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Do Alto da Torre

Cultura: demissão nada acordada

Ao receber a notícia de que seria afastado do cargo, Cristiano acordou a elaboração de uma carta para aparentar que a decisão teria sido tomada por ele

Lucas Valença

Publicado

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O secretário-executivo da Secretaria da Cultura, Cristiano Vasconcelos, foi demitido ontem do segundo cargo mais importante da pasta. Bartolomeu Rodrigues, seu chefe superior, o afastou da função, ao contrário da versão divulgada pela pasta palaciana de que teria pedido demissão.

Ao receber a notícia do secretário ontem, de que seria afastado do cargo, Cristiano acordou a elaboração de uma carta para aparentar que a decisão teria sido tomada por ele. Este tipo de atitude é mais comum no governo federal e é tido como um gesto de “cordialidade” na administração pública. Ao término, no entanto, a carta foi divulgada e a exoneração acordada.

Para a sucessão, a secretaria da Cultura possui duas correntes que devem disputar a escolha do novo nome. Só que fontes na secretaria acreditam que o secretário Bartolomeu Rodrigues só deve tomar a decisão após as festividades do carnaval. Por enquanto, o chefe de gabinete, Carlos Alberto, deve acumular as duas funções.

Ao todo, Cristiano possuía um staff de nove pessoas, mais do que muito poder político no GDF. Estes cargos também não eram indicações de partidos, mas escolhidos pelo próprio gestor. Com a saída do servidor, ainda não se tem uma definição de como ficarão os cargos.

Além do elevado número de servidores, integrantes ligados à secretaria da Cultura desconfiam que Cristiano foi um dos responsáveis por minar, nos bastidores, o antigo superior, Adão Cândido. Nos últimos dias, alguns funcionários passaram a cobrar certas atitudes do número dois da pasta que acabou o enfraquecendo.

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A verdade vem à tona  

Nos bastidores, a queda de Cristiano Vasconcelos está associada ao planejamento de dois grandes eventos na capital, o reveillon e o carnaval. Inicialmente o edital para a festividade do ano novo estava com uma previsão de gastos de aproximadamente R$ 900 mil, mas foi cancelado pela ingerência de Cristiano e o GDF acabou realizando um evento que custou cerca de R$ 2,5 milhões, mais do que o dobro.

Para o carnaval 2020 o planejamento irritou o governo. Além de a folia custar mais de R$ 3 milhões, a diversão será, em grande parte, concentrada no Plano Piloto. A ideia do comando palaciano era de tornar o carnaval de Brasília mais “pulverizado” pelas RAs, mas a ideia só deve prosperar em 2021.

Ao não prestigiar as regiões administrativas com recursos para a festividade, Cristiano se enfraqueceu e teve de se encontrar com o secretário da pasta para um última conversa. Uma fonte foi taxativa: “Não precisava concentrar todas as fichas no Plano”.


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