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Viva

Uma história real sombria

Arquivo Geral

22/01/2015 6h30

É considerada sinônimo de atuação boa a distorção da aparência do ator. Para a Academia, pelo menos, o recurso é muito valorizado – vide Charlize Theron, Jared Leto, Christian Bale, entre outros. Desta vez, o destaque de transformação visual fica a cargo de Steve Carell, indicado ao Oscar de melhor ator por Foxcatcher – Uma História que Chocou o Mundo. Conhecido por seus papéis cômicos, o artista está irreconhecível na pele do treinador John du Pont.

Dirigido por Bennett Miller (Capote), o longa baseado em fatos reais conta a história dos irmãos Schultz: os lutadores Mark  (Channing Tatum) e Dave (Mark Ruffalo), medalhistas olímpicos de luta greco-romana. A fama de Dave ofusca Mark, mas tudo muda quando o lutador vivido por Tatum, que sempre foi muito próximo do irmão e mentor, é contratado pelo milionário da indústria de armamentos John du Pont (Steve Carell) para treinar intensamente até as Olimpíadas.

Foxcatcher vai arrastar cinéfilos para as salas de cinema, todos ávidos para conferir a atuação de Carell. Com razão, o ator está soberbo. A surpresa fica com Channing Tatum, que cria um personagem rancoroso, confiante e prepotente. A atuação do superestimado Mark Ruffalo se limita ao balançar da cabeça e um sorriso torto, mais do mesmo já visto em outros filmes.

O longa é um filme de atuação. Apesar de fazer um ótimo trabalho com os atores, Miller peca ao conduzir o ritmo da trama. Vale lembrar que o mesmo Foxcatcher rendeu ao cineasta o prêmio de melhor diretor no último Festival de Cannes.

 


Encarar a estranha personalidade de John du Punt foi um desafio para Carell. Não pelas características psicológicas complexas, mas por ser o primeiro papel dramático do ator. O artista está completamente imerso no personagem: um homem severo e perturbado, que procura ser aceito por uma sociedade que abomina.

O roteiro acerta ao mostrar as vontades, anseios e a destruição dos personagens. Miller tem o mérito de conseguir pegar uma história simples e preenchê-la com um mundo sombrio. A única coisa  faltando e que, certamente, vai passar pela cabeça do espectador é: cadê a história chocante citada no título?

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