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Quer se livrar dos óculos? Especialista fala sobre cirurgia que elimina possibilidade de ter catarata

Dr. Marcello Fonseca, Diretor do iVisão, explica como a troca do cristalino com finalidade refrativa pode ajudar quem deseja prevenir a condição de saúde, de forma rápida e com resultados permanentes

Por Analice Nicolau 20/05/2022 6h00
Dr. Marcello Fonseca, Diretor do iVisão, explica como a troca do cristalino com finalidade refrativa pode ajudar quem deseja prevenir a condição de saúde, de forma rápida e com resultados permanentes

O envelhecimento natural do cristalino, uma das lentes naturais dos olhos, pode ocasionar uma diminuição da sua elasticidade e transparência, o que dificulta a focalização à curta distância, usada para ler e realizar tarefas manuais.


Esta dificuldade é chamada de presbiopia e costuma aparecer por volta dos 45 anos de idade, através de fatores genéticos e ambientais. Com isso, a pessoa pode perder gradativamente a transparência ocular e desenvolver a temida catarata. Com tratamento exclusivamente cirúrgico, o paciente recebe a substituição do cristalino opacificado por uma lente intraocular.


Mas, o que muitas pessoas não sabem, é que este procedimento pode ser realizado antes mesmo do aparecimento da catarata, com o objetivo de tratar a presbiopia, reduzindo ou eliminando a necessidade do uso de óculos, como explica o Dr. Marcello Fonseca, Diretor do Instituto da Visão de Curitiba (iVisão).
Para aqueles que não desejam usar óculos, as modalidades mais conhecidas de cirurgias refrativas são as que utilizam o laser para corrigir a miopia, o astigmatismo e a hipermetropia. Contudo, quando o assunto é a presbiopia, o laser não é suficiente para restaurar a visão em todas as distâncias. Resta, então, a intervenção no cristalino com a sua substituição por lentes intra-oculares. Segundo o Dr. Marcello, apesar de utilizar a mesma técnica da cirurgia de catarata, o procedimento de troca refrativa do cristalino possui mais um objetivo.


“A cirurgia de catarata moderna, com implante de lentes intraoculares, existe desde os anos 1960, mas foi neste século que a técnica e a qualidade dos implantes a tornaram tão eficiente e precisa a ponto de mudar de categoria. O que antes se fazia apenas para restaurar a transparência perdida com o aparecimento da catarata assumiu um papel de correção precisa da refração, possibilitando uma visão focalizada em todas as distâncias”, explica o Diretor.


Como o processo de inovação, ao longo dos anos, essa expansão de possibilidades para uma cirurgia, que até então tinha um único objetivo, dividiu opiniões na área médica, com alguns oftalmologistas mais conservadores mantendo a indicação apenas nos casos de catarata. O Conselho Federal de Medicina (CFM), depois de longo debate, reconheceu a eficácia e a segurança da cirurgia em um parecer publicado em fevereiro de 2022, no qual orienta a sua inclusão na prática médica como procedimento seguro quando observadas as suas corretas indicações.


“No início dos implantes de lentes multifocais, operávamos apenas os pacientes com catarata. Mas, quando um paciente de 70 anos ou mais operava a catarata e acabava por se livrar dos óculos, era acompanhado meses depois por um filho que, também, gostaria de se livrar dos óculos”, relata o médico, ao explicar a importância do procedimento. Por ter como finalidade a correção de grau, a intervenção cirúrgica assume um compromisso com o resultado, aproximando-se de alguns procedimentos estéticos. Mas, para o Dr. Marcello, a semelhança para por aí.


“Quando realizamos a cirurgia de catarata, buscamos tratar uma doença, visando corrigir uma deficiência visual que prejudica a saúde ocular do paciente. Não raramente, depois da cirurgia, o auxílio de óculos para uma visão perfeita em todas as distâncias é necessário. Na troca refrativa do cristalino, a ideia é reduzir ao máximo essa necessidade e, de preferência, eliminá-la”, esclarece o médico.
Para alcançar este objetivo, tudo tem que estar perfeito, alerta o Diretor do iVisão. Saúde ocular em perfeito estado, com córnea e retina normais, exames pré-operatórios realizados com muita atenção e uma detalhada explicação sobre as vantagens e desvantagens do procedimento.

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O procedimento é rápido e com anestesia tópica (colírios anestésicos). Normalmente se faz um olho de cada vez, com intervalo de uma semana. A recuperação visual varia de acordo com cada caso, mas, em geral, alguns dias após o segundo olho operado a visão já está recuperada, e os resultados são permanentes, apesar de não eliminar as chances de outros problemas nos olhos surgirem e, portanto, o acompanhamento frequente ser recomendado. Como toda cirurgia, esta também possui riscos. Sendo um procedimento intra-ocular, as consequências de uma infecção, por exemplo, podem ser muito graves. Por outro lado, a realização dos procedimentos em hospitais especializados, como o iVisão, bem como a evolução das técnicas cirúrgicas, tornaram o risco de infecção um acontecimento raro.


“O reconhecimento da segurança deste procedimento para pacientes presbitas e sem catarata era algo aguardado por muitos oftalmologistas brasileiros, pois já é aceito em muitos países há muitos anos. Nenhum procedimento médico tem o respaldo de 100% da comunidade científica, mas acredito que vamos operar cada vez menos cataratas e cada vez mais presbiopias. A ideia de que o homem vai se fundir com tecnologias complementares já está acontecendo”, finaliza o oftalmologista.








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