Cumpridas todas as exigências legais e elegível de novo, o ex-senador Gim Argello anunciou nas suas redes sociais o retorno à política. Há semanas já é dirigente da campanha do ex-governador José Roberto Arruda ao Buriti. Passou a presidir o Avante, partido nanico que poderia servir de veículo a Arruda caso este não conseguisse legenda de maior peso após deixar o PL.
No fim, Arruda conseguiu a legenda do PSD, avalizado pelo presidente nacional Gilberto Kassab. O Avante adotou esse nome em 2017, mas surgiu na política com outro nome, Pasart, fundado pelo falecido senador Aarão Steimbruch, que comandava o PTB na Baixada Fluminense e, rejeitado pelo antigo partido, criou a legenda para disputar eleições, sem êxito.
Aí adotou a sigla PTdoB, tentando fixar-se como herdeiro de um naco do petebismo tradicional. Também não deu lá muito certo e resolveu transvestir-se como Avante. Hoje o partido tem oito deputados, quase todos de Minas Gerais, como o presidente Tibé e o polêmico André Janones, influencer muito badalado por petistas.
Também faz parte da legenda o não menos folclórico deputado Pastor Sargento Isidoro, que já deu um susto nos poderosos com uma candidatura surpresa a senador pela Bahia. No Distrito Federal, o Avante hoje não tem representação.
Tentativa para o Senado
A amigos, Gim Argello diz que sua preferência eleitoral se volta para o Senado. Após muito tempo como distrital — chegou a ser presidente da Câmara Legislativa — foi suplente de Joaquim Roriz quando este se elegeu senador. Com a renúncia de Roriz, foi senador atuante, líder do PTB e, ao tentar reeleger-se, ficou em segundo lugar, logo após o franco favorito Reguffe.
Em seu novo espaço nas redes sociais, Gim adota postura modesta ao se apresentar: “Muito prazer, sou Gim Argello. Alguém que carrega as próprias raízes com orgulho e que aprendeu cedo que nada vem sem esforço”. Gim afirma que o espaço será usado para compartilhar sua trajetória pública “do jeito que ela é”.
Nos bastidores da política do Distrito Federal, o gesto é interpretado como mais um sinal de reorganização política. Argello conseguiria boa votação para deputado federal, mas encontraria dificuldades para atingir quociente eleitoral, pois não encontrou ainda puxadores de voto com algum peso para completar o quadro mínimo.
Para distrital, estaria praticamente assegurado, mas até agora não disse nada sobre essa hipótese. Já para o Senado, encontraria dificuldades, com as fortes candidaturas de Ibaneis Rocha, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, além de, correndo pela oposição, Érika Kokay e Leila Barros.