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Analice Nicolau
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Dra. Ariane Bonucci alerta para sinais de perda auditiva que podem passar despercebidos

Colunista Analice Nicolau

13/10/2026 15h26

A fonoaudióloga Dra. Ariane Bonucci alerta para sinais sutis de perda auditiva, destacando a prevenção precoce contra o risco de declínio cognitivo.

A fonoaudióloga Dra. Ariane Bonucci, do Espaço da Audição, orientando sobre sinais precoces de perda auditiva e saúde cognitiva Créditos: Divulgação

Dificuldade para compreender palavras, aumento do volume da televisão e afastamento de conversas podem indicar alterações que merecem avaliação

A degradação gradual da acuidade sensorial frequentemente ocorre sem alardes sonoros, manifestando-se na perda progressiva da nitidez da linguagem verbal. À frente dos atendimentos clínicos no Espaço da Audição, a fonoaudióloga Dra. Ariane Bonucci investiga como alterações auditivas sutis desafiam a qualidade de vida ao longo do envelhecimento. Especializada em saúde auditiva e reabilitação da fala, a profissional mapeia padrões em que o paciente continua detectando a presença de ruídos, mas perde a capacidade de decodificar fonemas em ambientes dinâmicos. Essa defasagem disfarçada retarda diagnósticos preventivos e compromete diretamente a comunicação cotidiana de milhares de adultos.

Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de 1,5 bilhão de pessoas vivem com algum grau de comprometimento auditivo no mundo, projeção que deve alcançar 2,5 bilhões até 2050. No Brasil, o Conselho Federal de Fonoaudiologia destaca que o atraso médio na procura por intervenção especializada varia entre sete e dez anos a partir das primeiras queixas. Estudos internacionais de longevidade associam a privação sensorial auditiva contínua a um risco até cinco vezes maior de desenvolvimento de demência e declínio cognitivo, reforçando que a audição atua como pilar de preservação cerebral e manutenção da produtividade profissional.

Existe uma percepção equivocada de que a falência auditiva se estabelece apenas mediante o silêncio absoluto ou a surdez profunda. No cotidiano corporativo e familiar, contudo, o problema tem início frequente na captação de frequências agudas e consoantes específicas da fala humana. Essa seletividade biológica faz com que o indivíduo presuma que seu sistema auditivo opera normalmente, atribuindo a incompreensão ao ritmo acelerado ou à dicção baixa das pessoas ao redor. A adaptação inconsciente, que inclui aumentar o volume da televisão ou fixar a atenção nos lábios do interlocutor, mascara a perda real e posterga a conduta clínica necessária.

Espaço da Audição promove avaliações preventivas para a terceira idade Créditos: Divulgação

A percepção inicial da alteração sensorial quase sempre parte dos familiares que convivem com a pessoa no ambiente doméstico. O hábito de solicitar repetições frequentes e emitir respostas desconexas evidencia uma fadiga biológica intensa, pois o cérebro despende energia excessiva para preencher lacunas de som. “A frase ‘eu escuto, mas não entendo’ resume perfeitamente esse quadro, em que a pessoa percebe a presença da voz, mas perde informações decisivas em restaurantes e reuniões”, explica a fonoaudióloga Dra. Ariane Bonucci ao relatar que o cansaço auditivo induz ao isolamento voluntário. Esse afastamento silencioso de conversas em grupo corrói relacionamentos interpessoais e reduz a participação social ativa.

A reversão desse ciclo de distanciamento baseia-se na investigação instrumental com exames de audiometria tonal e vocal periódicos. A articulação entre fonoaudiólogos e médicos otorrinolaringologistas estabelece condutas personalizadas, determinando se a intervenção demanda procedimentos clínicos ou a adaptação tecnológica de dispositivos eletrônicos. “Quando há indicação de aparelhos auditivos modernos, o objetivo principal reside em devolver o acesso aos sons refinados da fala e facilitar o diálogo sem esforço”, destaca Ariane Bonucci ao frisar a personalização dos recursos acústicos. Com isso, restaura-se a clareza fonética, evitando a sobrecarga neural e restabelecendo a confiança em espaços de convivência.

A vigilância em saúde auditiva abrange desde as diretrizes de preservação ocupacional até a triagem imediata de emergências clínicas. Enquanto a exposição prolongada a ruídos exige monitoramento contínuo regulamentado, a redução abrupta unilateral de audição configura uma condição médica que foge aos parâmetros da perda progressiva. “A diminuição súbita da audição nunca deve ser tratada como algo passageiro e exige avaliação médica rápida, visto que a precocidade terapêutica define o prognóstico de recuperação”, adverte a especialista do Espaço da Audição sobre a urgência de atendimento hospitalar ou ambulatorial. Essa distinção diagnóstica assegura protocolos adequados e preserva o prognóstico funcional do paciente.

A consolidação da saúde sensorial como indicador primário de qualidade de vida redefine os padrões de longevidade e autonomia humana. Longe de ser encarada como uma fatalidade inerente aos anos acumulados, a audição requer cuidado estruturado para proteger a cognição e assegurar independência em todas as fases da existência. “Cuidar da audição é cuidar da comunicação, das relações, da independência e também da forma como queremos envelhecer”, conclui Dra. Ariane Bonucci ao vincular a audição preventiva ao bem-estar integral. O engajamento com avaliações rotineiras reafirma que ouvir bem é a chave para permanecer conectado ao mundo e às pessoas.

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