De volta a Brasília, a governadora reeleita Celina Leão (foto) evitou agendas públicas e permaneceu na residência oficial — ela ocupa ainda o imóvel destinado à vice-governadoria, no Lago Sul —, oficialmente sem agendas políticas. Mas não está isolada. Pelo contrário, tem recebido auxiliares, embora apenas os mais próximos, e mantido conversas por telefone.
O mote é a organização de seu futuro governo. Ela já tem uma ideia precisa de quem ocupará os postos que constituem a futura coluna dorsal de sua administração. Em várias áreas, não haverá surpresas. Afinal, um núcleo de secretários foi escolhido por ela própria após assumir o governo em março, e o mais provável é que sejam mantidos.
Não se esperam mudanças significativas, por exemplo, na gestão do caixa, hoje com o secretário Valdivino de Oliveira, escolhido a dedo por Celina, ou mesmo na segurança pública, até por serem áreas que estão dando certo.
A postura de Celina se explica também pela intenção de evitar as pressões que seriam inevitáveis em qualquer mudança de governo. Afinal, todos os participantes do esforço eleitoral têm suas aspirações e esperam ser atendidos.
Controle da Câmara e preservação da frente, as prioridades
À parte a organização do secretariado para o governo prestes a se reiniciar, Celina tem duas prioridades políticas. Apesar de todo o agito entre os distritais, atuais, reeleitos ou novatos, o Buriti não abre mão da palavra final sobre o controle da Câmara Legislativa.
Ninguém precisa de bola de cristal para saber disso. Desde que o Distrito Federal recebeu autonomia, não houve um só governador, de esquerda, de direita ou muito pelo contrário, que abrisse mão desse controle. Celina já foi distrital e presidente da Câmara Legislativa. Ninguém sabe disso melhor do que ela.
Mas a governadora também precisa manter a coalizão que a elegeu. Se é evidente a necessidade de controlar a Câmara, também precisa manter essas forças coesas para o diálogo com os demais Poderes da República, o que vale para o Palácio do Planalto e para o Judiciário.
Se contar com o amparo da bancada federal — onde hoje é amplamente majoritária —, terá muito mais facilidade para conduzir esse diálogo, indispensável até para questões já em andamento, como equacionar a crise do BRB.