Menu
Viva

Vírus HIV não é barreira para uma história de amor no filme Boa Sorte

Arquivo Geral

27/11/2014 7h00

Deborah Secco despiu-se de toda a vaidade ao interpretar Judite, personagem de Boa Sorte. Sem se preocupar com o que sua aparência quase cadavérica poderia representar para a imagem de sex symbol, ela entregou-se ao papel de uma soropositiva. Um belo trabalho de interpretação que pode ser visto no longa-metragem que estreia hoje nos cinemas. Dirigido por Carolina Jabor, o filme conta a história de João (João Pedro Zappa), um garoto que é internado pelos pais em uma clínica. 

Lá, ele conhece vários tipos diferentes, entre eles Judite, uma mulher com Aids que não pode receber o coquetel para o tratamento devido a um problema renal causado pelos excessos de bebida e outras drogas. É ela que faz com que o jovem consiga encontrar forças para suportar o cárcere do  tratamento. O encontro dos dois dá início a um sentimento que  fica cada vez maior. Um improvável amor entre um adolescente de 17 anos deslocado por uma mulher de 30, visivelmente doente.

Inspirado no conto Frontal Com Fanta, de Jorge Furtado, o roteiro poderia ser mais sombrio e dramático, mas segue um caminho diferente. Esqueça o manicômio sufocante retratado em Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky. A clínica do filme, assim como boa parte dos temas sérios que aparecem na trama, são lidados com leveza. E até mesmo uma certa ingenuidade. O que poderia ser mais um caso de romance fadado ao fracasso ganha contornos sutis e descompromissados, que vão do humor até chegar ao inevitável drama. 

Trabalho de composição da personagem
 
Quando foi exibido em julho deste ano dentro da mostra competitiva do 6º Paulínia Film Festival, Deborah Secco deixou claro a importância da personagem na sua carreira. “Esse trabalho, sem dúvida alguma, é o mais importante da minha vida”, definiu a atriz, na ocasião. “Foi o trabalho para o qual eu mais me dediquei: um ano inteiro da minha vida, minha saúde e minha decência”, comentou. 
 
Na telona, ela fez cenas de nudez com naturalidade e mostrou um corpo bem diferente do que o público está acostumado a ver. Sem curvas e bem magra, a atriz criou uma fragilidade encantadora que gerou uma química incrível com Zappa, que tem carisma de sobra.
 
Atores
 
Tocante e com diálogos divertidos, o filme explora bem os personagens. A principal força é o ótimo trabalho do elenco, que traz ainda participações de Cassia Kis Magro e a dama Fernanda Montenegro, como a avó de Judite. O título pode ficar conhecido como o filme que fez Deborah Secco emagrecer 11 quilos, mas merece ser lembrado com uma estreia agradável de Jabor, aqui em seu primeiro longa de ficção.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado