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Faculdade Dulcina é alvo de invasões e furto de documentos sigilosos

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Raphaella Sconetto
raphaella.sconetto@grupojbr.com

Desde o início do ano, quando a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, no Conic, deixou de ser gerida por interventores do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), a instituição já sofreu com cinco ataques diretos ao patrimônio. De fevereiro a maio, houve invasões, furtos e arrombamentos na faculdade e no complexo do teatro. A Polícia Civil investiga os crimes.

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O primeiro ataque ocorreu em fevereiro, quando um grupo arrombou o portão externo do Teatro Dulcina, invadiu a área do teatro e furtou equipamentos de luz. No mesmo mês, arrombaram o portão de saída da sala Conchita do teatro e quatro portas do Teatro Dulcina, deixando o espaço totalmente vulnerável e acessível para qualquer um que quisesse entrar.

Em março, o grupo abriu todas as entradas e portas, deixando o complexo vulnerável novamente. Em maio, arrombaram, invadiram e furtaram a partir do segundo andar do prédio, tendo como alvo informações sigilosas e documentos que continham dados financeiros, além de objetos pessoais da secretária executiva, Christiane Ramirez. Este foi considerado o delito mais grave.

Christiane Ramirez, secretária executiva, acredita que os ataques são por conta da nova gestão. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Por último, no mês passado, invadiram o terceiro andar do bloco em pleno expediente e reviraram documentos e materiais de cursos, entre os quais estavam arquivos contábeis da Fundação Brasileira de Teatro (FBT).

Perseguição

Para a secretária executiva, trata-se de uma perseguição à nova gestão. “Quando cheguei fiz um diagnóstico do prédio, do que acontecia e por que estava naquela situação. Obviamente, a gente começou a sofrer retaliações quando começou a eliminar os grupos que moravam aqui, que se apropriaram, que achavam que eram donos, mas ignorando a responsabilidade patrimonial”, acredita Christiane. Ela assumiu o cargo em 5 de fevereiro.

Por isso, ela suspeita de que pode se tratar de um mesmo grupo. “São arrombamentos pontuais e de pessoas que conheciam as fragilidades da instituição, sabiam onde estava quebrado, onde a tranca estava com defeito. É nítido”, completa.

Gestão enérgica

Christiane alega que o conselho curador tem buscado o melhor para a instituição e uma das formas é ser mais rígida e ter controle financeiro e administrativo. “Nossa proposta é de um diagnóstico e recuperação efetiva da faculdade e dos teatros. Nos últimos 11 anos, a Fundação Brasileira de Teatro não tinha uma gestão que vinha numa perspectiva de planejamento estratégico, de gestão efetiva”, afirma.

“Então, vinham monitorando os problemas, que são muitos, mas não houve manutenção predial, não houve compromisso com plano de incêndio, por exemplo, não houve planejamento nem entendimento do que tudo isso é importante para a sociedade. Nesses últimos anos, o processo foi decaindo”, acrescenta. Por isso, a secretária executiva define que a nova gestão veio para “colocar um freio em tudo aquilo que não funcionava”.

Como resultado aos ataques, a faculdade teve de se adaptar. Agora, as entradas e portas contam com grades de ferro, e cadeados estão por todos os cantos. “Queriam fragilizar a instituição, mas não conseguiram. Nada paga ver os alunos em salas de aulas, com teatro funcionando e com uma agenda lotada”, finaliza.

Reforço colocado em uma porta do teatro Dulcina de Moraes. Foto: Breno Esaki/Jornal de Brasília

Polícia Civil investiga 

Na Polícia Civil, o caso mais grave, em que houve furto de informações sigilosas e documentos financeiros, está em investigação na 5ª Delegacia de Polícia (Área Central). De acordo com a corporação, o crime aconteceu no dia 26 de abril e a perícia conseguiu identificar quatro pessoas. “Com isso, a comunicante será chamada à delegacia para checar se são conhecidos. Com essa informação, a investigação tomará seu curso”, apontou, em nota.


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