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Teatro e Dança

Marco Nanini retorna a Beckett em montagem inédita em Brasília

Clássico do teatro do absurdo chega à CAIXA Cultural neste final de semana com direção de Rodrigo Portella e elenco que reúne Guilherme Weber, Helena Ignez e Ary França

Alexya Lemos

04/06/2026 11h47

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Foto: Fernando Young/ Divulgação

Em um cenário pós-apocalíptico marcado pela solidão, pela repetição e pela ausência de perspectivas, Fim de Partida apresenta a relação entre Hamm e Clov, personagens que vivem presos em uma convivência de dependência física e emocional. Interpretado por Marco Nanini, Hamm divide a cena com Clov, vivido por Guilherme Weber, em uma trama que mistura humor ácido, melancolia e tensão permanente. A peça estará em cartaz até 21 de junho na Caixa Cultural.

Considerada uma das obras-primas de Samuel Beckett, a peça integra o chamado teatro do absurdo e propõe reflexões sobre a condição humana diante do esgotamento das estruturas sociais e dos sentidos da existência. Mesmo escrita há quase 70 anos, a montagem dialoga com questões contemporâneas ao retratar personagens confinados em um ambiente devastado, onde os vínculos são atravessados por relações de poder e violência cotidiana.

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Foto: Fernando Young/ Divulgação

A aproximação de Nanini com o universo de Beckett era antiga. Segundo o ator, a obra do dramaturgo irlandês exerce fascínio sobre intérpretes contemporâneos pela complexidade de suas possibilidades cênicas. O convite para dividir o palco com Guilherme Weber foi o impulso definitivo para a realização do projeto.

A parceria entre os dois atores já havia rendido trabalhos marcantes no teatro brasileiro, como Os Solitários e A Morte do Caixeiro Viajante. Para compor o elenco, juntaram-se à produção a atriz e cineasta Helena Ignez e o ator Ary França, ampliando o encontro de diferentes gerações e trajetórias artísticas.

À frente da direção, Rodrigo Portella propõe uma leitura estruturada em três eixos. O primeiro concentra-se na relação simbiótica entre Hamm e Clov. O segundo destaca o caráter político do texto, apresentando Hamm como uma figura autoritária cuja autoridade se sustenta pela força, enquanto Clov assume o papel de alguém submetido a uma lógica de vigilância e obediência sem propósito.

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Foto: Fernando Young/ Divulgação

A terceira camada explora a dimensão metateatral da obra. Essa proposta ganha forma na cenografia assinada por Daniela Thomas, que cria um palco dentro do palco, reforçando a ideia de que os personagens também refletem sobre o próprio ato de representar. Nessa leitura, Clov aproxima-se da figura do clown e do operador da cena, enquanto Hamm assume o papel do protagonista que sustenta sua existência por meio da narrativa de si mesmo.

A equipe criativa reúne ainda profissionais que acompanham a trajetória de Nanini há décadas, entre eles o iluminador Beto Bruel, o figurinista Antonio Guedes e o produtor Fernando Libonati, responsável pela produção artística dos espetáculos do ator nos últimos 30 anos.

Serviço
Fim de Partida, de Samuel Beckett
Local: CAIXA Cultural Brasília – SBS Quadra 4, Lotes 3/4
Temporada: de 6 a 21 de junho de 2026
Horários: 6 e 7 de junho (sábado e domingo), às 18h
De 9 a 21 de junho, de terça a sexta-feira, às 20h
Sábados e domingos, às 18h
Excepcionalmente no dia 13 de junho, a sessão será às 17h
Acessibilidade: sessões com intérprete de Libras aos domingos
Ingressos pelo site

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