Deborah Secco despiu-se de toda a vaidade ao interpretar Judite, personagem de Boa Sorte. Sem se preocupar com o que sua aparência quase cadavérica poderia representar para a imagem de sex symbol, ela entregou-se ao papel de uma soropositiva. Um belo trabalho de interpretação que pode ser visto no longa-metragem que estreia hoje nos cinemas. Dirigido por Carolina Jabor, o filme conta a história de João (João Pedro Zappa), um garoto que é internado pelos pais em uma clínica.
Lá, ele conhece vários tipos diferentes, entre eles Judite, uma mulher com Aids que não pode receber o coquetel para o tratamento devido a um problema renal causado pelos excessos de bebida e outras drogas. É ela que faz com que o jovem consiga encontrar forças para suportar o cárcere do tratamento. O encontro dos dois dá início a um sentimento que fica cada vez maior. Um improvável amor entre um adolescente de 17 anos deslocado por uma mulher de 30, visivelmente doente.
Inspirado no conto Frontal Com Fanta, de Jorge Furtado, o roteiro poderia ser mais sombrio e dramático, mas segue um caminho diferente. Esqueça o manicômio sufocante retratado em Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky. A clínica do filme, assim como boa parte dos temas sérios que aparecem na trama, são lidados com leveza. E até mesmo uma certa ingenuidade. O que poderia ser mais um caso de romance fadado ao fracasso ganha contornos sutis e descompromissados, que vão do humor até chegar ao inevitável drama.