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Analice Nicolau
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IA reduz em até 95% tempo de checagem de projetos e abre nova fase na construção civil

Colunista Analice Nicolau

30/09/2026 12h57

AltoQi lança solução de inteligência artificial que reduz em até 95% o tempo de checagem de modelos BIM, otimizando a pré-obra na construção civil

O especialista Peter Paredes acompanhado da equipe da AltoQi em apresentação da plataforma Visus com agentes de inteligência artificial Crédito das imagens: Magnific.

Tecnologia permite analisar, em até 30 minutos, modelos BIM com cerca de 20 mil a 25 mil elementos; AltoQi prepara para outubro solução que usa agentes de inteligência artificial na auditoria de projetos

A automação pericial na pré-obra atinge um novo patamar com a aplicação de agentes autônomos na auditoria de modelos digitais para edificações de grande porte. À frente dessa transformação tecnológica, o especialista Peter Paredes, Business Developer Coordinator da AltoQi, empresa brasileira fundada em 1989 e com 37 anos de liderança na digitalização do setor, comanda a implementação de algoritmos avançados capazes de examinar edifícios inteiros em tempo recorde. A metodologia aplicada pela companhia reduz em até 95% o tempo de análise de projetos estruturados em Building Information Modeling (BIM), convertendo semanas de revisão manual em diagnósticos precisos concluídos em apenas 30 minutos.

A urgência por controle rigoroso na fase de planejamento reflete os gargalos históricos de produtividade registrados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo IBGE. Dados de um levantamento global da Anthropic,  criadora da inteligência artificial Claude, apontam que as atividades de arquitetura e engenharia apresentam 85% de exposição teórica à tecnologia, porém registram apenas 5% de uso efetivamente observado no mercado. Essa defasagem ganha contornos regulatórios com a aplicação da Lei Federal nº 14.133/2021, que estabelece a obrigatoriedade do uso do BIM em contratações públicas, exigindo de empresas que somam mais de 67 mil clientes a auditoria veloz de modelos com 20 mil a 25 mil elementos.

A tensão entre a pressão por prazos exíguos e a complexidade crescente das edificações expõe um conflito direto na governança de incorporadoras e construtoras. Historicamente, a verificação de inconsistências entre projetos era realizada por amostragem ou simplesmente negligenciada devido ao volume massivo de dados e à limitação de tempo das equipes técnicas. Essa prática amadora transfere divergências de quantitativos e orçamentos diretamente para o canteiro de obras, gerando encarecimento na execução, retrabalho e desperdício de insumos. Exigir previsibilidade sem ferramentas capazes de auditar minuciosamente cada componente digital compromete a margem financeira e a liquidez dos empreendimentos.

Engenheiros utilizam inteligência artificial para auditoria de projetos
Crédito das imagens: Magnific.

O gargalo mais frequente que destrói o caixa das empresas reside na inconsistência das informações inseridas nos modelos antes do envio para a orçamentação. Revisar manualmente cada item de uma edificação de dez pavimentos consumiria semanas de trabalho pericial ininterrupto das equipes de projeto. “A revisão manual leva dias ou semanas e faz empresas trabalharem por amostragem, enquanto o sistema realiza essa análise profunda em 30 minutos, com redução de até 95% no tempo”, afirma Peter Paredes, ao explicar que a tecnologia funciona como a triagem feita antes de uma consulta médica ao organizar os achados mais críticos. Essa varredura prévia evita que erros de especificação avancem para as fases de contratação e orçamento.

Para superar a perda de informações na transição para a obra, a AltoQi lança em outubro uma solução dedicada ao recebimento, auditoria e validação de modelos BIM na plataforma Visus. A arquitetura do sistema utiliza agentes de inteligência artificial conectados aos dados reais do empreendimento para identificar inconsistências entre disciplinas de engenharia. “O profissional deixa de gastar tempo procurando onde pode estar o problema e passa a concentrar sua experiência na análise e decisão técnica”, destaca Peter Paredes, ao detalhar que a inteligência artificial atua como um segundo cérebro ao assumir o trabalho operacional do especialista. Essa automação devolve tempo estratégico para a avaliação de riscos e otimização de custos.

Tecnologia da AltoQi reduz tempo de checagem BIM
Crédito das imagens: Magnific.

A conformidade com diretrizes técnicas e normas da ABNT exige que os algoritmos operem ancorados em bases de dados confiáveis e no contexto específico de cada contrato. O uso de ferramentas genéricas sem integração com os sistemas de engenharia entrega recomendações superficiais que colocam a segurança operacional em risco. “Quando a inteligência artificial encontra um modelo BIM estruturado, consegue verificar se as informações fazem sentido para as etapas seguintes, como quantitativos e execução”, observa Felipe Garcia, Product Marketing da AltoQi, ao ressaltar que a rastreabilidade dos dados garante a auditabilidade do projeto. Essa validação rigorosa assegura que memoriais e quantitativos cheguem ao canteiro sem margem para improvisos.

Ao transformar milhares de dados dispersos em decisões estratégicas na pré-obra, a convergência entre BIM e inteligência artificial acelera também a industrialização da construção civil. O fortalecimento dessa esteira digital combate a escassez de mão de obra e eleva a atratividade do setor para novos talentos da engenharia. “Engenheiros e arquitetos não estudaram cinco, seis ou sete anos para passar o dia preenchendo planilhas, e a inteligência artificial assume esse trabalho operacional”, conclui Peter Paredes, ao apontar que a decisão final permanece sob a responsabilidade do profissional. A integração entre tecnologia de ponta e governança humana consolida a evolução da infraestrutura e a proteção do legado fabril.

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