O que acontece quando um sonho é interrompido de forma inesperada? Em Por Um Triz, a acrobata Beatrice Martins transforma a própria trajetória em matéria para a cena e revisita uma experiência marcada pela ruptura para falar sobre memória, corpo, arte e recomeços.
Com realização do coletivo Instrumento de Ver e direção de Raquel Karro, o espetáculo será apresentado nos dias 15 e 16, no Galpão Hugo Rodas, do Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingressos pelo Sympla.
A história parte da trajetória de Beatrice, que teve a carreira na ginástica artística interrompida após sobreviver ao acidente envolvendo a equipe do Clube de Regatas do Flamengo, em 1997. Anos mais tarde, a artista encontrou no circo um novo caminho para continuar sua relação com o corpo e com a cena.
Em vez de apenas reconstruir a própria biografia, Por Um Triz utiliza a autoficção para revisitar e ressignificar acontecimentos do passado. A montagem combina acrobacia, teatro e poesia e percorre a passagem do ginásio ao picadeiro, aproximando elementos do circo clássico e contemporâneo.
“O espetáculo perpassa a minha trajetória porque é, também, documental. Mas a minha motivação principal veio da vontade de voltar aos palcos para apresentar a minha pesquisa com a dança, as acrobacias e os trapézios”, conta Beatrice.
A artista também destaca a parceria com Raquel Karro, com quem trabalha há anos. Para a diretora e dramaturga, um dos desafios da montagem está justamente em tensionar os limites entre diferentes linguagens e fazer com que a história seja atravessada pelas possibilidades físicas e cênicas do corpo.
A primeira parceria entre as duas aconteceu em 2009, quando Beatrice convidou Raquel para dirigir um número de trapézio. Em 2015, elas criaram a primeira versão de Por Um Triz, que agora retorna aos palcos em uma remontagem.
“O que é mais desafiante é também o que dá mais prazer, é o que me nutre como diretora e dramaturga: contar uma história enquanto exercito meu olhar pra cena, enquanto esgarçamos as linguagens, descobrimos uma linguagem”, explica Raquel.
A remontagem mantém o caráter de investigação sobre tempo, corpo e permanência. Em cena, Beatrice revisita uma experiência que faz parte de sua história, mas também amplia a narrativa para refletir sobre os caminhos inesperados que surgem quando um projeto de vida é interrompido.
As duas sessões terão intérpretes de Libras. A apresentação de sábado também contará com audiodescrição. Depois do espetáculo de sábado, Beatrice e a equipe participam de um bate-papo com o público sobre a montagem e o processo de criação.
A artista
Beatrice Martins iniciou na ginástica artística aos 5 anos de idade, integrou a Seleção Nacional durante a adolescência e passou a atuar no circo no início dos anos 2000. Ao longo de mais de três décadas de trajetória, participou de criações com circulação nacional e internacional pelo coletivo Instrumento de Ver, onde atua como intérprete-criadora, diretora e realizadora, entre outras funções.
A artista também participou do curta-metragem EXUFRIDA, dirigido por Cícero Fraga, que recebeu prêmios em festivais na França, nos Estados Unidos e na Itália.
Raquel Karro é mestre em Artes da Cena pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), graduada em dança pela Faculdade Angel Vianna e em circo pela Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro. Como artista circense, teve passagens pela Intrépida Trupe e pelo Cirque du Soleil. Também atua como dramaturga e coreógrafa.
A remontagem de Por Um Triz é realizada pelo coletivo Instrumento de Ver, com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal e apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec).
Serviço Por Um Triz 15 de agosto (sábado)
Horário: 18h
Acessibilidade: Libras e audiodescrição
Ingressos: Sympla – sessão de sábado 16 de agosto (domingo)
Horário: 17h
Acessibilidade: Libras
Ingressos: Sympla – sessão de domingo Local: Galpão Hugo Rodas – Espaço Cultural Renato Russo, 508 Sul
Entrada: gratuita