Depois de emocionar mais de 80 mil pessoas em sua primeira montagem, “Marrom, o Musical” retorna aos palcos e chega a Brasília para três apresentações, nesta sexta-feira (6) até domingo (8), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Com patrocínio da BB Seguros e apresentação do Ministério da Cultura, a produção homenageia os 50 anos de carreira de Alcione em um espetáculo que combina música, memória e manifestações da cultura popular brasileira.
Idealizado por Jô Santana, com texto e direção de Miguel Falabella, o musical revisita a trajetória da cantora desde a infância em São Luís, no Maranhão, até a consolidação como uma das maiores vozes do samba brasileiro. A montagem estreou em uma nova temporada em São Paulo, no Teatro Claro+, onde permaneceu em cartaz de 11 de setembro a 25 de outubro, antes de seguir em turnê nacional.

Para Jô Santana, transformar a história da artista em uma narrativa teatral foi um desafio que exigiu uma solução criativa. “Transformar a trajetória da Alcione em teatro foi um ato de amor e, ao mesmo tempo, de coragem. Como caber cinquenta anos de carreira em um palco? Não cabe”, afirma o idealizador.
A saída encontrada por Miguel Falabella foi contar a história em diferentes planos, com várias intérpretes representando a cantora simultaneamente. “Em certo momento são mais de sete juntas, cantando, e a emoção toma conta de tudo”, conta Santana. Para ele, a homenagem precisava destacar, sobretudo, a personalidade da artista. “O que não podia ficar de fora era a mulher guerreira e talentosa que ela é.”

As raízes maranhenses de Alcione
Além da trajetória musical, o espetáculo mergulha nas origens de Alcione e na riqueza cultural do Maranhão. O Bumba Meu Boi, manifestação popular profundamente ligada à identidade do estado, ocupa um lugar central na narrativa e ajuda a retratar as referências que acompanham a cantora desde a infância.
“O Maranhão é uma terra de cultura riquíssima, e o boi pulsa ali como um coração coletivo. Contar a Alcione sem o boi seria contar uma história sem raiz”, explica Jô Santana. Segundo ele, levar essa manifestação ao palco é também uma forma de apresentar ao público de diferentes regiões do país a força da cultura maranhense.
“Trazer essa manifestação para o palco é mostrar de onde vem a voz dela, o canto, a força e a fé. É também uma honra levar a cultura maranhense a cada cidade por onde passamos e espalhar a música brasileira pelo nosso país. Quando o boi entra em cena, o Maranhão entra junto, e o público sente”, destaca.

A produção reúne 24 atores e atrizes, seis músicos e mais de 300 figurinos. A montagem também movimenta a cadeia criativa e econômica das cidades que recebem a turnê, com mais de 250 empregos diretos e indiretos gerados desde a concepção até o encerramento das apresentações.
Parte da identidade visual do musical foi construída em parceria com artistas maranhenses. Quatro profissionais do estado integram o elenco, enquanto boa parte dos figurinos recebeu bordados produzidos em São Luís pela Cooperativa Cuxá, em parceria sociocultural com o Instituto Humanitas360.

Terceiro capítulo da trilogia do samba
“Marrom, o Musical” encerra a trilogia idealizada por Jô Santana, iniciada com “Cartola – O Mundo é um Moinho” e seguida por “Dona Ivone Lara – Um Sorriso Negro”. As três produções homenageiam nomes fundamentais da música brasileira e ressaltam a contribuição do samba para a identidade cultural do país.
“Marrom nasce de um sonho grande, e sonhos grandes dão trabalho”, afirma Santana. Sobre os desafios de colocar a produção de pé, ele destaca a dimensão do projeto e o trabalho coletivo envolvido. “Falo de um projeto que envolve centenas de pessoas, com quase 30 artistas em cena, sob o texto e a direção do Miguel Falabella.”

O idealizador considera a montagem uma celebração à música e às pessoas que construíram a história do gênero. “O desafio sempre foi enorme, mas foi um prazer imenso idealizar essa obra e colocá-la de pé, peça por peça, com tanta gente talentosa e apaixonada.”
Em Brasília, o público poderá acompanhar uma montagem que reúne música, emoção e referências à cultura brasileira. Para Santana, cada apresentação representa a oportunidade de aproximar ainda mais os espectadores da história da cantora.
“Quero que quem ainda não viu o musical entre no teatro como plateia e saia como parte da família da Alcione, com o coração cheio, orgulhoso da nossa música, da nossa cultura e do nosso povo”, afirma. “Rodar o Brasil com Marrom é motivo de muito orgulho.”
SERVIÇO
“Marrom, o Musical” Um espetáculo de Miguel Falabella
Três únicas apresentações – 06, 07 e 08 de novembro de 2026
Local: Ulysses Centro de Convenções — Eixo Monumental, SDC, Lote 5, Brasília
Sessões:
Sexta-feira e sábado: 20h
Domingo: 18h
Ingressos: de R$ 25,00 a R$ 350,00 — Lounge Frente, Plateia VIP e Lounge Central: R$ 175,00 a R$ 350,00 · Plateia Especial I: R$ 100,00 a R$ 200,00 · Plateia Especial II: R$ 25,00 a R$ 50,00
Duração: 2h, com intervalo de 15 minutos
Classificação: Livre
Vendas online: https://bileto.sympla.com.br/event/125023/d/405451