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Analice Nicolau
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Inteligência artificial ganha espaço no contencioso tributário após palestra de Luís Fux

Colunista Analice Nicolau

24/08/2026 15h47

Na noite de 20 de agosto, o evento BMS Leaders Table reuniu tributaristas e empresários para debater segurança jurídica e os rumos do contencioso fiscal no país. A abertura da programação contou com palestra do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Fux, que analisou a estabilidade de precedentes e a modulação de efeitos na gestão de riscos operacionais. Durante o encontro, o advogado Lucas Barbosa Oliveira apresentou a Iter, empresa criada para aplicar inteligência artificial ao acompanhamento processual, cruzamento de jurisprudências e elaboração de minutas técnicas, oferecendo resposta ao elevado volume de disputas que tramitam no sistema de Justiça brasileiro.

Palestra do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Fux no BMS Leaders Table

O mestre em Direito Lucas Barbosa Oliveira lançou uma plataforma de inteligência artificial para otimizar disputas judiciais tributárias

Na noite de 20 de agosto, o evento BMS Leaders Table reuniu tributaristas e empresários para debater segurança jurídica e os rumos do contencioso fiscal no país. A abertura da programação contou com palestra do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Fux, que analisou a estabilidade de precedentes e a modulação de efeitos na gestão de riscos operacionais. Durante o encontro, o advogado Lucas Barbosa Oliveira apresentou a Iter, empresa criada para aplicar inteligência artificial ao acompanhamento processual, cruzamento de jurisprudências e elaboração de minutas técnicas, oferecendo resposta ao elevado volume de disputas que tramitam no sistema de Justiça brasileiro.

A urgência por soluções tecnológicas ganha respaldo direto nos dados oficiais da Justiça. Levantamento do Conselho Nacional de Justiça mostra que o Brasil registrou cerca de 41 milhões de novas medidas judiciais em 2025, o que representa uma média de 2.366 processos julgados por magistrado no ano. Paralelamente, estudo do Insper aponta que o contencioso tributário nacional acumula R$ 5,7 trilhões em litígios nas esferas judicial e administrativa, montante que equivale a 75% do Produto Interno Bruto. A dimensão dessas cifras evidencia a necessidade de ferramentas capazes de estruturar dados e acelerar a tomada de decisões jurídicas.

Lucas Barbosa Oliveira, fundador e CEO, é advogado pela USP, com treze anos no contencioso e no consultivo tributário do Pinheiro Neto Advogados, antes de dedicar-se a automatizar, com inteligência artificial, o próprio fluxo de trabalho que viveu por dentro. A Iter nasceu dessa experiência, fundada em agosto de 2026. Ele é LL.M. em Direito Tributário pelo Insper, mestrando em Direito Financeiro na USP e autor de “Opções de Compra de Ações” (Dialética, 2022). Ao lado dele, um conselho institucional de peso sênior. Vanessa Rahal Canado foi professora de tributação na FGV por onze anos e assessora especial do Ministro da Economia entre 2019 e 2021 para a reforma tributária. Guilherme Silveira Martins é presidente do Insper desde 2023, doutor em Operações e Competitividade pela FGV EAESP. André Filipe de M. Batista é doutor pela USP na área de engenharia e ciência de dados, com pós-doutorado em inteligência artificial aplicada, e CIO do Insper. A criação do software resulta da constatação do descompasso entre a infraestrutura digital dos tribunais superiores e as ferramentas disponíveis para quem litiga. 

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Fux e Rubens Tavares; CEO da BMS Consultoria Tributária
Créditos: Lion Fotografia

Enquanto STF e STJ já utilizam inteligência artificial na triagem prévia de processos e exigem petições estruturadas, as normas do CNJ asseguram que os algoritmos exerçam papel exclusivamente auxiliar na organização da informação, mantendo no profissional a responsabilidade pela condução das teses. A plataforma efetua varreduras diárias nas bases de dados cadastrais para identificar movimentações relevantes e acionar o fluxo automatizado de leitura técnica. O executivo reforça que “é uma empresa de tecnologia, não é um escritório de advocacia”, projetada para processar documentos por meio de agentes digitais encadeados. Na prática, a ferramenta analisa o teor das decisões, classifica o tema, indica o recurso cabível e disponibiliza um esboço revisado em menos de 24 horas da publicação judicial, antecipando-se inclusive aos diários oficiais em determinados cenários.

A abertura da programação contou com palestra do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Fux
Créditos: Lion Fotografia

A elaboração das peças parte de matrizes específicas construídas para mapear teses, cenários favoráveis e julgamentos divergentes. Para assegurar a integridade do trabalho em disputas de expressivo impacto financeiro, o fundador defende que “o advogado tem a obrigação de checar aquilo que saiu da máquina antes de fazer o protocolo”, impedindo o envio automático de argumentos. Todo o ecossistema opera sob regras de rastreabilidade, vetorizando as informações e gerando uma trilha de telemetria que sinaliza pontos de incerteza e permite reconstituir a origem exata das citações jurídicas.

Embora a tecnologia processe e estruture volumes massivos de decisões, o controle estratégico das ações permanece rigorosamente concentrado no operador do Direito. Lucas Barbosa Oliveira enfatiza que “o nosso desenho sempre pressupõe uma autoridade humana no final da cadeia”, vedando o protocolo autônomo sem prévia validação do advogado responsável. O sistema atua como uma camada de eficiência operacional que organiza o acervo jurisprudencial, cabendo unicamente ao profissional avaliar o mérito, ajustar a estratégia e subscrever a petição perante o Poder Judiciário.

Lucas Barbosa Oliveira no lançamento da Iter
Créditos: Lion Fotografia

O avanço da automação nos tribunais indica uma transformação irreversível na condução das disputas judiciais no mercado brasileiro. A proposta apresentada na conferência ilustra que “a máquina prepara, o advogado decide”, sintetizando a coexistência entre o processamento acelerado de dados e a responsabilidade técnica do defensor. Em um ecossistema com trilhões de reais represados, a auditabilidade dos sistemas operacionais consolida-se como premissa indispensável para garantir a segurança jurídica no uso da inteligência artificial.

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