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O que é alimentação emocional?

Quando vemos em filmes uma pessoa comendo um pote de sorvete após o término de um relacionamento, podemos classificar, a grosso modo, de alimentação emocional

Imagem ilustrativa

Quando se fala em alimentação emocional, muitos podem pensar em inteligência emocional ou mesmo uma alimentação natural ou orgânica. Mas na verdade, trata-se de como o indivíduo descarrega suas frustrações no ato de se alimentar. Ou seja, quando vemos em filmes uma pessoa comendo um pote de sorvete após o término de um relacionamento, podemos classificar, a grosso modo, de alimentação emocional.

É claro que este é apenas um exemplo — confesso que não dos melhores — para ilustrar como acabamos criando um hábito de descontar na comida nossas frustrações. Atualmente, já se sabe que a alimentação emocional, aliada a outros comportamentos ou estados patológicos relacionados com alteração emocional, influencia a ingestão alimentar errônea, o que, por sua vez, pode trazer comorbidades como obesidade, depressão, transtornos alimentares, etc.

Autores como Hamilton Mcilveen e Strugnell (2000), no artigo no Journal of Consumer Studies & Home Economics, já afirmavam que a escolha alimentar é um conjunto de decisões conscientes e inconscientes, tomadas por uma pessoa no momento da compra, do consumo ou em algum momento entre estes dois atos.

Assim, fica claro entender que a escolha alimentar para nós seres humanos tem muito a ver com o contexto, ou seja, definido a partir do indivíduo não como algo único, mas sim a partir de suas relações com o meio. Neste sentido, as emoções têm um papel decisivo no ato alimentar que, muitas vezes, supera a necessidade fisiológica.

Um bom exemplo disso é que muitas pessoas são receitadas com uma droga de nome cloridato de bupropiona, medicamento usado a princípio para o tratamento de transtorno depressivo maior e que hoje tem sido muito usado para controle de tabagismo e emagrecimento, por agir no centro do prazer, uma vez que tem como mecanismo de ação inibir a recaptação dos neurotransmissores noradrenalina e dopamina, ficando assim em maior concentração no sistema nervoso central do indivíduo, auxiliando no controle dos impulsos, entre eles, o “querer comer”.

Mas se é assim tão simples, o que leva as pessoas à obesidade?

Esta é a questão central: não é simples. Se autorregular é algo de extrema complexidade para o ser humano e requer um autoconhecimento acima do senso popular. Se conhecer não é apenas fazer meditação ou mindfullnes. É preciso esforço, dedicação, terapia e uma boa e correta avaliação psicológica, inclusive para detectar os traços latentes. Por exemplo, uma pessoa que apresente traços de impulsividade, ansiedade, busca por sensações, e falta de organização, provavelmente pode ser uma alguém com péssimos hábitos alimentares ou mesmo de vida.

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Uma pessoa com estas características e que, ainda assim, é extremamente altruísta, com baixa autoestima e baixa complacência, pode apresentar forte tendência a engordar, em especial por depositar na alimentação seu maior prazer.

Vejam, não estou aqui criando uma ligação direta de causa e consequência, mas apenas apresentando o que diversos artigos nos últimos anos vêm apontando: a relação, mesmo que indireta, entre obesidade/transtornos alimentares e depressão/baixa capacidade de regulação emocional, que muitos podem chamar de inteligência emocional (leia a coluna O que é inteligência emocional, afinal?).

Existem outros fatores que podem levar à obesidade e que não tratei aqui, como por exemplo: hormônios, ciclo menstrual para as mulheres, violência doméstica, bullying…

A ideia da coluna desta semana é despertar a curiosidade e, acima de tudo, a atenção, em especial de pais de jovens e adolescentes para o fenômeno que tem crescido de forma exponencial após a pandemia e que pode piorar se não tratado ou cuidado a tempo.

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Por falar em tempo, vou ali fazer uma pausa para o lanche com minha aluna Sarah Passos, que sugeriu o tema.

Dúvidas, sugestões, reclamações e elogios: [email protected]

Até a próxima!

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