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Um projeto, um bar, um restaurante, uma despedida e um amigo

Visitei a CasaCor e seus projetos gastronômicos me surpreenderam. Fica a minha última dica por aqui

Por Lulu Peters 29/09/2023 11h41
Foto: Lulu Peters
Foto: Lulu Peters

É no mínimo irônico que esta minha coluna seja relacionada ao projeto temporário que chamamos de CasaCor.

O projeto é realmente encantador, principalmente para todos aqueles que apreciam coisas belas, seja decoração, uso de texturas, arquitetura… mas neste espaço, falamos sobre comida ou bebida e, acreditem, até isso tem na CasaCor.

As instalações de decoração e arquitetura estão funcionando dentro do estádio Mané Garrincha, onde é possível atravessá-las, como se estivéssemos num museu, porém, imaginando como seria viver naquele lugar.

Nesta edição, foram incluídos um bar, um café e um restaurante na composição de todo o projeto. O café é garantido pela La Petite Boulangerie, bastante conhecida na cidade e certamente uma das minhas padarias favoritas.

Destaque para o Arena Bar, que estou torcendo para permanecer no espaço mesmo após o encerramento da CasaCor. Com uma decoração deliciosa (aquela cara de lounge), é perfeita para quem quer curtir um drink e comer umas comidinhas com os amigos, sem muita farra e badalação. Se não fosse pela imagem incrível do estádio vazio na sua frente, daria para fingir que você está na sua casa (quando a gente ficar rico, claro).

Foto: Lulu Peters

Apesar dessa pegada de “quiet luxury” (ou “luxo discreto”), o bar tem opções de comidinhas e de drinks com preços bem justos. Inclusive, até às 20h, a casa tem promoções de happy hour, quando o chopp sai a R$ 7,90 e o dadinho de tapioca tem desconto.

O passeio é perfeito até para quem não tiver interesse na CasaCor, já que o acesso ao bar não depende da compra do ingresso para a visitação.

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Estou falando sério, anote na sua agenda uma visita sem grandes pretensões porque é um passeio bastante diferente para o brasiliense.

Já no último piso da CasaCor, funciona o New, que, apesar do nome (do inglês, “novo”), propõe uma revisitação de alguns dos pratos mais clássicos criados pelo chef Dudu Camargo, uma verdadeira instituição da cidade. Eu confesso que reagi como uma menina, empolgada e encantada com aquele ambiente que, embora tenha Flamingos e rosa por todo lado, não estava nada brega. Era algo do tipo “Monkey Bar de Nova York vai para Miami” ou até “uma casa de boneca para adultos” onde o bar repleto de bebidas, a iluminação indireta muito bem feita e as cadeiras e mesas muito confortáveis imediatamente nos transportam para outra atmosfera.

Foto: Lulu Peters

Se o cardápio lhe parecer meio salgado à primeira vista, pare e reveja. Apesar de vários pratos ali estarem na faixa dos três dígitos, a verdade é que há várias opções de custo bastante acessível. Primeiramente, porque os pratos mais caros são porções muito fartas, então dá tranquilamente para dividir com alguém. É o caso do filé de robalo bem alto, carnudo, servido com um molho que misturou um toque de salmão e cogumelo muito bem temperado e no ponto impecável. Foi acompanhado por um risoto bastante aromático e saboroso. Para mim, o ponto do risoto poderia ser um pouquinho mais al dente, mas nada que tenha perturbado a minha apreciação por este prato.

Foto: Lulu Peters

Para quem não quiser arriscar os três dígitos, a casa oferece entradas bem bacanas, como o Pout pourri (R$ 45), que inclui pastelzinho, croquete e bolinho de arroz, com chutney, servindo até três pessoas tranquilamente. Os pratos já são enormes, então eu apostaria no risoto de rabada, que, além de farto, custa apenas R$ 58.

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Foto: Lulu Peters

O atendimento foi de uma simpatia à parte, principalmente pela recepção do Fábio, gerente da casa, e do Renan e do Luan, que nos atenderam com muita cordialidade a noite inteira.

Como todo mundo já sabe, boa gastronomia não é nada sem alguém para compartilhá-la. E essa noite foi mais especial pela companhia do meu grande amigo Max Cajé.

É aqui que entra a ironia que mencionei no início do texto. Quando a CasaCor encerrar as atividades em novembro, todos os móveis estarão à venda por preços mais acessíveis que o normal. E todas as instalações, incluindo o belíssimo espaço do restaurante, serão desmontados, ou seja, darão adeus. E, imbuída desse espírito de aceitação de que bons momentos e coisas belas podem, sim, ter um fim — o que nos faz apreciá-los ainda mais, venho dar meu “tchauzinho” ou “até logo” a esta coluna que me fez muito feliz.

Eu, Lulu, vou dar outros rolês pelo Quadrado. Mas não poderia ter indicado alguém melhor para ficar no meu lugar, a minha companhia dessa noite, Max Cajé, que ama comer e escrever tanto quanto eu.

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Foto: arquivo pessoal

Agradeço, de coração, ao Jornal de Brasília, aos meus editores, Willian e Lindauro, aos colegas colunistas, e a todos os leitores, principalmente. Vocês provaram que muita gente ainda gosta de ler, sim! E que boa gastronomia é mais válida com boa companhia e seguida boa escrita.

Fica a dica!
Beijos,
Lulu no Quadrado

Serviço
CasaCor

Entrada pela lateral esquerda do Estádio Mané Garrincha, acima do Modesto
@casacorbrasilia
@arenabar
@newduducamargo

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