Enquanto Max Verstappen travava uma batalha ferrenha com Charles Leclerc pelo topo do pódio no GP de Singapura — resistindo à forte pressão do monegasco para garantir a vitória —, outra negociação de peso se desenrolava nos bastidores do circuito de Marina Bay.
O foco também envolvia a Ferrari, mas, ali, a conversa não era com a Red Bull, e sim com a Haas. O desfecho dessas reuniões selou o destino da vaga deixada por Esteban Ocon.
Confirmando o que o mercado já desenhava, Rafael Câmara será o novo titular da Haas a partir de 2027, formando uma dupla 100% jovem ao lado de Oliver Bearman. A informação é do portal RacingNews365. Desde que a saída de Ocon foi anunciada, no final de setembro, a equipe vinha cozinhando a decisão em banho-maria.
Uma lista pesada de talentos estava no páreo, incluindo o ex-Alpine Jack Doohan e Câmara, atual líder da F2.
A Haas transformou suas sessões de testes com os potenciais candidatos em um verdadeiro vestibular. Também assumiram o volante do carro Leonardo Fornaroli (júnior da McLaren) e Ryo Hirakawa (Toyota), mas o funil sempre esteve entre Câmara e Doohan.
Fontes ligadas aos testes apontam que o australiano chegou a impressionar, mas foi a consistência e a reputação sólida do brasileiro que pesaram na balança.
O martelo foi batido em Singapura, e o anúncio oficial deve acontecer ainda esta semana. Câmara chega ao grid com o prestígio da Ferrari e um pacote robusto de patrocínio.
A caminho de virar uma “Equipe B”?
Se a promoção de Câmara é uma notícia fantástica para o automobilismo brasileiro, o movimento acendeu um sinal amarelo no paddock. A Haas se colocou em uma posição que muitos ali dentro definem como “turva”.
Ter Bearman e Câmara juntos significa alinhar uma garagem composta exclusivamente por “crias” da Academia da Ferrari em 2027.
O incômodo do grid não é por acaso. A Haas já compra motores, caixas de câmbio e componentes de Maranello, além de manter um escritório de design colado à fábrica italiana.
Com dois pilotos de lá, o consenso nos bastidores é claro: o time de Gene Haas e Ayao Komatsu corre o risco de perder a identidade e passar a ser visto permanentemente como a “Equipe B” da Ferrari.
Esse tipo de aliança política e técnica é o assunto mais inflamável da F1 atualmente. O espelho da Red Bull com a Racing Bulls gera chiado há anos. Recentemente, quando surgiram boatos de que a Mercedes poderia comprar uma fatia da Alpine, o CEO da McLaren, Zak Brown, foi direto ao ponto: enviou uma carta ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, exigindo o fim das equipes satélites para proteger a competitividade do esporte.
Questionado sobre essa crise de identidade durante a coletiva de imprensa em Sepang, Ayao Komatsu preferiu dar de ombros e adotar uma postura pragmática:
“Independentemente do que a gente faça, as pessoas vão falar. Se a gente escolhesse o Hirakawa, diriam que é por causa da Toyota. Se contratamos o Rafa, vão dizer que viramos filial da Ferrari. Se fosse o Fornaroli, seríamos a equipe B da McLaren. Não importa o desfecho, a mídia vai criar a narrativa que quiser. Eu não estou nem um pouco preocupado com isso”, disparou.
Se Komatsu não se importa com os rótulos, o fato é que a Haas terá os holofotes virados para si em 2027 — e a cobrança em cima de sua dupla de novatos será em nível de equipe grande.