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Viva

Tatuadores da cidade revelam suas inspirações artísticas

Arquivo Geral

13/05/2015 6h30

João Rodrigues
Especial para o Jornal de Brasília

A tatuagem pode ser considerada uma arte assim como a pintura. Só que em vez de colocar o desenho em uma tela, o artista a põe na pele de alguém. E assim como na hora de pintar, o artista tatuador usa técnicas e estilos distintos.

O Viva conversou com tatuadores da cidade para conhecer seu trabalho. Um deles é Daniel Matsumoto, que, há dois anos, fundou a Danielmatsumotoart, localizada na Asa Norte. Ele conta que sempre gostou de culturas que incorporam tatuagens como o rock and roll e o hip-hop. 

Sobre seu estilo, o artista é bem claro: “Gosto bastante do pontilhismo (em que a imagem é formada por pontos), uma técnica bem antiga que foi empregada nas tatuagens na década de 1990”. Ele também utiliza o método em outras ilustrações que faz.

Formado em Direito, Rafael Bonfim sempre esteve mais para o lado artístico que político: “Meu primeiro contato foi quando eu morei perto de um estúdio na Califórnia em 1992”. Bonfim deixou o emprego e procurou uma atividade mais próxima à arte, já que havia estudado durante sete anos na Escola de Bela Artes, no Rio de Janeiro.

 Sem moldes

Há cinco anos, ele fundou a Calango Tattoo, em Taguatinga. Na atividade, ele usa conjuntos de agulha e uma biqueira – uma espécie de seringa descartável que serve para colocar tinta na agulha. Rafael trabalha com todos os estilos. Como a formação dele é em artes plastícas, suas inspirações são baseadas em quadros artísticos, além de revista em quadrinhos. “Vou procurando por todo tipo de imagem. Não usa moldes, crio na hora o que os clientes pedem”, afirma Bonfim.

Em Águas Claras, o tatuador Felipe Padilha é dono da Victory Tattoo Shop. Formado em Publicidade e Propaganda, o interesse pela atividade surgiu na infância quando o pai e o avô montaram uma máquina caseira de tatuagem. O dinheiro ganho por tatuar algumas pessoas ajudou pai e filho a irem para a primeira edição do Rock In Rio.

Uma expressão pessoal

Desiludido com a profissão de publicitário, Felipe Padilha estudou mais sobre a arte da tatuagem e fundou o estúdio com os amigos Izaac Bandeira e Estevão Hector em 2013. Suas inpirações vêm de pintores clássicos como Caravaggio e Rembrandt, passando pela a xilogravura e desenhos técnico-científicos. 

A técnica dele consiste em linhas bem definidas e pigmentações sólidas. “Tento dar um toque pessoal nos meus trabalhos, tanto no quesito conceitual dos  desenhos, quanto também em alguma técnicas  mistas, como pontilhismo, gravura”, detalha. Felipe prefere usar tons escuros ou poucas cores e se dedica ao estudo do black work – trabalhos em pretos (seu trabalho pode ser conferido em http://padilhafelipe.tumblr.com/).

Para o diretor de arte da produtora de jogos digitais Behold Studios, Betu Souza, a tatuagem fala muito da personalidade das pessoas, até mesmo de quem não possui uma. “Creio que é um tipo de extensão da comunicação corporal que temos”, opina Betu, que exibe oito tatuagens pelo corpo. O artista conta que as “pré-desenhou” antes de entregar a ideia ao tatuador. Uma delas é um triângulo invertido azul nas costas, que representa o elemento água em tradições orientais.

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