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Quando o novo revisita os acertos do passado

Dudu Camargo brinca com o New e o “old” que marcaram sua trajetória

Por Max Cajé 06/10/2023 10h57
Foto: Divulgação

Preciso começar esta estreia dizendo que “missão dada é missão cumprida”. Quando Lulu Peters (da coluna Lulu no Quadrado) e o Jornal de Brasília me incumbiram de assumir este espaço para dar continuidade ao trabalho de olhar atento, paladar afiado e escrita íntima, não apenas fiquei imensamente lisonjeado, mas também me engajei em trazer para cá visões sobre a gastronomia que vão além de releases prontos, elogios batidos e cartas marcadas. Claro, escrever com a maestria de Lulu é um objetivo a ser alcançado. Quando eu crescer, quero ser igual a ela, mas, por ora, firmo o compromisso com a audiência de manter uma troca transparente sobre o que o cenário gastronômico da cidade tem de melhor (e pior?) a oferecer.

Seguindo com nossa visita conjunta ao New by Dudu Camargo na CasaCor, é impossível não destacar o impacto visual que o ambiente desenhado pelos arquitetos Orestes Blanco e Rosa Maranini causa ao olhar. Com portas de vidro, pontos de luz estrategicamente posicionados e uma explosão de rosa-salmão, atingindo seu ápice em um grande painel que grita “Miami encontra o Caribe”, o espaço convida você a mergulhar na experiência já a partir da fachada. Tudo isso, é claro, foi pensado para combinar com a personalidade expansiva e sempre ligada no 220 de Camargo, que também se reflete no nome e nas descrições engraçadinhas dos pratos.

Foto: Divulgação

Destaco positivamente o atendimento atencioso de toda a equipe, especialmente o de Fábio, que trabalha nas operações de Dudu há quase 20 anos. Essa longa parceria fez com que ele conheça de cor as receitas e compreenda a intenção do chef por trás de cada opção do cardápio, algo que ajuda muito clientes indecisos como eu.

O menu enxuto condiz com o tamanho da operação e apresenta uma versão compacta da “casa mãe”, localizada na QI 11 do Lago Sul, onde Dudu faz uma viagem gastronômica por sua história com receitas que marcaram clientes nas 12 casas que ele já comandou.

A decisão mais difícil foi, de fato, pela entrada. O prato que me atraiu logo de cara, pelo conjunto e pelo receio em relação à sua execução, foi o Montenegro, que, conforme descrição, é um filé grelhado ao molho de vinho tinto, goiabada cascão e alecrim, acompanhado de um risoto al salto de açafrão recheado de queijo coalho (R$ 136).

Como um risoto pode ser recheado? Transformando sua apresentação em algo bem próximo ao preparo de uma batata rosti. Confesso que não amei a textura da camada externa, pois, diferente da batata, o arroz ficou mais seco, como aquele que gruda no fundo da panela quando deixamos passar um pouco do tempo no fogo.

Por outro lado, o filé quebrou meu medo e superou as expectativas. Alto e no ponto perfeito, uniforme em toda sua extensão, ganhou muitos pontos ao se unir a um molho agridoce de verdade, super equilibrado, difícil de se encontrar. Na maioria das vezes, quando leio “agridoce” na descrição, já sei que vai acabar pendendo para algo açucarado ou para o extremo oposto. Nem de longe foi o caso do New, que mostrou ter uma cozinha afiada.

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A escolha para acompanhar o jantar foi o Quinta da Esperança branco, porque com vinho português não tem erro. A carta toda é assinada pela importadora Del Maipo, o que restringe um pouco a variedade de rótulos e uvas, mas nada que prejudique a experiência.

Saí com uma impressão muito positiva do New — acima, inclusive, das últimas que tive no Dudu Bar da 303 Sul. Vejo esse resgate do que deu certo como um movimento inteligente do chef, com potencial para agradar o público que o acompanha há anos e conquistar quem porventura ainda não o conheça.






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