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Analice Nicolau
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Neymar renova contrato com Loovi, que mira R$ 250 milhões em faturamento para 2026

Colunista Analice Nicolau

20/10/2026 10h57

Com licença definitiva da Susep para a LTI Seguros e meta de R$ 250 milhões em 2026, a Loovi renova acordo com Neymar Jr. para expandir o seguro auto.

Neymar renova contrato com Loovi Créditos: Divulgação

Novo acordo coincide com a licença definitiva da LTI e amplia estratégia para aproximar o seguro auto de milhões de brasileiros

A disputa pela atenção do consumidor no setor de serviços financeiros ingressa em uma fase de consolidação regulatória e ofensiva de distribuição direta. No mercado securitário brasileiro, marcado historicamente por intermediários tradicionais e apólices de alta complexidade, a insurtech Loovi formalizou a extensão de seu contrato de embaixador de marca com o atleta Neymar Jr. A continuidade da parceria institucional, iniciada em 2025, ocorre em paralelo a um passo corporativo definitivo: a homologação da LTI Seguros, braço operacional do Grupo Loovi, pela Superintendência de Seguros Privados (Susep). A saída do ambiente experimental do Sandbox Regulatório para a concessão da licença operacional definitiva na categoria S3 estabelece a base legal necessária para sustentar a projeção da companhia de atingir R$ 250 milhões em faturamento anual e triplicar a carteira de segurados até o encerramento do exercício de 2026.

O pano de fundo financeiro dessa movimentação revela uma distorção estrutural crônica na mobilidade urbana do país. Dados consolidados de junho de 2026 indicam uma frota nacional superior a 65 milhões de automóveis registrados, enquanto levantamentos da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) apontam que somente 29% desses veículos circulam amparados por alguma modalidade de proteção securitária. Esse vácuo de cobertura deixa mais de 70% dos proprietários expostos a perdas patrimoniais severas decorrentes de colisões, furtos e sinistros de terceiros. Ao focar em automação e contratação digital para reduzir custos administrativos, a insurtech passou a capturar uma demanda até então ignorada pelas operadoras centenárias: 82% dos clientes que ingressam na carteira da empresa declaram nunca ter contratado uma apólice de automóvel anteriormente, confirmando que a disputa se dá pela bancarização de novos entrantes, e não apenas pela canibalização de concorrentes.

A estratégia de ancorar a imagem institucional a uma das maiores figuras públicas do esporte global expõe o atrito clássico entre o custo de aquisição de clientes (CAC) e a conversão de contratos financeiros de longo prazo. No mercado corporativo, contratações de celebridades com frequência falham em gerar retenção quando o produto subjacente exige confiança bancária e conformidade técnica. A aposta da diretoria da Loovi baseia-se na necessidade de simplificar a barreira psicológica de entrada no mercado de proteção automotiva, utilizando canais digitais de tração massiva para transformar visualizações em subscrição de apólices ativas. Em um cenário onde campanhas isoladas da marca ultrapassaram 28 milhões de reproduções e a audiência do jogador no Instagram avançou para a faixa de 241 milhões de seguidores ao longo do calendário do Mundial, a viabilidade do investimento publicitário depende da capacidade técnica de reter o consumidor após o impacto inicial da mídia.

O principal obstáculo na ampliação do seguro para as classes emergentes reside na incapacidade do setor convencional de traduzir produtos de risco em linguagem direta para o motorista comum. Ao justificar a manutenção da parceria para além dos grandes eventos do futebol internacional, o comando da companhia detalha a lógica comercial da renovação: “Quando decidimos renovar, não estávamos olhando apenas para uma campanha ou para o calendário esportivo. Neymar Jr. é uma das poucas personalidades brasileiras com capacidade de dialogar com públicos muito diferentes e em escala nacional. Para uma empresa que pretende ampliar o acesso ao seguro, essa capilaridade de comunicação é estratégica porque permite chegar a consumidores que o setor ainda pouco alcança”, analisa Quézide Cunha, CEO da Loovi, reforçando que o volume bruto de seguidores só se converte em valor econômico se houver sincronia entre a mensagem popular e uma esteira de contratação em poucos minutos no smartphone. Sem essa facilidade operacional na ponta, o investimento publicitário de grande porte se dissipa em vaidade de engajamento sem reflexo no balanço.

A formalização da licença corporativa definitiva da Susep impõe à operação uma exigência rigorosa de solvência patrimonial, provisionamento técnico e governança contábil. Ao alinhar a autorização estatal da LTI Seguros com a expansão comercial em mais de 4 mil municípios, o executivo pondera sobre o papel do marketing de massa na inclusão de motoristas desprovidos de garantias: “A renovação faz parte da estratégia nacional de comunicação do Grupo Loovi em um momento decisivo para a companhia, que agora passa a operar com licença definitiva por meio da LTI Seguros. Essa nova etapa amplia nossa capacidade de crescimento e reforça o compromisso de aproximar o seguro de milhões de brasileiros que, historicamente, permaneceram fora do mercado segurador”, pontua Quézide Cunha, sinalizando que a presença institucional perante a autoridade reguladora mitiga o risco percebido pelo cliente iniciante. A governança perante a autarquia atua como o lastro de confiança necessário para transformar um primeiro contato de rede social em pagamento recorrente.

O avanço na esteira da Susep permite ainda à companhia iniciar a diversificação de seu portfólio para linhas complementares, mitigando a dependência monotemática dos sinistros de veículos leves. A infraestrutura de subscrição agora mira categorias historicamente subpenetradas como motocicletas, veículos pesados de transporte, coberturas individuais de vida e seguros para dispositivos móveis corporativos. Ao avaliar o desafio de manter a simplicidade contratual diante de produtos com atuarialidade mais complexa, a liderança executiva reitera a necessidade de sustentação contínua da narrativa de marca: “A parceria nos ajuda a traduzir um produto financeiro em uma conversa mais acessível, presente e conectada à realidade de diferentes públicos”, afirma o CEO da insurtech, observando que a expansão para novas categorias de risco exigirá precisão de inteligência artificial na precificação instantânea de apólices. A ampliação da esteira de produtos visa elevar a taxa de retenção e o valor do tempo de vida do cliente (LTV) dentro da mesma base cadastral.

O teste de maturidade do modelo insurtech no Brasil reside em provar que a distribuição digital em escala suporta índices controlados de sinistralidade e despesas de comercialização dentro da margem operacional. A trajetória que parte da distribuição de colecionáveis temáticos durante o período da Copa do Mundo para a consolidação de uma seguradora regularizada de R$ 250 milhões exige disciplina na gestão de reservas e auditoria contínua de solvência. Ao cruzar o poder de alcance de um embaixador de apelo global com a regulamentação estrita do sistema financeiro, a companhia busca ocupar a fatia de 71% dos automóveis desprotegidos antes que os conglomerados bancários tradicionais adaptem suas esteiras legadas. O desfecho dessa disputa evidenciará se a combinação entre capilaridade esportiva, canais digitais e licença definitiva de seguros é suficiente para transformar a cultura de proteção patrimonial em hábito permanente do motorista brasileiro.

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