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Corrida contra o relógio

Até o adversário era o mesmo, o senador Izalci Lucas, à época deputado federal

Por Eduardo Brito 30/06/2022 5h00
Foto: Agência Senado

Participante da coordenação da campanha do senador José Antônio Reguffe ao Buriti, o ex-deputado Luiz Pitiman teme que não haja tempo suficiente para que o Cidadania participe das eleições brasilienses deste ano na coligação que o apoia. Pitiman sabe do que fala. Tentando ser candidato a governador pelo PSDB em 2014, ele enfrentou problema igualzinho. Até o adversário era o mesmo, o senador Izalci Lucas, à época deputado federal.

Muito tempo de guerrilha

O confronto entre Pitiman e Izalci, lembra o ex-deputado, durou oito meses. Finalmente, Pitiman prevaleceu graças a suas ligações com Aécio Neves, candidato presidencial tucanos, e com o ex-senador Sérgio Guerra, cacique do partido, hoje falecido. Só que, quando a briga terminou, faltavam 15 dias para as eleições e Pitiman estava fragilizado. Também foi um problema o acordo, parecido com o atual, que na época estava desenhado com o Cidadania, então PPS. Quando se superou a guerrilha no PSDB, a figura de maior capital eleitoral do PPS, a então deputada Eliana Pedrosa, já se acertara com outra chapa, a do ex-governador José Roberto Arruda, inclusive cotada para vice. Foi necessária uma intervenção da cúpula partidária, que indicou outro nome para vice de Pitiman. Toda a estratégia eleitoral dos dois partidos foi para o vinagre.

Pode se repetir

Luiz Pitiman teme que esses eventos se repitam agora. Pela postura adotada pelos dois contendores, Paula Belmonte do Cidadania e Izalci Lucas do PSDB, acha que a disputa seguirá até as últimas instâncias da federação dos dois partidos. No conselho regional da federação, ainda não instalado, o Cidadania tem maioria, mas caso a decisão caiba ao conselho nacional, os tucanos têm maioria de 15 votos – inclusive o do próprio Izalci – contra quatro. Pior, a parte perdedora provavelmente judicializará o processo. Será improvável, acredita o ex-deputado, que a coligação se confirme. Depois dessa eleição, que perdeu, Pitiman não concorreu mais a mandatos eletivos e hoje é secretário-geral do Podemos.

Velocidade média

Pitiman assume que uma de suas funções na atual campanha é balizar a velocidade. “Eu sou muito acelerado, estou sempre a 140 por hora, enquanto o Reguffe prefere ir mais devagar, pelos 60, 70 por hora. Fazendo a média, dá uns 110 por hora, a média da via Brasília-Goiânia. Está até bom”, calcula o secretário-geral do Podemos.

Neutralidade

Até como forma de evitar atritos e somar apoios, o senador José Antonio Reguffe deverá permanecer neutro na campanha presidencial. No máximo, cederá a algum aceno do presidente de sua União Brasil, Luciano Bivar, que em tese é candidato. Para os partidários de Reguffe, não faria sentido apoiar Simone Tebet, uma vez que ela é do partido do seu mais forte rival na corrida ao Buriti, o governador Ibaneis Rocha. De mais a mais, no campo de Reguffe há defensores de todos os presidenciáveis. O PSB de Rafael Parente é tão comprometido com Lula que indicou seu vice Geraldo Alckmin. E Parente está firme no barco de Reguffe, com quem se reúne com muita frequência. De outro lado, o PSC do advogado Luís Felipe Belmonte agregou um grande grupo de militares bolsonaristas que pretendem disputar conjuntamente vagas na Câmara dos Deputados e na Câmara Legislativa. A própria Paula Belmonte, cotada para vice de Reguffe ou para a vaga no Senado, se coloca como neutra na corrida presidencial, mas já visitou Jair Bolsonaro várias vezes no Planalto.

Aumentou a baixaria

Crescendo cada vez mais nos períodos eleitorais, as fake News chegaram para valer na campanha brasiliense. Para enfrentar informações fajutas, o governador Ibaneis Rocha avisou que o Distrito Federal está preparado para a queda de arrecadação que a redução do ICMS dos combustíveis implicará, caso o Supremo Tribunal Federal a considere constitucional. Ibaneis reservou R$ 500 milhões para garantir que as contas fiquem em dia para que não haja interrupções em programas sociais e paralisações nas obras. “Reitero que baixar o ICMS é uma das principais bandeiras que já levantamos e que já vinha sendo feita gradualmente”, registrou o governador. O esclarecimento põe os dados em seus devidos lugares. É que havia começado a circular uma montagem que acusava Ibaneis de tentar impedir a redução do ICMS na gasolina, por “não estar nem aí para a população do DF”. Falso, claro.

Senador por Goiás

Candidato a senador, o ex-governador goiano Marconi Perillo teve anulada uma condenação que poderia torna-lo inelegível. No Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes, sempre ele, anulou a decisão que fracionou indevidamente, no Superior Tribunal de Justiça, o processo da operação conhecida como Cash Delivery. Gilmar constatou que, como em outros casos, os atos derivados dessa ação foram praticados “por autoridade incompetente”, daí decorrendo sua nulidade. A decisão libera todo o patrimônio dos investigados, Perillo entre eles.

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Punição para o presidente da Caixa

Como Procuradora da Mulher no Senado, a senadora brasiliense Leila Barros pediu punição para o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Duarte Guimarães, acusado de assédio sexual a funcionárias da instituição. “Torturada e enojada, efetivamente, é como se sente uma mulher num ambiente de trabalho que não respeita seus direitos, que relativiza seus méritos e que submete sua presença, ascensão e reconhecimento à anuência de atitudes transgressoras de sua chefia”, apontou a senadora. Só com seu afastamento do cargo, disse Leila, “fora do poder, poderá responder devidamente, conforme é de seu amplo direito, sobre os direitos que é acusado de violar”.

Guerra interna no Serviço de Limpeza Urbana

Uma luta antiga para definir a carreira dos trabalhadores do Serviço de Limpeza Urbana levou a uma degola dos associados da entidade representativa da categoria, a ASLU. Tudo começou quando, no governo Agnelo, a carreira dos servidores de limpeza urbana deixou a Gestão de Resíduos Sólidos, integrando-se à genérica PPGG. Só que uma ação do Ministério Público tornou essa ação inconstitucional. Isso levou a uma redução de vencimentos já no governo Rollemberg. Os servidores rebelaram-se e conseguiram, no governo Ibaneis, retornar à PPGG. A associação, porém, preferem a antiga categoria de gestão de resíduos sólidos. Não aceita a posição dos servidores que optaram pela PPGG e que argumentam que a carreira de resíduos está envelhecida, pois hoje o SLU é só um órgão fiscalizador dos contratos das firmas terceirizadas. Assim, na PPGG os servidores têm mais condições de se enquadrarem, por ser uma carreira de Estado. Diante disso, a direção da Associação passou a expulsar os dissidentes, ignorando os recursos e enviando imediatamente ao departamento de pessoal do SLU para exclusão do desconto em folha do associado. Tudo a ver com a eleição da nova diretoria da entidade, em agosto.

À busca de charutos

Após ser internada para tratar uma pneumonia, a ex-ministra Damares Alves enviou por meio de seu comitê de pré-campanha ao Senado um vídeo em que revela sua vontade de viajar para Cuba. O objetivo seria buscar parte dos charutos dados como garantia para um empréstimo bilionário do BNDES durante o governo do PT. Damares garante que seu objetivo seria “montar uma banquinha lá em frente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, para dar o dinheiro aos conselhos tutelares.

Inflexão na Justiça Eleitoral

Uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral em caso de potencial inelegibilidade pode constituir indicador de flexibilização das decisões da Justiça Eleitoral sobre o que é e o que não é propaganda irregular nas eleições presidenciais deste ano. Referindo-se ao relator do processo, um dos advogados do caso, Robson Halley, afirma que “o ministro Ricardo Lewandowski corrigiu uma injustiça e indicou parâmetros contrários ao punitivismo que vinha crescendo em alguns setores da Justiça Eleitoral”. No caso, Ricardo Lewandowski derrubou a condenação de ex-prefeito de Caucaia, Naumi Gomes de Amorim, punido por suposto abuso de poder político e propaganda eleitoral antecipada nas eleições de 2020. Para Lewandowski, Naumi apenas divulgou informações de sua gestão dentro dos prazos permitidos por lei. A prática não poderia, portanto, ser classificada como propaganda eleitoral. Caucaia é o segundo município com maior número de eleitores no Ceará.

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