Uma Rural, modelo Ford 69, já atravessa as rodovias rumo a Brasília. Entre 17 e 19 de abril (sexta a domingo), vai aportar na capital federal sob o comando de Roger de Renor, um dos grandes articuladores culturais do Recife e conhecido nacionalmente pela letra da música Macó, de Chico Science (“cadê Roger, cadê Roger?”). Nas comemorações dos 55 anos de Brasília, vai se apresentar ao lado de dois patrimônios pernambucanos: dona Lia de Itamaracá e As Filhas de Baracho.
A Rural, memória afetiva e histórica do Nordeste e do Brasil, vem para Brasília com expoentes da música pop pernambucana contemporânea e da cultura popular, tocando no chão e interagindo de perto com a população e com músicos locais. Os shows têm entrada franca e acontece conforme programação abaixo:
No dia 17, sexta-feira, às 20h45, na área externa do Museu Nacional Honestino Guimarães, com Som da Rural e Lia de Itamaracá;
Dia 18, sábado, às 20h, na Torre de TV, com Som na Rural com As Filhas e Baracho;
Dia 19, domingo, às 21h, no Parque da Cidade (estacionamento Ana Lídia), com Som na Rural com Lia de Itamaracá
Em todos os dias, haverá uma apresentação-surpresa de uma banda do DF.
O Som na Rural é um projeto que estrategicamente utiliza-se de um antigo veículo Ford 69 modelo Rural costumizado, como cenário, estúdio móvel de sonorização e equipamento de intervenção urbana, onde ocorre a série de apresentações de bandas e discussões de temas ligados à cultura, à comunicação e à cidadania. É desenvolvido há cinco anos e ficou conhecido nacionalmente por conta de programa veiculado semanalmente pela TV Brasil, durante dois anos. A partir de outubro de 2013, a Rural ganhou um formato mais independente usando as redes sociais como articuladora e difusora de suas ações.
Com o objetivo de ocupar os espaços urbanos por meio de apresentações artísticas e da música, a Rural passou a circular nos espaços do Recife, praças, margem dos rios, estacionamentos do centro etc, levando uma alternativa de reocupação e humanização da cidade, discutindo, questionando e propondo novas formas de ocupação dos grandes centros de forma prática, poética e universal por meio da música.
A apresentação é de Roger de Renor, comunicador, ator e agitador cultural, é inicialmente conhecido em todo Brasil, por seu envolvimento com o movimento Manguebeat, na década de 1990 por meio de seu bar Soparia, por onde passaram as bandas da dita nova cena musical pernambucana.
Lia de Itamaracá
Lia de Itamaracá, patrimônio vivo do Estado de Pernambuco, é sem dúvida, a grande referência nacional quando o tema é a ciranda, seu nome atrelado a Ilha onde nasceu e vive, junto a cinco décadas de perseverança e resistência a transformaram em Ícone, com ressonâncias até em âmbitos internacionais e fora até dos circuitos folclórico, regional ou de cultura popular. Lia, nos últimos dez anos, levou suas cirandas para todas as capitais do País e várias grandes cidades, sua ciranda encantou enésimas vezes em Teatros, Praças e Praias no País e na Europa.
As filhas de Baracho
Os primeiros registros e pesquisas sobre ciranda sempre destacam um nome: Baracho. Mestre de engenho de maracatu natural de Nazaré da Mata (PE), Baracho tornou-se o principal compositor de ciranda quando o gênero ainda engatinhava. Toda vez que tinha roda, Baracho arrastava as filhas : Severina Baracho e Maria Dulce Baracho. Teve suas cirandas gravadas por artistas como Capiba, Martinho da Vila, Nelson Ferreira, Teca Calazans, Geraldo Azevedo, Lia de Itamaracá.Hoje sua obra está sendo preservada pelas suas filhas, Dulce e Severina .Ambas são compositoras e guardam na memória o acervo do pai, um daqueles nomes importantes da música brasileira que permanecem no ostracismo.
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