Cantor, violonista e compositor de bossa nova, samba, MPB… Da Bahia de todos os santos, dos seus pescadores e suas tradições. Dorival Caymmi completaria cem anos em 2014. Um século de influência na música tupiniquim, que refletem em arranjos de músicos consagrados que banharam-se e (ainda) banham-se nos versos leves e espontâneos, de riqueza melódica, criados pelo baiano – que sabia retratar o seu povo como poucos. Em sua homenagem, a capital será palco de uma programação recheada durante este mês.
Música, exposição e o lançamento do CD Dorival Caymmi – Centenário, projeto do filho, Dori Caymmi, e de Mario Adnet. A obra conta com a participação de grandes nomes da MPB. O intensivo cultural começa com uma série de shows no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul). São quatro apresentações temáticas, divididas por obras, e oito intérpretes convidados. Todos unidos para rememorar composições clássicas do baiano.
O projeto Caymmi, Quando Se Canta Todo Mundo Bole – retirado da música Samba Da Minha Terra – começa neste fim de semana com shows de Teresa Cristina e João Cavalcanti. Na primeira fase dos shows, o tema será Requebre Que Eu Dou Um Doce e traz à tona as mulheres de Caymmi, sejam elas personagens, reais ou divinas. “É uma bênção cantar Caymmi e suas mulheres. Ele foi um compositor didático, direto, completo. Tinha uma voz de trovão. Sempre me surpreendo com suas obras”, destaca Teresa.
Próximos shows
Na sequência das apresentações musicais, nos dias 18 e 19, é a vez da capital baiana ser refletida em composições, como São Salvador, Acontece que Eu Sou Baiano e Itapoã. No programa, batizado de Acontece Que Eu Sou Baiano, os músicos Jussara Silveira e Moreno Veloso darão vida à baianidade, às tradições e encantos da Bahia – traduzidos nas músicas de Caymmi.
Para fechar com chave de ouro, shows de Danilo e Alice, filho e neta de Caymmi. Juntos, darão vida a Acalanto, série de apresentações que perpassará toda a carreira do compositor. Canções como a própria Acalanto, Sargaço Mar, Roda Pião, Canto de Obá e Marina fazem parte dos shows de encerramento, nos dias 25 e 26 do mês. As apresentações acontecerão, sempre às 21h. Ingressos a R$ 5 (meia-entrada). Informações: 3108-7600. Classificação livre.
Exposição e dez anos de bate-papo
Caymmi também recebe homenagem em forma de exposição. Um tributo não só ao músico, mas também ao contador de história, pintor e poeta brasileiro, ao pai de família baiano. Uma passagem pelas claves de sol e fá, pela vida profissional e por momentos marcantes retratados em fotos e recordações do baiano com sua família. O acervo compõe a mostra Caymmi 100 Anos, em cartaz a partir do dia 28 de outubro, no Museu Nacional dos Correios (Setor Comercial Sul).
A neta do músico, Stella Caymmi, que é autora de várias obras sobre o avô, fez a curadoria da exposição. Ela estará em Brasília na abertura da mostra para contar um pouco da história de sua família e dos livros que escreveu sobre a importância do avô, como Caymmi e a Bossa Nova e O Que É Que A Baiana Tem? Todos mostram traços biográficos, pedaços da rica história de Caymmi.
Referência
Cantora e jornalista, Stella relembra momentos especiais com o avô, das prosas gostosas que ajudaram na formulação de obras como Dorival Caymmi, O Mar e o Tempo, relançado este mês, em edição especial. “Um dia, amigos me questionaram: Por que você não escreve sobre seu avô? Isso foi em 1990. Na hora, conversei com ele, que achou a ideia demais. Meu avô adorava uma bom papo. E assim foi: mais de dez anos de bate-papo. Ele foi um grande homem, músico e referência para toda a nossa família”, conta.
A exposição será dividida em quatro partes: Linha do Tempo, Música, Vida Familiar e Rádio. A concepção vai ajudar o público a mergulhar no universo Caymmi.
Homenagem em disco
E se é para falar do mestre baiano, um CD lançado em homenagem à data, o Dorival Caymmi – Centenário reúne um belo apanhado de clássicas do compositor. Na interpretação exímia estão, nada mais nada menos, que os músicos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Danilo Caymmi, Nana Caymmi, Dori Caymmi e Mario Adnet.
Produzido, idealizado e arranjado pelo filho Dori Caymmi e pelo compositor carioca Mario Adnet, o álbum conta com uma musicalidade única, orquestrada, com gingados originais e um revezamento desses cantores e seus diferentes tons. Na canção que abre o álbum, O Que É que a Baiana Tem?, por exemplo, Caetano Veloso, Gil e Chico Buarque interpretam juntos a bela obra. “Já me perguntaram se Caymmi não é voz e violão. É, também. Mas quisemos orquestrar e chamar grandes nomes. Foi um ano e meio de trabalho. E ficou pronto, para o centenário”, destaca Adnet.
Pelos baianos e amigos
Para dar o tom de homenagem ao CD, Dori Caymmi, filho de Dorival, chamou os conterrâneos baianos para cantar as músicas do pai. Gilberto Gil e Caetano Veloso fizeram questão de participar para interpretar o baiano que influenciou a carreira de ambos. Chico Buarque, um dos compositores preferidos de Caymmi, também foi peça fundamental. “É um recheio de grandes músicos para contemplar um dos maiores músicos da MPB. Claro que não poderiam faltar os baianos para falar do baiano”, frisa Adnet.
Faixas do CD
1 – O que é que a Baiana Tem? – Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil
2 – Sargaço Mar – Nana Caymmi
3 – Saudade Da Bahia- Caetano Veloso
4 – Rosa Morena- Gilberto Gil
5 – Dora – Chico Buarque
6 – Vatapá – Danilo Caymmi
7 – João Valentão – Dori Caymmi
8 – A Vizinha Do Lado – Mario Adnet
9 – A Lenda Do Abaeté- Nana Caymmi
10 – Samba Da Minha Terra – Gilberto Gil
11 – Sábado Em Copacabana – Caetano Veloso
12 – Marina – Chico Buarque
13 – Nem Eu- Danilo Caymmi
14 – O Bem Do Mar – Dori Caymmi
15 – Canção Da Partida – Nana, Danilo & Dori