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Analice Nicolau
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Combate à violência contra a mulher chega ao debate nacional

Colunista Analice Nicolau

24/09/2026 15h19

Ione Barbosa apresenta soluções de governança e autonomia financeira para combate à violência contra a mulher, integrando a pauta ao setor privado.

A especialista em segurança pública Ione Barbosa analisa o combate à violência contra a mulher e os impactos na governança corporativa Créditos: Divulgação

A Delegada e mestre Ione Barbosa apresenta soluções de impacto social e autonomia financeira para lideranças no mercado

A vivência acumulada no atendimento direto a mulheres vítimas de vulnerabilidade e violência orienta a formulação de estratégias de proteção integradas ao setor privado. Delegada, professora e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Ione Barbosa consolidou sua trajetória na Polícia Civil atuando na linha de frente da segurança pública em Minas Gerais. A experiência de campo revelou que a ausência de suporte estruturado reflete diretamente no ambiente de trabalho, transformando a segurança feminina em uma pauta urgente de governança corporativa e responsabilidade social.

Pesquisas do setor produtivo e levantamentos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) indicam que o estresse decorrente da violência doméstica resulta em queda de produtividade, aumento do absenteísmo e rotatividade precoce nas empresas. Quando uma trabalhadora enfrenta situações de risco em casa, o impacto operacional atinge a estabilidade da equipe e compromete o ambiente profissional. O custo invisível absorvido pelas corporações evidencia a necessidade de implementar mecanismos preventivos que extrapolam o simples cumprimento de exigências trabalhistas.

A especialista em segurança pública Ione Barbosa
Créditos: Divulgação

A busca por metas operacionais frequentemente ignora o impacto psicológico que a falta de segurança pessoal causa no desempenho das equipes. Garantir a integridade física e emocional das colaboradoras exige que o mercado incorpore diretrizes rígidas de proteção dentro das suas políticas de governança e sustentabilidade humana. Conectar o acolhimento à capacitação técnica surge como a única via capaz de assegurar a permanência da mulher no mercado de trabalho de forma autônoma.

A vulnerabilidade financeira e o gargalo corporativo

A dependência econômica e a falta de abrigo imediato figuram entre os principais fatores que mantêm as vítimas sob contínua situação de risco. “A violência doméstica ultrapassa os limites do ambiente privado e afeta diretamente a saúde emocional, a segurança e a capacidade produtiva das trabalhadoras”, analisa Ione Barbosa, especialista em segurança pública, ao destacar que o registro de ocorrências sem o devido acompanhamento social falha em estancar a crise. A falta de um plano de contingência para a autonomia da vítima prolonga o ciclo de vulnerabilidade.

Ione Barbosa, Delegada e mestre em Ciências Sociais
Créditos: Divulgação

Para preencher essa lacuna operacional, a criação da Casa da Mulher Segura, desenvolvida em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), estruturou um modelo de acolhimento temporário por até 30 dias. A iniciativa integra assistência jurídica, acompanhamento psicológico e cursos de qualificação profissionalizantes. “O acolhimento temporário associado à capacitação técnica é o instrumento decisivo para que a mulher conquiste independência financeira e rompa o ciclo de vulnerabilidade”, pondera Ione Barbosa, fundadora da Associação de Defesa das Mulheres, Crianças, Adolescentes e Idosos (Adcuidar), sobre a urgência de alinhar proteção física à inserção no mercado.

Compliance social e responsabilidade corporativa

A adoção de protocolos de apoio a mulheres em situação de risco consolida-se como um indicador indispensável nas auditorias de governança e compliance do setor privado. Organizações que estabelecem canais internos de acolhimento e direcionamento jurídico reduzem passivos trabalhistas e fortalecem o clima organizacional. “Estruturar redes internas de apoio e direcionamento legal nas organizações fortalece a governança corporativa e protege o capital humano mais valioso”, pontua Ione Barbosa, ao detalhar como a experiência adquirida no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Juiz de Fora pode orientar programas corporativos de prevenção.

A expansão de metodologias de proteção para diversas regiões industriais de Minas Gerais aponta o caminho para consolidar uma rede integrada entre o setor público e a iniciativa privada. Promover a autonomia financeira e o acolhimento técnico das vítimas fortalece a sustentabilidade do mercado de trabalho e eleva os padrões de responsabilidade social das marcas. “A transformação social sustentável exige que o setor produtivo assuma a responsabilidade de converter acolhimento emergencial em oportunidades reais de mercado”, conclui Ione Barbosa, ao projetar o impacto de longo prazo do modelo de gestão humana nas empresas.

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