A poeira mal baixou em Zandvoort e a Fórmula 1 desembarca em um de seus palcos mais lendários: o circuito de Monza. O Grande Prêmio da Itália, no próximo fim de semana, tem tudo para ser um ponto de inflexão na temporada. No centro do drama está o líder do campeonato, Kimi Antonelli. Correndo em casa, o italiano terá pela frente o desafio de administrar uma perda de dez posições no grid, cumprindo penalidade imposta pela troca forçada de sua unidade de potência.
Embora Antonelli ostente uma confortável vantagem de 59 pontos sobre George Russell e Lewis Hamilton, ambos com 183, o sinal de alerta está aceso. A maior ameaça do momento atende pelo nome de Lando Norris. O piloto da McLaren está 83 pontos atrás, mas chega embalado por duas vitórias consecutivas. Com Kimi obrigado a largar fora do Top 10 do grid, Monza se transforma em uma oportunidade de ouro para os rivais reduzirem a diferença.
Ferrari joga todas as fichas em casa
Empurrada pelos apaixonados Tifosi, a Ferrari não quer apenas fazer figuração. A escuderia italiana confirmou que Lewis Hamilton e Charles Leclerc usarão novos motores no Templo da Velocidade – e o melhor, sem que os pilotos sofram punição no grid.
A meta é clara: recuperar potência e apagar o gosto amargo dos resultados na Hungria e na Holanda, onde a equipe esperava render bem mais.
O próprio Hamilton deixou uma mensagem contundente. “Precisamos aumentar a pressão”. O heptacampeão lembrou que a Ferrari ainda ocupa o segundo lugar no Mundial de Construtores, mas cobrou evolução. “Nas próximas etapas, precisamos realmente elevar o nível se quisermos alcançar esse pessoal”, disparou, referindo-se ao forte ritmo de Mercedes e McLaren.
A equipe italiana recebeu duas oportunidades de atualização pelo sistema ADUO depois que sua unidade de potência foi considerada mais de 4% inferior à da Red Bull no início da temporada. A primeira atualização ocorreu no Grande Prêmio da Áustria, em junho. Agora, a segunda está pronta para estrear em Monza.
Batizada de ADUO 2, a nova unidade de potência terá, segundo informações que circulam no paddock, um turbocompressor maior e aprimorado. A estimativa é de um ganho de aproximadamente 15 cavalos de potência.
Para completar o pacote, os SF-26 também receberão um novo combustível desenvolvido pela Shell e ajustes aerodinâmicos, incluindo uma versão atualizada da famosa asa traseira “Macarena”.
O contra-ataque das rivais
Apesar do otimismo ferrarista, a concorrência está armada. Max Verstappen venceu em Monza no ano passado, e a Red Bull respalda-se na eficiência de sua unidade de potência para voltar ao topo. Na Mercedes, George Russell demonstra segurança no potencial da equipe, mas mantém os pés no chão e aponta o favoritismo para o time papaya. “Acredito que esses circuitos de alta degradação favorecem muito a McLaren, e especialmente o Lando. Ele sempre foi especialista nessas condições”, avaliou o britânico.
De fato, a McLaren chega como a equipe a ser batida. Focados no refinamento do chassi e do assoalho, os engenheiros de Woking prepararam asas dianteira e traseira de baixo arrasto. O objetivo é ganhar velocidade nas longas retas sem comprometer a estabilidade nas frenagens das chicanes icônicas, como a Prima Variante e a Ascari.
Apesar da Ferrari chegar com tudo para sua corrida em casa, a McLaren não se faz de rogada e promete ditar o ritmo técnico em Monza. Nesse duelo de gigantes, quem sai ganhando, sem dúvida, são os fãs da F1, que terão motivos de sobra para manter todos os olhares voltados para o Templo da Velocidade.