Executivo, Legislativo e Judiciário teriam sido causados por infiltrados.
“Aquele vandalismo, tudo aquilo que aconteceu, não foram os patriotas que fizeram, foram infiltrados, com certeza”, afirmou.
Facilitação pelas forças policiais
Ana Priscila declarou à comissão que, no dia dos ataques, houve uma facilitação por parte das forças policiais e que o efetivo destinado para conter os manifestantes era irrisório.
“O que eu vi no dia 8 foi uma polícia inerte, que não fez absolutamente nada. Eu nunca vi a Praça dos Três Poderes tão desguarnecida, não tinha contingente policial nenhum. A polícia não fez nada, os policiais estavam parados”, declarou.
O relator João Hermeto, bateu boca com a depoente. Segundo ele, houve falha no dimensionamento do efetivo, mas não se pode falar que os policiais estavam inertes. Hermeto atribuiu as falhas ocorridas no dia 8 ao alto comando da polícia, não aos soldados que atuaram na linha de frente.
“Faltou efetivo, tanto é que os coronéis estão presos por falta de planejamento. Mas todos os policiais que estavam ali foram vítimas de vocês, que queriam quebrar tudo, acabar com tudo. Praças, soldados, cabos, ali ninguém compactuou com aquilo. Uma policial quase foi assassinada pelos ditos patriotas”, afirmou Hermeto.
Quebra de sigilo
Após inquirir a depoente Ana Priscila Azevedo, a distrital Paula Belmonte não perdeu tempo. Depois da negativa da depoente em revelar com quem falava ao celular, ao pronunciar a expressão “missão dada, missão cumprida”, a distrital já protocolou requerimento solicitando a quebra de sigilo telefônico e telemático de Ana Priscila.
Quer uma apuração para saber se a depoente disse a verdade sobre o episódio, exibido em vídeo mostrado durante a CPI, desta semana.
“A senhora é uma das infiltradas que está querendo confundir esse movimento?”, questionou a distrital.