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Analice Nicolau
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Vender mais não salva empresa desorganizada, adverte empresário Felipe Lico

Colunista Analice Nicolau

05/11/2026 11h19

Felipe Lico estrutura método para sobrevivência de pequenas empresas Créditos: Divulgação

Metodologia do empresário Felipe Lico analisa o risco comercial e apresenta diretrizes para estruturar pequenas empresas brasileiras em crescimento

Muitos empresários conhecem de perto a angústia de ver o estoque girar, os pedidos chegarem sem parar e, no fim do mês, a conta bancária simplesmente não fechar. A ideia de que vender em grande volume cura qualquer desorganização interna é uma ilusão que custa o sono, o patrimônio e a saúde de quem lidera um negócio no Brasil. Com a sensibilidade de quem viveu na pele duas décadas de comércio, importação e varejo, o estrategista Felipe Lico Oliveira Padrão reuniu esse diagnóstico no livro “Construindo Negócios que Funcionam: Estratégia, Estrutura e Escala”, lançado em junho de 2026. Graduado em Publicidade e Marketing pela Universidade Paulista (UNIP), ele consolidou sua visão na prática do chão de loja, unindo o pioneirismo da loja virtual Assimfacil.com em 2007 à rotina intensa da Milano Distribuidora Têxtil, no coração do tradicional e competitivo polo do Brás, em São Paulo.

Estatísticas do Sebrae e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que quase metade das empresas encerra as atividades antes de completar cinco anos de existência no país, índice agravado pela concorrência direta de plataformas internacionais de comércio eletrônico. À frente da Milano entre 2015 e 2023, Felipe Lico sustentou um faturamento médio anual de R$ 4 milhões, atendendo uma carteira ativa superior a trezentas lojas, divididas entre confecções de rua e bancas das concorridas feiras da madrugada. Essa engrenagem comercial exigia compras diretas de tecidos com fornecedores na China, Turquia e Líbano, além do atendimento a clientes na América Latina e Ásia, impondo rígido controle contábil para preservar a margem líquida sob fortes oscilações do câmbio.

O conflito estrutural que compromete a longevidade dos pequenos negócios decorre da crença enganosa de que a ampliação das vendas resolve deficiências de gestão interna. Ao buscar o crescimento sem estabelecer controles prévios de custos fixos, precificação e crédito, muitos gestores acabam acelerando a queima de caixa. A falta de clareza na atribuição de funções e o descompasso crônico entre o prazo de recebimento dos clientes e o pagamento aos fornecedores criam armadilhas de liquidez, transformando picos sazonais de pedidos em crises agudas de capital de giro.

Felipe Lico Oliveira, trajetória à frente da distribuidora Milano no Brás e controle de risco documental fundamentam método para pequenas empresas
Créditos: Divulgação

A falha invisível em organizações em fase de crescimento reside na tentativa de expandir a capacidade comercial sem antes organizar a retaguarda operacional. Ao diagnosticar os erros comuns que levam empreendimentos bem-sucedidos em vendas à insolvência administrativa, “muita empresa tenta escalar o caos; antes de vender mais, é preciso saber quem faz o quê, quanto custa cada operação e onde estão os riscos”, adverte Felipe Lico, apontando que o desconhecimento dos custos unitários e a falta de processos padronizados drenam a margem líquida mesmo em períodos de alta procura de mercado.

A metodologia desenvolvida pelo especialista estabelece que a sustentabilidade de uma distribuidora ou varejista exige vigilância contínua sobre a tríade formada por estoques, concessão de crédito e prazos comerciais. Detalhando as lições adquiridas no polo de moda paulistano, “no Brás, a diferença entre lucro e prejuízo está nos detalhes: o prazo que você negocia, o crédito que você concede e o estoque que você carrega; quem não controla isso pode vender muito e mesmo assim quebrar”, enfatiza o autor, explicando que mercadorias paradas representam capital imobilizado sob risco de desvalorização e que vendas a prazo sem análise cadastral criteriosa alimentam a inadimplência.

Essa visão preventiva contra perdas financeiras apoiou-se em sua atuação no Itaú entre 2008 e 2012, período em que atuou como analista de fraude documental e capacitou cerca de 300 colaboradores responsáveis pela auditoria de todas as contas de pessoas físicas abertas pelo banco em território nacional. A aplicação diária dessa metodologia impedia a abertura de dezenas de contas fraudulentas por dia, estabelecendo um padrão de conformidade que o especialista transferiu para seus negócios e para a consultoria comercial na ALD Carmarket (Ayvens), na comercialização de veículos desmobilizados de frotas de leasing. Segundo o especialista, “a disciplina analítica do setor bancário ensina que a checagem rigorosa e a governança documental evitam prejuízos irreparáveis”, demonstrando que filtros preventivos de risco devem ser aplicados desde a fundação de qualquer empresa.

O empresário e escritor Felipe Lico Oliveira Padrão Créditos: Divulgação

A consolidação de um empreendimento duradouro no mercado moderno exige que as lideranças abandonem o amadorismo e adotem métodos auditáveis aliados a um planejamento financeiro permanente. Em suas reflexões finais sobre o direcionamento de novos gestores, “o crescimento sustentável decorre de uma estrutura clara antes de qualquer busca por escala; uma empresa só está preparada para crescer quando suas contas fazem sentido e sua operação funciona de maneira organizada”, conclui Felipe Lico ao reiterar que a força de uma companhia decorre da solidez de seus processos e não apenas do volume comercial que movimenta.

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