Raquel Martins
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Com um currículo premiado, vindo do recente sucesso O Último Cine Drive-in, o cineasta Iberê Carvalho decidiu se jogar em um novo desafio: saiu dos sets de filmagens direto para os ensaios no tablado. Iberê estreia, hoje, na direção do espetáculo teatral O Silêncio do Mundo, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul). “Apesar de ser a minha estreia como diretor, não é o meu primeiro contato com o teatro. Na verdade a minha experiência como ator foi o que me levou até o cinema”, relembra Iberê.
No monólogo, idealizado e estrelado pela atriz e bailarina Juana Miranda, a plateia irá acompanhar a jornada de uma velejadora que decide dar a volta ao mundo, sozinha, munida apenas de seus mapas, livros e medos, na tentativa de encontrar a si mesma. O diretor viu no convite de Miranda a possibilidade de experimentar a linguagem cinematográfica no teatro. “Quando a Juana me chamou, não tinha texto ainda. Mas a ideia do road movie, e de fazer o cinema e o teatro conversarem me chamou a atenção”, explica.
De acordo com Iberê, o clima de cinema se dá desde o cenário, feito por Maíra Carvalho, que também foi diretora de arte do filme O Último Cine Drive-in. “Maíra trouxe uma trilha sonora muito cinematrográfica, com muitos efeitos sonoros, para colocar o público dentro desse veleiro”, adianta.
Para ele, os espectadores irão encontrar referências não óbvias à sétima arte. “Quando falo desses elementos, não estou me referindo à projeções, ainda que tenhamos. É mais uma questão de narrativa, cortes do cinema, as elipses que o cinema propõe e a história contada de uma forma não linear”, considera.
Apesar de já se conhecerem, atriz e diretor nunca haviam trabalhado juntos. E, segundo Iberê, a experiência tem sido enriquecedora. “Eu brinco que a Juana é uma atleta. Ela tem formação de bailarina e traz consigo o rigor e a disciplina. Ela está sempre tentando superar os seus limites”, elogia o cineasta, que divide a direção com Larissa Mauro, integrante da Andaime Cia. de Teatro.
Maestro da orquestra
Com texto de Renata Mizrahi – vencedora do Prêmio Shell de dramaturgia em 2014 pelo texto Galápagos –, O Silêncio do Mundo apresenta coreografias de Jana Marques, diretora da companhia Azzo Dança. O universo da dança é outra linguagem em que Iberê irá estrear.
O diretor ressalta a importância do trabalho coletivo para o resultado final do espetáculo. “Me sinto orquestrando o talento de um monte de artistas. Não faço nada sozinho, é o trabalho de várias pessoas. Só estou unindo o talento de todo mundo”, destaca ele, que não esconde a ansiedade para ver o produto final nos palcos.
“O cinema se constrói durante a montagem, na ilha de edição. O teatro, por outro lado, só se faz com o público. Então, a partir do momento em que estrear, irá ganhando nova forma a cada apresentação”, explica.
Depois de tanto trabalho, Iberê deseja prorrogar a temporada da peça que, a princípio, ficará em cartaz por apenas duas semanas na capital. “Quem sabe até levar para outras cidades… Quanto mais pessoas puderem ver, melhor”, conclui.
Serviço
O Silêncio do Mundo
Até dia 28 de fevereiro. De quinta a sábado, às 21h, e domingo, às 20h. No dia 28, sessão extra às 17h. No Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul). Ingressos: R$ 5 (meia-entrada). Sujeito a alteração sem aviso prévio. Informações: 8120 – 0697. Não recomendado para menores de 14 anos.