Inácio Araújo
Especial para o Jornal de Brasília
Parte da 6ª Temporada de Clássicos Cinemark, em cartaz hoje e quarta, Um Corpo que Cai é como uma dessas peças de teatro contemporâneas, em que a plateia acompanha os atores por diversos cenários. No caso, a atriz é Kim Novak, ou Madeleine, ou Carlota Valdez, ou Judy Barton. A plateia é James Stewart, ou Scottie.
O autor do argumento é Gavin Elster (Tom Helmore), velho amigo de Scottie, um policial fora da ativa por causa de suas crises de vertigem. Gavin oferece a ele a possibilidade de seguir sua mulher, Madeleine, que acredita reencarnar uma dama morta há muito tempo, Carlotta Valdes.
Como bom detetive, Scottie segue Madeleine. Ao acompanhá-la, deixa-se fascinar pelos mistérios da bela mulher. Apaixonar-se por ela é só uma decorrência. Esse é o roteiro criado por Gavin: a sedução que Madeleine exerce sobre ele deve levá-lo a testemunhar um assassinato. Como e de quem o espectador deve descobrir. O que foge ao roteiro, no entanto, é que Madeleine também se apaixona por Scottie.
Se tematiza a representação, Hitchcock também nos fala da obsessão. É a obsessão, aliás, que leva Scottie a desvendar a trama, a partir do momento em que encontra outra mulher, Judy Barton, muito parecida com Madeleine, e procura reconstruir, nela, a imagem da amada. Ou seja: se Madeleine havia criado um personagem (e um fantasma) para os olhos de Scottie, agora ele buscará recriar o personagem em Judy.