Vamos combinar, quase ninguém na política de Brasília conhece a deputada federal Rosana Valle, do PL de São Paulo. Ou melhor, quase ninguém conhecia. Um texto encaminhado por ela, porém, criou o maior alarde nas redes sociais, por um motivo simples: tocou no ponto que a oposição mais vai explorar nas eleições municipais.
Reeleita com 216 mil votos, em grande parte vindos da populosa Baixada Santista, a ex-apresentadora de TV Rosana procurou ligar o governo Lula à apresentação da escola de samba Vai-Vai: “Um membro do Poder Executivo da União não poderia compactuar e participar de um desfile como este, que defendeu vandalismo ao patrimônio público e atacou a Polícia”, disparou Rosana, referindo-se à participação do ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, no desfile da Vai-Vai.
A crítica se estende, claro, ao deputado federal Guilherme Boulos, pré-candidato das esquerdas à Prefeitura de São Paulo, que também desfilou pela agremiação.
Afronta à segurança
“Espantoso ver Boulos e o ministro dos Direitos Humanos do Lula (presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva – PT) desfilando e sorrindo, enquanto a escola exibia fantasias de policiais, como se fossem demônios. O que se viu foi uma afronta aos profissionais da Segurança Pública que arriscam a vida para proteger a sociedade. Lamentável e desnecessário. No desfile, ainda teve exaltação ao vandalismo do patrimônio público”, resumiu Rosana.
Essa fala foi imediatamente reproduzida por todos os opositores da campanha de Boulos. E não só. No Distrito Federal, os deputados Bia Kicis e Alberto Fraga, além de diversos distritais, repercutiram o discurso. A escola de samba do Bixiga causou polêmica ao comparar policiais a demônios na ala “Sobrevivendo ao Inferno”. Os integrantes do “Batalhão de Choque” usavam capacetes com chifres e asas vermelho-alaranjadas.
Deputados estaduais e federais passaram a defender que o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo cortem os recursos públicos da escola. Mas, claro, não é isso que interessa. O que a deputada paulista e todos os que a repercutiram querem é colar na testa dos governistas e da esquerda a imagem de que são uma ameaça à segurança dos cidadãos.
Defensores do governo admitem risco
A utilização dos problemas de segurança em campanha é admitido pelos próprios governistas. Ex-secretário executivo do Ministério da Justiça, Ricardo Cappelli cita os casos de Equador e El Salvador para mostrar que a segurança pública está virando tema central nas Américas.
“E a tendência é escalar”, conclui. Organizações criminosas bilionárias ameaçam e corrompem. “A extrema direita tenta se apropriar do debate público que estará, inevitavelmente, presente nas eleições municipais”, reconhece Cappelli.
Moção contra fala de Lula
Em meio ao vendaval de críticas, a distrital Paula Belmonte apressou-se a apresentar à Câmara Legislativa Moção de Repúdio contra a fala do presidente Lula comparando o conflito na Faixa de Gaza com o Holocausto.
A distrital não economizou nas críticas. Segundo ela, “uma fala dessa envergadura deve ser pautada em conhecimento técnico e histórico, respeito mútuo entre nações e principalmente, pelo equilíbrio e cuidado”, reforçou.