O aviso inesperado que foi dado pelo secretário de Governo, José Humberto Pires de Araújo, causou na política brasiliense marolas que se estendem até agora.
Só para lembrar, em uma reunião no Buriti, ele deu a entender que poderia ser candidato a governador, até porque ainda tinha muito tempo até a próxima eleição, mais de três anos.
Como seria de se esperar, isso foi entendido como um problema com a vice-governadora Celina Leão, hoje aposta unânime da corrente de Ibaneis. Previsivelmente, José Humberto negou que pretenda concorrer com Celina, a quem chamou de amiga e fez muitos elogios.
Mas a posição de José Humberto dentro do governo é forte demais para que as marolas desapareçam por encanto.
O secretário desempenha no governo Ibaneis o mesmo papel já cumprido no governo Arruda, de tocador de obras.
Todas as principais ações da administração passam por ele, da construção de hospitais à abertura de rodovias. Ficou claro que ele pensa, sim, em um futuro político-eleitoral.
Falta definir o cargo
Se existe alguma certeza com relação à postura de José Humberto é a de que ele está observando o quadro político para saber se sai para alguma coisa. Não seria, tudo indica, para governador. Na eleição passada ocorreu o mesmo e ele decidiu ficar no governo.
Não deixou o cargo para se desincompatibilizar. Uma hipótese seria a de concorrer a deputado federal. Outra, a de disputar o cargo de vice, mais difícil por não ser testado nas urnas, nem ter um partido sob seu controle.
Existe um quase consenso, porém, de que a possibilidade mais real seria a primeira suplência na candidatura de Ibaneis Rocha ao Senado. Com a desincompatibilização do governador, Celina Leão ocuparia o Buriti e seria favorita à reeleição.
Seu segundo mandato coincidiria com a metade do tempo de senador de Ibaneis. Na provável hipótese de Ibaneis concorrer ao Buriti, seu suplente ganharia quatro anos de Senado.