Carros, alta velocidade e emocionantes sequências em pistas. As palavras-chave poderiam se enquadrar na sinopse de algum título da franquia Velozes e Furiosos. Mas não é bem o caso. Turbo estreia hoje contando a história de um caracol que sonha em ser piloto de corrida.
A ideia, por si só, já é engraçada, afinal o animalzinho é conhecido por ser devagar. Na trama, ele não aceita viver como os demais. Em vez de passar o dia no jardim comendo tomate, ele almeja a adrenalina das competições.
Nitro na veia
Turbo vira, de fato, turbinado quando entra dentro do motor de um carro que fazia racha. As células do molusco se fundem com o nitro, alterando sua estrutura. Isso faz com que o protagonista fique veloz como um veículo. Se sua imaginação conseguir comprar essa premissa, não terá problema com o que acontece depois.
O poder especial chama a atenção de Tito, mexicano que trabalha com o irmão num decadente comércio. Ele aposta no talento do caracol e acredita que ele pode vencer o campeonato de Indianápolis. E é claro que o piloto pode, de quebra, estimular o negócio da família – que vende tacos saborosos e consegue poucos clientes pela pouca divulgação e marketing.
Dirigido por David Soren, o longa-metragem traz aquela velha mensagem: “Siga seus sonhos e confie no seu coração” . O roteiro, completamente nonsense, pode encantar as crianças por estimular a imaginação. O filme tem muitos momentos de emoção, principalmente a sequência final.
Inspiração na vida real
Anos atrás, o jardim do diretor canadense David Soren estava infestado de caracóis, que serviram como ponto de partida para um argumento inscrito num concurso da produtora DreamWorks, sobre um caracol obcecado por corridas de automóveis. Extravagante, a ideia venceu o concurso.
Além das crianças, adultos fãs de automobilismo podem se divertir, pois as cenas de corrida, feitas com a consultoria de corredores da IndyCar, são bastante realistas.
Na trama, o caracol é fã do piloto Gagné, que tem ego superinflado, à la Michael Schumacher, rosto de Mark Webber e nariz remetendo a Alain Prost.
Mensagem
O lançamento dos estúdios Dreamworks (Madagascar) chega com cópias em 3D, embora a terceira dimensão não seja um recurso indispensável. Os personagens são carismáticos e os pais podem se preparar para uma série de brinquedos temáticos que devem ser vendidos em breve.
Para o público mais crescido, contudo, Turbo deixa a desejar. Diferentemente de Toy Story 3, por exemplo, o filme não se preocupa com quem já cresceu e foca mesmo na criançada.
Entre médico e paciente
Você não precisa ser ligado em psicanálise, mas Augustine narra os primórdios da investigação do inconsciente. Remete a um mestre do próprio Sigmund Freud – Charcot. O longa-metragem é protagonizado pelo ator Vincent Lindon, que interpreta o professor an-Martin Charcot.
A diretora Alice Winocour teve o privilégio de ter um curta premiado pelas Fondation Groupama Gan em Cannes. Isso lhe abriu portas, mas a história que ela quis contar – a de Augustine – não era exatamente aquela que o “mercado” esperava de uma jovem realizadora. Ajudou muito o fato de ela haver enviado o roteiro a Vincent Lindon, um astro na França, e ele imediatamente ter dado seu aval.
Augustine passa-se no inverno de 1885, em Paris Charcot, no Hospital Pitié-Salpetiètre, investiga uma nova doença – a histeria. Augustine é sua paciente preferida e ele a submete a sessões de hipnose. Aos poucos, o objeto de estudo torna-se objeto de desejo para o corpo médico.
Interesse
Foi o que interessou à diretora. “O filme aborda a luta de classes, mas isso é só parte do meu interesse. Minha motivação está no fato de que Augustine, o objeto, reage à dominação de Charcot. Investigo a mente para falar do físico – o que me interessa, pois é um tema absolutamente contemporâneo, é a resistência dessa mulher à dominação masculina”, disse a cineasta.
Há um lado, digamos, gótico nessa história. A forma como Augustine, privada de sua liberdade, conhece o horror. “Acho que, no limite, essa é uma história sombria de sexo e poder”, comenta.