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Teatro e Dança

Espetáculo ‘ELZA’ celebra a trajetória de uma das maiores vozes da música brasileira

Musical premiado ocupa o palco do Teatro da CAIXA Cultural com narrativa fragmentada e releitura da vida e da obra de Elza Soares

Alexya Lemos

27/05/2026 5h00

Atualizada 26/05/2026 21h24

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Foto: Marcelo Rodolfo/ Divulgação

O premiado musical “ELZA” desembarca no Teatro da CAIXA Cultural, até domingo (31), levando ao palco uma releitura da trajetória de uma das artistas mais emblemáticas da música brasileira. Após passar por 15 cidades e reunir mais de 100 mil espectadores desde a estreia, em 2018, no Rio de Janeiro, o espetáculo retorna aos holofotes com uma montagem marcada pela força feminina negra e por uma abordagem que rompe com a estrutura tradicional das biografias musicais.

Com texto de Vinícius Calderoni, direção de Duda Maia e direção musical de Larissa Luz, a peça revisita a vida de Elza Soares sem seguir uma linearidade cronológica. Em cena, Janamô, Josy.Anne, Júlia Sanchez, Julia Tizumba, Sara Chaves, Sara Hana e a atriz convidada Naruna Costa se revezam na interpretação da cantora em diferentes fases da vida, além de assumirem outros personagens ligados à sua trajetória, como familiares, amigos e figuras marcantes, entre elas Ary Barroso e Garrincha.

A chegada de Naruna Costa marca uma novidade desta temporada. A atriz, cantora, diretora artística e diretora musical estreia no projeto ocupando papel de destaque no espetáculo. Vencedora do Prêmio Shell 2024 na categoria Melhor Diretora Musical, Naruna também acumula reconhecimentos como Melhor Diretora nos prêmios APCA e Aplauso Brasil, além de premiações como atriz.

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Foto: Enzo Amarelo/ Divulgação

Segundo a atriz Júlia Sanchez, a estrutura da encenação dialoga diretamente com a complexidade de Elza Soares. “Essa construção mais fragmentada e coletiva, ela evidencia o fato de que Elza Soares é uma artista, uma cantora com uma personalidade muito complexa, com muitas camadas. Então, a encenação da Duda Maia se dá dessa forma fragmentada, coletiva, contemporânea, acredito que reflete nessa mulher que Elza Soares foi”, afirma.

No palco, canções de diferentes momentos da carreira da cantora se cruzam sem distinção temporal. Clássicos como Se Acaso Você Chegasse, Lama, Malandro, Lata D’Água e Cadeira Vazia aparecem ao lado de músicas mais recentes, como A Mulher do Fim do Mundo, A Carne e Maria da Vila Matilde. Os novos arranjos foram concebidos pelo maestro Letieres Leite, da Orquestra Rumpilezz, em um trabalho que também contou com intensa colaboração das atrizes e musicistas durante os ensaios.

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Foto: Enzo Amarelo/ Divulgação

O espetáculo ainda incorpora duas canções inéditas desenvolvidas no processo criativo: Ogum, de Pedro Luís, e Rap da Vila Vintém, de Larissa Luz. A construção coletiva atravessa toda a concepção da peça. Vinícius Calderoni passou a frequentar os ensaios desde as primeiras versões do texto e estabeleceu uma dinâmica de troca constante com as atrizes e a direção. Segundo o dramaturgo, a experiência e a escuta das artistas negras foram fundamentais para moldar a dramaturgia.

A relação de Júlia Sanchez com a obra de Elza também dialoga com esse caráter de reinvenção permanente da cantora. A atriz conta que seu primeiro contato mais profundo com a artista aconteceu a partir do disco A Mulher do Fim do Mundo, lançado em 2015. “Foi um álbum muito impactante pra mim. Toda a sonoridade é muito refrescante. Mistura samba, rock, música eletrônica. Então, essa pluralidade desse álbum me trouxe muito pra Elza com o interesse de me aprofundar mais nos outros álbuns, na carreira como um todo”, relata.

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Foto: Enzo Amarelo/ Divulgação

Embora o espetáculo revisite episódios marcados por tragédias pessoais, como a violência doméstica, a intolerância e as mortes de filhos e de Garrincha, a narrativa busca preservar a irreverência e a vitalidade que marcaram a personalidade da cantora. A própria Elza orientou os criadores a evitarem uma abordagem excessivamente melancólica sobre sua história. Calderoni relembra que a artista insistia na necessidade de retratá-la também a partir da alegria, do deboche e da potência que sempre carregou.

Essa dualidade aparece de maneira intensa na construção dramatúrgica da peça. “Então, essas nuances entre sofrimento, humor, deboche, potência, elas acontecem porque tudo faz parte desse grande processo de cura para chegar até o final do espetáculo, que é a coroação de Elza como ícone e tudo mais. Mas antes de tudo isso acontecer, aconteceram muitas outras coisas que a gente fala para o público. Antes dela ser coroada, esse mito, essa figura, ela passa por muitas coisas. Então, a gente mostra tudo isso e que no final chega nessa potência imensa e nesse símbolo que ela é”, destaca Júlia Sanchez.

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Foto: Enzo Amarelo/ Divulgação

Mais do que uma narrativa biográfica, “ELZA” transforma a trajetória da cantora em uma experiência cênica que articula memória, música e resistência. Ao optar por uma construção coletiva e multifacetada, o espetáculo aproxima a imagem de Elza Soares de um símbolo em constante transformação, uma artista que atravessou gerações sem perder a capacidade de se reinventar.

O musical acumula importantes reconhecimentos no teatro brasileiro, com prêmios como Bibi Ferreira, Shell, Reverência, APCA e Cesgranrio, em categorias que incluem Melhor Musical, Direção, Dramaturgia, Música e Elenco.

Serviço
Quando: De 27 a 31 de maio
Quarta a sexta as 20h, sábado às 16h e à 20h, e domingo às 19h.
Sessão acessível em Libras no sábado 30/5 às 16h.
Ingresso: R$ 30,00 / R$ 15,00 pelo site
Onde: CAIXA Cultural Brasília (SBS Q. 4, Lotes 3/4 – Asa Sul) 
Classificação etária: 14 anos.
Duração: 150 minutos.

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