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Historiador lança novo olhar sobre biografia do senador José Bento, figura histórica polêmica de Pouso Alegre

Fernando do Vale, mestre em História Econômica pela USP, acrescenta dados sobre a trajetória do padre e político que promovia festas em casa e que participou de momentos impactantes do Brasil Império

Por Analice Nicolau 26/05/2022 5h30
Fernando do Vale, mestre em História Econômica pela USP, acrescenta dados sobre a trajetória do padre e político que promovia festas em casa e que participou de momentos impactantes do Brasil Império

O historiador Fernando Henrique do Vale, de Pouso Alegre, região sul de Minas Gerais, lançou recentemente uma releitura da biografia do padre e senador José Bento Ferreira de Melo, personalidade histórica do Brasil, intitulada “Senador José Bento: uma história mal contada”, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Pouso Alegre.

A obra é resultado de uma ampla pesquisa, iniciada há um ano e meio, através de consultas a documentos históricos relacionados ao político e religioso, que recebeu sua primeira (e única, até então) biografia em 1937, escrita por Amadeus de Queiroz, chamada “Senador José Bento: a biografia”.

Padre e senador José Bento Ferreira de Melo

Dessa vez, Fernando, que é formado em História pela Universidade do Vale do Sapucaí e mestre em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP), traz novas informações a respeito de José Bento, amplificando ainda mais o panorama histórico desse personagem que participou de momentos importantes da história brasileira, como o Golpe da Maioridade, durante o Império.

O autor, já conhecido pelo público por lançar livros voltados a temas relevantes da região de Pouso Alegre e redondezas, também faz parte da Academia Pousoalegrense de Letras e do Instituto Histórico Geográfico do Sul de Minas Gerais.

O autor, já conhecido pelo público por lançar livros voltados a temas relevantes da região de Pouso Alegre e redondezas, também faz parte da Academia Pousoalegrense de Letras e do Instituto Histórico Geográfico do Sul de Minas Gerais.

Além da biografia, o historiador já lançou as seguintes obras: “O Mercado Municipal de Pouso Alegre: o cotidiano na cidade” (2013), coautoria com a professora Ana Eugênia Nunes de Andrade; “Pouso Alegre em Cores” (2014), em parceria com o artista plástico Henrique Monteiro, um livro infantil; “Catedral Metropolitana de Pouso Alegre: espaço de fé e sociabilidade” (2019); “Paróquia Nossa Senhora de Fátima: presença do amor maternal em Pouso Alegre” (2020); “Economia de Abastecimento em uma Sociedade Exportadora: município de Pouso Alegre para o século XX” (2021), um e-book fruto de sua dissertação de mestrado, pela Lei Aldir Blanc, e “Espírito Santo Dourado: a praia do sul de Minas – histórias e memórias” (2021).

Sobre o interesse em escrever a respeito de José Bento, Fernando diz, em entrevista, que já pesquisa sobre acontecimentos importantes relacionados à Pouso Alegre há aproximadamente 10 anos.

O historiador Fernando Henrique do Vale, de Pouso Alegre, região sul de Minas Gerais, lançou recentemente uma releitura da biografia do padre e senador José Bento Ferreira de Melo, personalidade histórica do Brasil, intitulada “Senador José Bento: uma história mal contada”, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Pouso Alegre.

“Eu sempre fui uma pessoa interessada em saber sobre a história do José Bento Ferreira de Melo, padre e senador. Então, há quase 10 anos, eu venho levantando informações históricas sobre o município de Pouso Alegre e região, e, tomando contato com uma obra de Amadeus de Queiroz, chamada “Senador José Bento: a biografia”, que está esgotada em livrarias, encontrando-se em alguns acervos apenas, eu quis fazer uma releitura, contando um pouco sobre a trajetória de vida de José Bento, como padre, político, um dos fundadores de Pouso Alegre. Essa pesquisa tomou forma de texto faz mais ou menos um ano e meio, foi daí que eu decidi enviar essa pesquisa para a Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Pouso Alegre, para ser publicada em forma de livro”, relata.

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Como toda obra que narra momentos históricos, o autor buscou como fonte, documentos oficiais, reportagens em jornais, registros de atas e outros recursos de pesquisa para que não só contasse a vida e obra do senador, mas também complementasse com informações que o seu primeiro biógrafo, na década de 1930, não teve acesso.

“Eu tomo como base esse livro do Amadeus de Queiroz, uma pesquisa histórica. Tendo em vista que (a obra de) Amadeus de Queiroz nasceu na década de 1930, eu percebi que a pesquisa deste autor era um pouco rasa, pelas condições da época, então eu decidi fazer essa releitura e ir em busca de novos indícios, de novas documentações, novas fontes históricas documentais. Logo, eu utilizo de jornais da época, fornecidos pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro e Arquivo Público do Estado de Minas Gerais, documentos locais de Pouso Alegre, atas da Câmara, atas do Poder Legislativo e documentos pessoais de José Bento, que são encontrados no Museu Municipal de Pouso Alegre e na Cúria Metropolitana de Pouso Alegre”, conta.

Como toda obra que narra momentos históricos, o autor buscou como fonte, documentos oficiais, reportagens em jornais, registros de atas e outros recursos de pesquisa para que não só contasse a vida e obra do senador, mas também complementasse com informações que o seu primeiro biógrafo, na década de 1930, não teve acesso.

E complementa: “Fiz algumas buscas também na Cúria Metropolitana de São Paulo, como também no Acervo do Cemitério da Consolação, onde encontra-se enterrada a filha de José Bento. Pesquisei também no Acervo dos Mórmons, onde se encontram diversos livros de registros de batismo, de óbitos, para pesquisar um pouco sobre a descendência, a árvore genealógica de José Bento. Também realizei pesquisas em outros centros de memórias”.

Em “Senador José Bento: uma história mal contada”, o autor disponibiliza elementos que comprovam a participação do padre na vida política da região, como a Constituição de Pouso Alegre, colocada na íntegra, e a resposta que o senador dá ao Senado, entre 1830 e 1840, mediante algumas acusações que foram imputadas a ele, além do testamento na íntegra de José Bento, que se encontra nos arquivos do Museu de Pouso Alegre, apenas transcrito.

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Sobre os planos futuros, o escritor pretende lançar novas obras

O senador teve uma vida peculiar, durante o período do Império. Oriundo de Campanha/RS, muda-se para a região de Pouso Alegre, em São Paulo, e começa a se envolver ativamente com questões políticas do local. Voltado às ideias liberais da época, alia-se a personalidades que tinham pensamentos similares aos dele, somando à sua trajetória, muitas inimizades com integrantes do Partido Conservador, além de possuir uma vida pessoal agitada, com festas e mulheres, apesar da sua formação eclesiástica. José Bento então é assassinado, tendo seus algozes presos, porém os mandantes impunes.

Como todo bom historiador, Fernando do Vale mantém em aberto as reais motivações do crime cometido contra o senador e padre, para que outros pesquisadores possam dar continuidade à sua pesquisa.

Sobre os planos futuros, o escritor pretende lançar novas obras. “Tenho materiais de sobra para pesquisas relacionadas à região do sul de Minas e também sobre Pouso Alegre. Para o ano que vem, se for aprovado o projeto pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura, eu tenho uma outra obra já escrita, uma outra biografia, que é de um escritor de Pouso Alegre chamado Amadeus de Queiroz, considerado o fundador de um estilo literário chamado de ‘Regionalismo Sul-mineiro’”, conclui.

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