João Luiz da Fonseca
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A pausa forçada da Fórmula 1 durante o mês de abril – consequência direta do cancelamento dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita, por conta do conflito no Oriente Médio – acabou se transformando em um raro “laboratório aberto” para as equipes antes do GP de Miami, marcado para o próximo domingo, 3 de maio, com cobertura ao vivo do Jornal de Brasília.
Sem atividades oficiais de pista, as escuderias redirecionaram completamente suas operações para o desenvolvimento técnico, análise de dados e planejamento agressivo de upgrades.
Na prática, o que seria apenas uma interrupção logística virou uma janela estratégica — especialmente para os times de ponta, que enxergaram o GP de Miami como um “ponto de reinício” da temporada.
Atualizações em massa
O chefe de equipe da Ferrari, Frédéric Vasseur, acredita que o grid deve apresentar pacotes robustos de atualização aerodinâmica e mecânica, acumulados ao longo da pausa.
Nos bastidores, o consenso é claro: o GP de Miami marcará a primeira grande inflexão técnica de 2026. Há expectativa, inclusive, de mudanças na hierarquia do grid.
A Audi, que anunciou recentemente Allan McNish como novo Diretor de Corrida, levará um pacote inédito para sua estreia em solo americano. Embora não sejam esperadas atualizações na unidade de potência para esta etapa, com o foco total permanecendo no ganho de eficiência mecânica e aerodinâmica, o trabalho sinaliza uma evolução imediata.
A própria Ferrari também avançou no desenvolvimento do SF-26, aproveitando atividades em Monza, Fiorano e sessões específicas para pneus de chuva entre Suzuka e Mugello, além de avaliar uma nova versão da asa “macarena”
Na Red Bull, o foco do RB22 de Max Verstappen e Isack Hadjar foi a redução de peso e ajustes sutis na borda do assoalho para economia de peso, mantendo a consistência no desenvolvimento para as próximas etapas, sem a necessidade de uma “grande atualização” urgente.
Já a equipe-irmã Racing Bulls planejou uma “atualização dupla” para Miami e Montreal, usando a pausa para melhorar a parte dianteira do carro e aumentar a carga local.
Pisando ainda mais fundo, ao estilo super clipping, a McLaren apostou alto e preparou um pacote de atualizações robusto para o MCL40, descrito pelo chefe da equipe, Andrea Stella, como um “carro completamente novo”. Após um início de temporada irregular e de um hiato de cinco semanas nas corridas, a equipe focou em melhorias significativas com o propósito de reagir.
Em contraste, a Mercedes, que dominou as três primeiras etapas com Kimi Antonelli e George Russell, adotou uma postura mais cautelosa, planejando seu maior pacote de inovações apenas para o GP do Canadá.
Enquanto isso, os pilotos intensificaram o trabalho em simuladores e preparação física, mirando as exigências do calor de Miami e o primeiro fim de semana com formato Sprint.