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Viva

Suspense de Hitchcock permanece irretocável

Arquivo Geral

19/04/2015 7h00

Inácio Araújo

Especial para o Jornal de Brasília

Parte da 6ª Temporada de Clássicos Cinemark, em cartaz hoje e quarta, Um Corpo que Cai é como uma dessas peças de teatro contemporâneas, em que a plateia acompanha os atores por diversos cenários. No caso, a atriz é Kim Novak, ou Madeleine, ou Carlota Valdez, ou Judy Barton. A plateia é James Stewart, ou Scottie.

O autor do argumento é Gavin Elster (Tom Helmore), velho amigo de Scottie, um policial fora da ativa por causa de suas crises de vertigem. Gavin oferece a ele a possibilidade de seguir sua mulher, Madeleine, que acredita reencarnar uma dama morta há muito tempo, Carlotta Valdes.

Como bom detetive, Scottie segue Madeleine. Ao acompanhá-la, deixa-se fascinar pelos mistérios da bela mulher. Apaixonar-se por ela é só uma decorrência. Esse é o roteiro criado por Gavin: a sedução que Madeleine exerce sobre ele deve levá-lo a testemunhar um assassinato. Como e de quem o espectador deve descobrir. O que foge ao roteiro, no entanto, é que Madeleine também se apaixona por Scottie.

Se tematiza a representação, Hitchcock também nos fala da obsessão. É a obsessão, aliás, que leva Scottie a desvendar a trama, a partir do momento em que encontra outra mulher, Judy Barton, muito parecida com Madeleine, e procura reconstruir, nela, a imagem da amada. Ou seja: se Madeleine havia criado um personagem (e um fantasma) para os olhos de Scottie, agora ele buscará recriar o personagem em Judy.

Vertigem, fascínio e hipnose
 
O enredo de O Corpo que Caipode parecer complicado. Ao vê-lo, o espectador perceberá ali, princípio da vertigem, do fascínio ou da hipnose: três ideias que se cruzam no filme e fora dele. Três ideias que dão substância à ideia central: a de representação. Isto é, dos seres que se colocam no lugar de outros, que os representam.
 
Obra-prima

Eleito há pouco tempo, numa pesquisa da revista Sight and Sound, o melhor filme do mundo, Um Corpo que Cai não está, certamente longe disso.
 
Servindo-se da cena teatral como princípio, Hitchcock nos põe diante da paixão e do tormento, da paixão e do fascínio, da morte e do amor, do falso e do verdadeiro. No interior de uma obra magnífica como a do mestre inglês, talvez não seja abusivo designar Um Corpo que Cai como sua obra-prima.

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