Menu
Teatro e Dança

“Água Fresca para as Flores” chega a Brasília com história sobre luto, recomeços e superação

Com direção e adaptação de Bruno Costa, o monólogo é a primeira adaptação teatral latino-americana autorizada do best-seller francês

Milena Dias

06/11/2026 5h00

Atualizada 05/11/2026 23h04

agua fresca para as flores teatro dos quatro 059

Foto: Divulgação

Após temporadas em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, o espetáculo “Água Fresca para as Flores” chega a Brasília nesta sexta-feira (6) e durante todo o final de semana (7 e 8), no Teatro Brasília Shopping. Integrando a programação da Mostra Teatral de Brasília, a montagem protagonizada por Marcella Muniz apresenta ao público uma história marcada por perdas, abandonos, relações abusivas e a capacidade de encontrar novos caminhos mesmo diante das dificuldades da vida.

Com direção e adaptação de Bruno Costa, o monólogo é a primeira adaptação teatral latino-americana autorizada do best-seller francês “Água Fresca para as Flores”, de Valérie Perrin, autora cuja obra foi traduzida para mais de 40 idiomas. Durante 75 minutos, a atriz dá vida a Violette Toussaint, uma mulher que trabalha como zeladora de um cemitério na Borgonha, na França, e que carrega uma trajetória marcada por experiências dolorosas e recomeços.

Ao longo da narrativa, o público conhece a história de Violette, que enfrenta um relacionamento abusivo, abandonos, a maternidade e a perda trágica da filha Léonine. Apesar das dificuldades, a personagem encontra maneiras de reconstruir a própria vida, conduzindo o espectador por uma história que aborda temas como luto, solidão, resiliência e a importância dos pequenos encontros.

Segundo Marcella Muniz, a decisão de levar a história aos palcos surgiu durante a leitura do romance em um clube do livro do qual participa desde a pandemia. Inicialmente, a atriz chegou a questionar o interesse de uma narrativa sobre uma zeladora de cemitério, mas, após as primeiras páginas, percebeu que a personagem carregava questões que gostaria de apresentar a outras pessoas.

“Quando eu já tinha lido umas 40 páginas, eu tive uma visão […] eu preciso levar esse personagem para o mundo, que mais pessoas conheçam”, conta Marcella sobre seu primeiro contato com a obra.

Para a atriz, a história de Violette aborda questões que considera importantes, como relacionamentos tóxicos, luto, causa animal, empoderamento feminino e a possibilidade de florescer mesmo diante das experiências mais dolorosas. Foi a partir dessa identificação que ela procurou Bruno Costa para transformar o romance em uma montagem teatral.

Da literatura para os palcos: o desafio de adaptar a história de Violette

image
Fotos: Divulgação

Transformar uma obra literária em uma experiência teatral exige escolhas sobre quais elementos preservar e como apresentar a narrativa ao público. No caso de “Água Fresca para as Flores”, um dos desafios foi adaptar um romance com cerca de 30 personagens para um monólogo protagonizado por Marcella Muniz.

Segundo a atriz, o processo de colaboração com Bruno Costa foi construído a partir de uma visão compartilhada sobre a história que desejavam contar. A preocupação em respeitar a obra original também esteve presente durante a adaptação, posteriormente encaminhada à autora Valérie Perrin.

Para Marcella, transformar a complexidade da literatura em outras manifestações artísticas é um dos aspectos que mais despertam seu interesse. A experiência com “Água Fresca para as Flores” também contribuiu para sua relação com os clubes de leitura e para a criação de espaços dedicados ao encontro entre a literatura e outras formas de expressão.

“O que me interessa é a complexidade da literatura conseguir virar outra arte”, afirma a atriz ao comentar a relação entre o livro e sua adaptação teatral.

Com uma narrativa que alterna momentos de delicadeza, humor e dor, o espetáculo procura preservar a essência da personagem e apresentar ao público uma reflexão sobre a capacidade humana de recomeçar.

Entre perdas e recomeços, o desafio de interpretar Violette

beto6040
Foto: Divulgação

Com uma trajetória emocional marcada por diferentes experiências de sofrimento, Violette Toussaint exige de Marcella Muniz uma interpretação que equilibre a intensidade dos acontecimentos com a leveza que caracteriza a personagem.

Segundo a atriz, um dos maiores desafios foi justamente encontrar esse equilíbrio. Mesmo diante das perdas e das situações de violência enfrentadas por Violette, a personagem não deixa que suas dores definem completamente sua maneira de enxergar a vida.

Para alcançar essa construção, Marcella conta que dedicou mais tempo de ensaio aos momentos emocionalmente mais complexos da narrativa, buscando compreender como apresentar essas experiências sem perder a delicadeza da personagem.

“Por mais perdas que ela tenha, o que ela me encantou foi pela leveza dela”, afirma Marcella sobre uma das características que mais a aproximaram de Violette.

Ao longo das temporadas, a relação da atriz com a personagem também passou por transformações. Mesmo depois de diversas apresentações, Marcella afirma que continua descobrindo novos significados na história e na maneira como interpreta cada passagem.

Antes de entrar em cena, a atriz tem o hábito de revisar todo o texto do monólogo, processo que, segundo ela, permite perceber detalhes que podem ser incorporados ou modificados na interpretação.

“A Violete, para mim, é um divisor de águas. Todo dia eu aprendo com ela”, conta a atriz sobre a importância da personagem em sua trajetória.

Além dos temas relacionados ao luto e à superação, Marcella destaca que a narrativa também aborda questões como o abandono e a invisibilidade de determinadas profissões, assuntos com os quais se identifica e que considera importantes de serem discutidos.

Para a atriz, a relação construída com Violette ultrapassa o trabalho de interpretação e se tornou uma experiência de aprendizado constante.

Uma história que continua encontrando novos públicos

beto6586
Foto: Divulgação

Após passar por diferentes capitais brasileiras, “Água Fresca para as Flores” chega a Brasília como parte da programação da Mostra Teatral de Brasília, iniciativa que busca ampliar o acesso do público da capital a diferentes produções teatrais.

Segundo Renata Rezende, gestora da Mostra Teatral de Brasília, a chegada do espetáculo representa mais uma oportunidade de inserir a cidade no circuito de montagens que já passaram por outros centros culturais do país.

A apresentação também marca uma nova etapa na trajetória de Marcella Muniz com a personagem, que, segundo a atriz, continua despertando reflexões e aprendizados mesmo após diferentes temporadas.

Para Marcella, Violette se tornou uma missão pessoal, principalmente pela possibilidade de levar ao público uma história que aborda temas presentes na vida de diferentes pessoas.

“Eu vou fazer Violete até os 108 anos, porque ela sempre, sempre vai ter um público, e ela sempre vai ter uma pessoa para receber aquela mensagem”, afirma.

A Mostra Teatral de Brasília é apresentada pelo Ministério da Cultura e pelo Grupo Bali, por meio da Lei Rouanet, com patrocínio da Paulo Octávio Investimentos e apoio do Brasília Shopping.

Serviço: Espetáculo: Água Fresca para as Flores
Local: Teatro Brasília Shopping
Endereço: SCN Quadra 5 — Asa Norte
Dias: 6, 7 e 8 de novembro (sexta-feira, sábado e domingo) Horários: sexta, às 18h e às 20h; sábado, às 20h; e domingo, às 19h e às 20h30
Duração: 75 minutos
Classificação indicativa: 14 anos Ingressos: R$ 50,00 (meia) e R$ 100,00 (inteira)
Ingressos populares (sujeitos à lotação): R$ 20,00 (meia) e R$ 40,00 (inteira)
Bilheteria: https://www.sympla.com.br/produtor/estrellaculturaearte

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado