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Analice Nicolau
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Síndrome de Burnout: um alerta para as empresas sobre a importância da saúde mental no trabalho

Além disso, alerta que esta síndrome é um problema crescente e está na maioria das vezes relacionada à cobrança por resultados de alto desempenho

Analice Nicolau

24/04/2023 9h00

Síndrome de Burnout, ou Síndrome de Esgotamento Profissional, é um distúrbio emocional cujos sintomas são exaustão extrema, física, emocional e mental, resultando em estresse crônico no trabalho.

“Podemos considerar que sua causa principal é o excesso de trabalho. Os grupos mais propícios são aqueles que lidam com muita pressão e que não podem errar. Isso pode ocasionar sentimentos de desesperança, falta de motivação, falta de produtividade e sentimentos de isolamento”, alerta a especialista em Saúde Mental Andrea Puglisi.

Ela destaca, ainda, que o Burnout é um problema crescente no mundo empresarial, que está intimamente ligado à com cobranças por resultados de alto desempenho.

“Quando uma organização enfatiza o desempenho e o resultado acima de tudo, muitas vezes, os colaboradores se sentem sobrecarregados, pressionados em atingir metas cada vez mais altas e, com isso, cria-se um ambiente extremamente competitivo, afetando a saúde metal deles. Consequentemente, os funcionários se sentem julgados e que correm um grande risco de os gestores tomarem decisões indesejadas, caso o desempenho e o resultado não sejam de alta performance”, ressalta a especialista.

Estresse crônico

O estresse crônico é um problema comumente encontrado em pessoas que vivem em tensão constantes, seja pessoal ou profissional. E Andrea comenta que esta questão é um dos efeitos da Síndrome de Burnout.

“A cobrança interna cria uma sensação de pressão constante, o que pode levar ao estresse crônico. Sabemos, também, que muitas metas estabelecidas para os colaboradores podem ser inatingíveis, o que pode levar a sentimentos de fracasso, baixa autoestima, frustração e ao questionamento se, de fato, são bons profissionais”, sobreavisa a profissional.

Puglisi elucida que, na maioria das vezes, os funcionários com Burnout podem sentir que não têm mais nada a oferecer e que estão, simplesmente, de escanteio nos projetos da empresa.

“Posso dizer que dos meus 30 anos colaborando com o mundo empresarial, vivencio cenários bem delicados ao ponto de os gestores relatarem que se o colaborador não atingir a meta estabelecida ele será desligado da empresa”, revela.

As empresas tendem a perder cada vez mais

Andrea Puglisi expõe que todas estas ações geram efeito contrário para as empresas, uma vez que, colaboradores estafados procuram formas de trabalho menos desgastante, em que, também, possam viver de maneira mais salubre.

“Hoje, como trabalho com ênfase na mentoria de carreira, posso dizer que 80% dos meus clientes executivos querem sair do mundo empresarial e buscar novas oportunidades com foco em qualidade de vida e priorizar a família para depois estabelecer uma carreira saudável e com respeito e dignidade”, aponta Andrea.

Contudo, por outro lado, a especialista diz que as empresas estão mais conscientes sobre a importância de adotarem uma abordagem mais equilibrada em relação à avaliação do desempenho e à saúde mental dos colaboradores, oferecendo melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

“Atualmente, os profissionais estão escolhendo e priorizando empresas que oferecem suporte à saúde mental, como programas de bem-estar, licenças de doença remuneradas e programas de aconselhamento, o que é uma vantagem competitiva para a empresa reter mais seus colaboradores e colaborarem com um ambiente mais saudável”, diz Andrea.

Ela destaca que o diagnóstico da Síndrome do Burnout deve sempre ser feito por psicólogos e psiquiatras.

“Nos meus atendimentos clínicos trabalho com a abordagem da Terapia Cognitivo Comportamental, que consiste em uma avaliação da vida do paciente para compreender os principais agentes estressores visando iniciar uma proposta de mudança comportamental. E quando necessário, sempre recomendo, em paralelo, tratar a síndrome de Burnout com um grupo multidisciplinar de profissionais da área da saúde, como exemplo um psiquiatra, e com profissionais especializados que atuam com a acupuntura, meditação, mindfulness, incluindo, também, outras atividades que tragam satisfação para a vida do paciente como a música por exemplo”, orienta Puglisi.

Cuidando da Síndrome do Burnout

Andrea ensina que, como primeiro passo para cuidar da Síndrome do Burnout e da sua saúde mental, é buscar o autoconhecimento, pois, somente é possível mudar os comportamentos quando as pessoas se conhecem de fato. Além disso, algumas ações e atividades podem ser muito benéficas.

“A combinação de atividade física, ter uma noite bem dormida manter alimentação saudável, contribuem significativamente para a redução de estresse, sintomas de ansiedade e depressão e, por consequência, para a Síndrome do Burnout”, agrega a psicóloga.

6 fases do Burnout

A especialista indicou algumas fases do Burnout que, muitas vezes, não são percebidas e que não aparecem do dia para noite. “Essas fases, geralmente, estão correlacionadas e não necessariamente nesta ordem”, indica.

Fase 1: você trabalha hora e horas e não percebe e fica até orgulhoso de tanta dedicação;
Fase 2: começa a evitar tempos com a família e seus contatos sociais;
Fase 3: começa a sentir que seus dias não estão sendo mais produtivos e tem sinais de cansaço;
Fase 4: surgimento de sinais físicos e emocionais, dores musculares, dores de cabeça, cansaço, entre outros;
Fase 5: falta de foco no trabalho, passando por momentos de picos de estresse, irritabilidade e perdendo, muitas vezes, a paciência com outras pessoas;
Fase 6: falta de controle de seu comportamento e atitudes relacionadas ao dia a dia, esgotamento total do ambiente de trabalho, sensação de andar no piloto automático, fadiga e apatia e sentimento de insatisfação. “Uma recomendação muito importante para as empresas que têm profissionais com Síndrome de Burnout é sempre acolherem, saber se colocar no lugar do profissional (buscar a empatia) e ajudá-los a direcionar para profissionais qualificados e, assim, ajudando a evitar qualquer reincidência. Isso, também fará o profissional minimizar a Síndrome de Burnout de uma forma mais consciente e sempre buscando um equilíbrio saudável entre sua vida pessoal e profissional”.

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