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Os salões de automóveis precisam se reinventar

Sou um grande fã dos salões. Mas como fã, preciso ser realista. O formato precisa se modernizar para que eles tenham sobrevida e possam se conectar a um consumidor cada vez mais digital.

Aurélio Araújo

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O Salão do Automóvel é sempre um evento muito aguardado. Ele traz os lançamentos, protótipos e tendências do mercado automotivo. São Paulo ferve! Principalmente no final de semana da Fórmula 1. Porém, faz algum tempo já que venho escutando comentários sobre o alto custo para colocar a bandeira de uma marca cravada naquele nobre território.

O motivo é que os comentários se transformaram em profundas insatisfações e, em fevereiro, pelos menos 15 montadoras (Hyundai, Chevrolet, Toyota, Peugeot, Citroën, BMW, Volvo, Hyundai, Jaguar, Land Rover, Mini, Lexus, Jac Motors, Mitsubishi, Suzuki) já haviam anunciado que não participariam da edição 2020, e isso não teve nada haver com a COVID-19 (três meses atrás a gente não tinha nem ideia do que estava por vir). 

Lexus no Salão do Automóvel. Em 2020 a montadora decidiu não participar do evento. Foto; Aurélio Araújo.

O problema mesmo foi o custo. Muitas montadoras começaram a ter a percepção de que o evento (mesmo com todo o glamour) era muito dinheiro para pouco resultado. Estima-se que a participação no Salão do Automóvel pode custar entre quatro a 20 milhões de reais, dependendo da marca. É muito dinheiro, e em momentos de crise, isso se torna ainda mais crítico. Com o cancelamento em massa, os organizadores foram obrigados a prorrogar o evento para 2021. 

Eu sou fã do Salão do Automóvel. Sou daqueles que chega cedo e sai tarde. Vou em todos os estandes. Tiro foto, entro nas filas. É como um parque de diversões. Mas não posso negar que as montadoras têm razão ao questionar o formato, que segue os mesmos padrões dos grandes salões internacionais (desde o meio do século XX). Eu sou um entusiasta, mas a verdade é que o formato está ultrapassado, muito perto da imprensa especializada e muito distante do consumidor final. 

Em uma análise muito lúcida, publicada pela revista Auto Esporte, a repórter Marli Olmos apontou que esse modelo de exposição não interessa mais às montadoras. E ela tem razão. Recentemente, o Salão de Genebra também foi cancelado e uma marca esportiva, que já estava com tudo pronto, fez o lançamento por meio de uma live. E aí tudo muda. O formato é mais leve, mais barato e com certeza, tem uma capacidade de alcance muito maior que um evento tradicional. 

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Se o consumidor está cada vez mais conectado, lançamentos virtuais e independentes dos grandes eventos podem ser o caminho, ainda mais diante de uma crise como a da COVID-19. A Fiat, por exemplo, irá lançar sua nova picape compacta, a Strada, no meio da pandemia. O novo desafio será apresentar o produto ao público com concessionários funcionando com horários reduzidos, outros fechados, sem Salão do Automóvel e tendo que explorar o único caminho possível: o mundo digital. Superado o desafio dos primeiros lançamentos, rapidamente estaremos acostumados à nova “normalidade”. 

Não me entenda mal! Como eu disse, eu sou um grande fã dos salões; mas como fã, preciso ser realista. O formato precisa se modernizar para que eles tenham sobrevida e possam se conectar a um consumidor cada vez mais digital. 


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