Alguém deveria avisar o deputado brasiliense Gilvan Máximo de que existe certa diferença entre o desempenho no plenário da Câmara e o merchandising dos programas de auditório.
A única diferença, tanto quanto se saiba, é que ambos, em princípio, têm plateia. Gilvan subiu à tribuna para cumprimentar os irmãos Branco e Marlon Amaral, que inauguraram, em 2013, o Atacadão Dia a Dia.
Aí, o deputado engrenou uma segunda marcha, informando textualmente que “hoje a rede Atacadão Dia a Dia oferece uma grande variedade de produtos de qualidade e é muito positivo para os clientes aqui do Distrito Federal, estando entre os principais atacarejos de mercado do Brasil e gerando milhares de empregos para a população do Distrito Federal”.
Para concluir a referência, informou que o Atacadão está expandindo o negócio por todo o território brasileiro. Só que Gilvan não parou por aí. Já que estava mesmo na tribuna, aproveitou para elogiar também a “empresa Star Móveis, uma empresa de móveis que está há 23 anos em Taguatinga e hoje está em todo o Distrito Federal, gerando também milhares de empregos para a população local”.
Sob ameaça
A propósito, ampliou-se a ameaça ao mandato de Gilvan Máximo. O processo em que PSB e Podemos impetraram no Supremo Tribunal Federal pedindo uma revisão no cálculo das chamadas “sobras”, os votos contados após as eleições proporcionais que ficam após a soma dos mais votados, pode mesmo levar a uma substituição de Gilvan, que recebeu 20.923 votos pelo Republicanos, por Rodrigo Rollemberg, com 51.926 pelo PSB.
Três ministros já votaram, todos concordando com a procedência da tese, mas um deles, o relator Ricardo Lewandowski, disse que ela só vale para a próxima eleição.
Os outros dois, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, votaram pela aplicação imediata. O placar, portanto, está 2 a 1.
O ministro André Mendonça pediu vistas, devolveu o processo, só que uma petição suspendeu de novo o andamento. Como está em plenário virtual, uma vez retomado a decisão pode, tecnicamente, ser rápida.