Um fino círculo vermelho surge no meio de um redemoinho cinzento. A linha frágil, quase atropelada pelas pinceladas ao redor, parece dirigir o olhar e estabilizar a composição, como elemento de força que acalma uma grande tempestade.
Tomie Ohtake afirma que o círculo, elemento central desse quadro dos anos 1990 e recorrente em sua obra, tem a ver com paz. “Gosto muito dessa forma. É uma das coisas que me dão paz”, diz a artista japonesa.
Ela desembarcou no Brasil vinda de Kyoto em 1936 e completou cem anos em 2013. Agora, o gabinete da Presidência da Câmara dos Deputados está com uma mostra com 13 obras da artista plástica. São 12 gravuras em metal e uma em acrílica sobre tela, que ficarão expostas ao público até 26 de janeiro de 2014.
“Nunca pensei que estaria viva aos cem anos, mas essa idade chegou sem que eu sentisse nada”, diz Tomie. “Só sei que gosto muito de trabalhar e fico feliz pintando.”
Trabalhos
O conjunto de gravuras foi realizado em diferentes períodos, a partir de 1968, quando ela começou a produzir em série. Suas obras conjugam as formas, o estudo das cores e a geometria, nas quais trabalha com várias técnicas: pintura, serigrafia, litografia, gravura em metal e escultura.
“Meu pincel tem ficado mais movimentado”, conta Tomie. “Sempre pensava antes numa luz que batia de frente sobre a tela, mas agora mostro uma luz que vem de trás e vai deixando uns pontos brancos no caminho.”
Da luz frontal a essa que emerge do fundo da tela, Tomie parece ter trilhado uma rota circular, condensando experimentos que ao longo de suas seis décadas de carreira vêm submetendo estruturas geométricas a uma liberdade feroz de composição.
“Ela sempre trabalhou nesse limite entre o gesto e a abstração geométrica”, diz o filho Ricardo Ohtake.