Momentos importantes da vida do autor vivo mais traduzido que Shakespeare são retratados no filme Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho. Estão lá o encontro com Raul Seixas, as internações quando jovem, sua fase pelas drogas e todo o percurso até se tornar o escritor de livros como O Alquimista, obra brasileira que mais vendeu em todo o mundo.
O filme retrata Paulo Coelho desde a adolescência, nos anos 1960, com atuação do esforçado Ravel Andrade, passando pela fase adulta, em 1980, época em que é interpretado pelo sempre entregue Júlio Andrade. O ator, aliás, também vive o escritor no presente, maquiado, e consegue um resultado bem próximo ao de Gonzaguinha em Gonzaga – De Pai pra Filho.
Com direção de Daniel Augusto e roteiro assinado por Carolina Kotscho, o filme abusa de flasbacks. Ora é retratada a vida do escritor na fase atual, ora nos momentos da vida adulta e adolescência, o que prejudica o desenrolar da trama. Em vez de auxiliar, o recurso pode acabar confundindo (ou irritando) o espectador mais exigente.
Apesar disso, Não Pare na Pista nos presenteia com bons momentos, como quando – ainda adolescente e proibido de entrar em casa – Paulo quebra uma enorme vidraça da casa dos pais. A cena é importante e causa muito impacto, servindo para demonstrar a conflituosa relação do escritor com o pai. Naquele incidente, Paulo estava, definitivamente, rompendo com seu progenitor.
Raul Seixas
Outro momento importante do filme, e talvez o mais interessante da história de Paulo Coelho, é o encontro com o músico e parceiro Raul Seixas. O sotaque e toda a genialidade de Raulzito são facilmente sentidos ao assistir ao longa-metragem. Graças à interpretação do ótimo Lucci Ferreira.
O título do filme, Não Pare na Pista, faz referência a uma música de autoria dos dois. A trilha-sonora, como não deveria deixar de ser, conta com algumas das músicas mais famosas da dupla, como Tente Outra Vez, Gita, Meu Amigo Pedro, entre outras. Além de My Generation, do The Who, dentre outras pérolas do rock.
Vida real e ficção se misturam
Em texto que escreveu em 2009 para revista Rolling Stone, Paulo Coelho definiu a amizade com Raul Seixas como “uma relação complicada”. A ruptura dos dois é retratada no filme de maneira simples e sem muitas complicações, o que todos sabem que não aconteceu.
Apesar disso, momentos importantes da história da dupla de compositores, que realmente aconteceram na vida real, estão presentes. Como quando Paulo apresentou a canção Al Capone a Raul Seixas.
Incógnita
A cena do filme em que o pai do escritor ouve a música Meu Amigo Pedro pela primeira vez é uma incógnita. Reza a lenda que Rauzilto escreveu a canção sozinho e que era, na verdade, para o irmão. Não há registros sobre a música ter alguma relação com a história de Paulo e o pai.
Homenagem ao Raulzito
Quem anda pela W3 Sul já deve ter se deparado com uma figura característica nos semáforos do Plano Piloto. Amarildo Alves, 43, fica parado em cruzamentos todo pintado de azul, com o violão debaixo do braço. O artista faz o personagem Raul Seixas Azul há quatro anos. “Fiquei uns dias sem fazer a barba e as pessoas começaram a falar que era parecido com ele”, conta.