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Tributos ao baiano Dorival Caymmi marcam o centenário do eterno compositor

Arquivo Geral

11/10/2014 9h20

Cantor, violonista e compositor de bossa nova, samba, MPB… Da Bahia de todos os  santos, dos seus pescadores e suas tradições. Dorival Caymmi completaria cem anos em 2014. Um século de influência na música tupiniquim, que refletem em arranjos de músicos consagrados que banharam-se e (ainda) banham-se nos versos leves e espontâneos, de riqueza melódica, criados pelo baiano – que sabia retratar o seu povo como poucos. Em sua homenagem, a capital será palco de uma programação recheada durante este mês.

Música, exposição e o lançamento do CD Dorival Caymmi – Centenário, projeto do filho, Dori Caymmi, e de Mario Adnet. A obra conta com a participação de grandes nomes da MPB. O intensivo cultural começa com uma série de shows no Centro Cultural  Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul). São quatro apresentações temáticas,  divididas por obras, e oito intérpretes convidados. Todos unidos para rememorar composições clássicas do baiano.

O projeto Caymmi, Quando Se Canta Todo Mundo Bole – retirado da música Samba Da Minha  Terra – começa neste fim de semana com shows de Teresa Cristina e João Cavalcanti. Na primeira fase dos shows, o tema será Requebre Que Eu Dou Um Doce e traz à tona as mulheres de Caymmi, sejam elas personagens, reais ou divinas. “É uma bênção cantar Caymmi e suas mulheres. Ele foi um compositor didático, direto, completo. Tinha uma voz de trovão. Sempre me surpreendo com suas obras”, destaca Teresa.

Próximos shows

Na sequência das apresentações musicais, nos dias 18 e 19, é a vez da capital baiana ser refletida em composições, como São Salvador, Acontece que Eu Sou Baiano e Itapoã. No programa, batizado de Acontece Que Eu Sou Baiano, os músicos Jussara Silveira e Moreno Veloso darão vida à baianidade, às tradições e encantos da Bahia – traduzidos  nas músicas de Caymmi.

Para fechar com chave de ouro, shows de Danilo e Alice, filho e neta de Caymmi. Juntos, darão vida a Acalanto, série de apresentações que perpassará toda a carreira do compositor. Canções como a própria Acalanto, Sargaço Mar, Roda Pião, Canto de Obá e Marina fazem parte dos shows de encerramento, nos dias 25 e 26 do mês. As apresentações acontecerão, sempre às 21h. Ingressos a R$ 5 (meia-entrada). Informações: 3108-7600. Classificação livre.

Exposição e dez anos de bate-papo

Caymmi também recebe homenagem em forma de exposição. Um tributo não só ao músico, mas também ao contador de história, pintor e poeta brasileiro, ao pai de família baiano. Uma passagem pelas claves de sol e fá, pela vida profissional e por momentos marcantes retratados em fotos e recordações do baiano com sua família. O acervo compõe a mostra Caymmi 100 Anos, em cartaz a partir do dia 28 de outubro, no Museu Nacional dos Correios (Setor Comercial Sul).

A neta do músico, Stella Caymmi, que é autora de várias obras sobre o avô, fez a curadoria da exposição. Ela estará em Brasília na abertura da mostra para contar  um pouco da história de sua família e dos livros que escreveu sobre a importância do avô, como Caymmi e a Bossa Nova e O Que É Que A Baiana Tem? Todos  mostram traços biográficos, pedaços da rica história de Caymmi.

Referência 

Cantora e jornalista, Stella relembra momentos especiais com o avô, das prosas gostosas que ajudaram na formulação de obras como Dorival Caymmi, O Mar e o Tempo, relançado este mês, em edição especial. “Um dia, amigos me questionaram: Por que você não escreve sobre seu avô? Isso foi em 1990. Na hora, conversei com ele, que achou a ideia demais. Meu avô adorava uma bom papo. E assim foi: mais de dez anos de bate-papo. Ele foi um grande homem, músico e referência para toda a nossa família”, conta.

A exposição será dividida em quatro partes: Linha do Tempo, Música, Vida Familiar e Rádio. A concepção vai ajudar o público a mergulhar no universo Caymmi.

Homenagem em disco

E se é para falar do mestre baiano, um CD lançado em homenagem à data,  o  Dorival Caymmi – Centenário reúne um belo apanhado de clássicas do compositor. Na interpretação exímia estão, nada mais nada menos, que os músicos Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Danilo Caymmi, Nana Caymmi, Dori Caymmi e Mario  Adnet.

Produzido, idealizado e arranjado pelo filho Dori Caymmi e pelo compositor carioca Mario Adnet, o álbum conta com uma musicalidade única, orquestrada, com gingados originais e um revezamento desses cantores e seus diferentes tons. Na canção que abre o álbum, O Que É que a Baiana Tem?, por exemplo, Caetano Veloso, Gil e Chico  Buarque interpretam juntos a bela obra. “Já me perguntaram se Caymmi não é voz e violão. É, também. Mas quisemos orquestrar e chamar grandes nomes. Foi um ano e meio  de trabalho. E ficou pronto, para o centenário”, destaca  Adnet.

Pelos baianos e amigos

Para dar o tom de homenagem ao CD, Dori Caymmi, filho de Dorival, chamou os conterrâneos baianos para cantar as músicas do pai. Gilberto Gil e Caetano Veloso fizeram  questão de participar para interpretar o baiano que influenciou a carreira de ambos. Chico Buarque, um dos compositores preferidos de Caymmi, também foi peça fundamental. “É um recheio de grandes músicos para contemplar um dos maiores músicos da MPB. Claro que não poderiam faltar os baianos para falar do baiano”, frisa Adnet.

Faixas do CD

1 –  O que é que a Baiana Tem? – Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil

2 –  Sargaço Mar – Nana Caymmi

3 – Saudade Da Bahia-  Caetano Veloso

4 – Rosa Morena-  Gilberto Gil

5 – Dora – Chico Buarque

6 – Vatapá –  Danilo Caymmi

7 – João Valentão –  Dori Caymmi

8 – A Vizinha Do Lado –  Mario Adnet

9 – A Lenda Do Abaeté-  Nana Caymmi

10 – Samba Da Minha Terra – Gilberto Gil

11 – Sábado Em Copacabana – Caetano Veloso

12 – Marina – Chico Buarque

13 – Nem Eu- Danilo Caymmi

14 –  O Bem Do Mar –  Dori Caymmi

 

15 –  Canção Da Partida –  Nana, Danilo & Dori

Mostra traz várias facetas do baiano
 
Em um dos segmentos da mostra Caymmi 100 Anos, Na Linha do Tempo, será possível conferir fotos, datas e fatos que vão da infância de Dorival até o seus últimos dias. Já em Vida Familiar, é possível conferir um outro lado do artista, que também era pintor, refletido em reproduções das suas obras, pouco conhecidas do público.
 
No módulo Rádio, é mostrada a influência  da mídia em questão em sua carreira. Destaque para uma grande máquina de karaokê, instalada no espaço da exposição. “Quis montar uma exposição que mexesse com os sentidos, que provocasse essa volta no tempo. O público vai se deparar com detalhes interessantes, como caixinhas de músicas temáticas e uma jangada cênica”, explica.
 
Legado
 
Toda e qualquer homenagem feita ao artista é muito pouco. Difícil retratar ou explicar, seja por meio de fotos, canções ou pinturas, a importância real de um dos artistas que mais entendia sua gente e cultura. “Afinal, meu avô possui um legado interminável”, finaliza Stella Caymmi.
 
Saiba mais
 
A cultura do mar e seus pescadores também será tema de homenagem, nos dias 23 e 24, na série Quem Vem Pra Beira do Mar.
 
Nas vozes de Camila Costa e Bem Gil, serão interpretadas canções como Suíte de Pescador, Temporal, Canoeiro, dentre tantas outras que seguem a temática – tão trabalhada  pelo baiano.
 
Serviço
 
Mostra Caymmi 100 Anos –  A partir de 28 de outubro. No Museu Nacional dos Correios (Setor Comercial Sul). Visitação: de terça a sexta-feira, das 10h às 19h. Aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h. Entrada franca. Informações: 3213-5076. Classificação livre.
Quando Se Canta Todo Mundo Bole, com Teresa Cristina e João Cavalcanti –  De hoje a 26 de outubro. Sempre às 21h. No Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul). Ingressos: R$ 5 (meia-entrada). Informações: 3108-7600.  Classificação livre.

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