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Do Alto da Torre
Do Alto da Torre

Bagunçou de vez a balança de poder dos EUA

Na Virgínia Ocidental, o único democrata com chances deixou a disputa, o que já garantiria empate técnico

Eduardo Brito

14/02/2024 17h44

Wade Vandervort/AFP

À parte o complicado confronto entre Donald Trump e Joe Biden pela presidência, um gesto inesperado ameaça embaralhar ainda mais a apertada disputa pelo Senado, virtual controlador da política externa dos Estados Unidos. Só para lembrar, hoje os democratas têm 51 senadores contra 49 dos republicanos.

Na Virgínia Ocidental, o único democrata com chances deixou a disputa, o que já garantiria empate técnico. Fora isso, os republicanos têm chances razoáveis de conquistar mais quatro cadeiras, enquanto os democratas têm pouquíssimas de tomar duas.

E, de repente, tudo se complicou ainda mais para os senadores de Biden. No estado de Maryland, que não elege um senador republicano há 44 anos, o popular ex-governador Larry Hogan, republicano, lançou-se inesperadamente na disputa do cargo, que vai vagar. Se ele ganhar, as chances de controle democrata do Senado caem a zero. No seu anúncio oficial, Hogan avisou que quer levar sua marca de política republicana pragmática para uma Washington “completamente quebrada”.

Ele não é um republicano ortodoxo. Foi um dos críticos mais ferrenhos do ex-presidente Donald Trump, e no seu anúncio de campanha enfatizou sua disposição de enfrentar políticos de ambos os lados do corredor. Ele citou seu pai, Larry Hogan Sr, deputado republicano do Congresso que votou pelo impeachment do presidente Richard Nixon. “Ele deixou de lado a política partidária e suas próprias considerações pessoais e se esforçou para fazer a coisa certa por Maryland e pela nação”, disse Hogan.

“Hoje… Esse tipo de liderança, esse tipo de vontade de colocar o país acima do partido, tornou-se muito raro.” Essa mensagem é a mais perigosa para os democratas, pois Hogan pode atrair o eleitorado independente, como vez quando disputou o governo. E nem por isso deixará, se eleito senador, de votar com os republicanos. Já há vários democratas concorrendo, incluindo o deputado David Trone, que já partiu para o ataque, afirmando que “como governador, Larry Hogan negligenciou e fracassou a cidade de Baltimore, pressionou por políticas que expulsaram 200.000 habitantes de Maryland dos cadernos eleitorais e cortou acordos de bastidores para beneficiar desenvolvedores como ele às custas dos contribuintes de Maryland”.

“Um voto no republicano Larry Hogan, por mais que ele se diga independente, é um voto para tornar Mitch McConnell líder da maioria e entregar o Senado aos republicanos para que eles possam aprovar uma proibição nacional do aborto”, disse Maeve Coyle, porta-voz do Comitê de Campanha do Senado Democrata. McConnell é o eficiente líder ultradireitista dos republicanos e aliado de Trump.

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