O artista português Rui Macedo inaugura dia 28 de Novembro a exposição REPLAY que transformará por meio de pinturas a nossa percepção da arquitetura do espaço expositivo do Museu Nacional Honestino Guimarães em Brasília. O caráter site-specific da sua instalação pictórica lida com as convenções da representação e colocação da pintura tanto pelo conceito como pela formalização e ainda como jogo perceptivo. Com 19 pinturas de diversos tamanhos e inusitados enquadramentos, Rui Macedo usa técnica da pintura a óleo para simular o real, pois a sua obra tende a questionar a veracidade do que se vê na representação pictórica e, com isto, cria uma armadilha visual na qual o observador/espectador é apanhado. O trabalho do artista vai capturar a atenção do visitante desde o corredor de acesso até à sala de exposição. Neste percurso, o fragmento oito do filósofo grego Parménides acompanhará o público em sua visita.
Todas as pinturas partilham da mesma intenção: a desestabilização do lugar habitualmente adotado pelo observador que, deste modo, o leva a questionar a tradição da pintura perante a tela criada pelo artista. Na concepção de Rui Macedo, o corte, a deslocação e a colocação imprevisíveis dos quadros são dispositivos definidores de um lugar – outro –, de visualização. A ordem estratégica das pinturas funciona como marca condicionante da percepção visual e estética do observador. Segundo o artista, «o rigor desta estratégia de instalação opera como dispositivo condicionado e condicionante e vem sugerir a incompletude das pinturas expostas. A estranheza e o desequilíbrio permitem sublinhar o questionamento no observador». Com pinturas figurativas, mas de certa forma não realistas, as obras de Macedo também representam a moldura como um trompe l´oeil, acentuando seu significado e função como peça estrutural e contorno separador. Ele explica: «A moldura, na sua gênese, é o lugar que limita ou delimita e que chama a si – pelo enquadrar – o lugar da obra acabada e íntegra». No caso da poética visual de Rui Macedo, essa lógica também é invertida.
Rui Macedo começou a expor em 1999, em Portugal, e tem obras nas coleções de instituições como o IVAM, a Culturgest e a Fundação PLMJ. Além de sua terra natal, já realizou mostras individuais, em países como Espanha, França, Itália e Brasil das quais se destacam, já em 2013, as instalações Un cuerpo extraño no Museo Nacional de Artes Decorativas em Madrid, com curadoria de José María Parreño e Playtime na Capilla de la Trinidad do Museu Barjola em Gijón, com curadoria de Lydia Santamarina Pedregal, ambas em Espanha.
Recentemente inaugurou duas exposições individuais no Brasil: uma, intitulada Artimanhas do Escondimento, na Galeria Amarelonegro-Arte contemporânea, considerada pelo crítico de arte Fernando Cocchiarale uma das exposições de peso e interesse realizada durante a disputadíssima agenda carioca da feira ArtRio, em setembro; outra, intitulada Mnemosyne, aberta ao público até dia 8 de Dezembro, ocupa o Palácio do Catete e a Galeria do Lago do Museu da República. Rui Macedo continua a sua tour brasileira, mostrando REPLAY no Museu Nacional Honestino Guimarães, com curadoria de Caroline Menezes, crítica de arte da revista britânica Studio International.
Serviço
Exposição de pinturas REPLAY
Artista Responsável: Rui Macedo
Abertura: 28 de novembro às 19h30
Data: do dia 29 de novembro a 5 de janeiro, de terça à domingo das 9h às 18h30
Local: Museu Nacional Honestino Guimarães em Brasília
Entrada franca. Para todas as idades.