Integrante da franquia Cities of Love, que já teve versões retratando Paris e Nova York, Rio, Eu te Amo chega hoje aos cinemas com elenco estelar formado por 23 atores nacionais e internacionais, que vai de Fernanda Montenegro e Rodrigo Santoro a Vincent Cassel e John Turturro, além de uma lista de diretores de dar inveja a qualquer produção cinematográfica.
Samba e batuques, Corcovado, Lapa, Cristo Redentor, praias, crimes e a exuberância das mulatas brasileiras. Está tudo lá. Wagner Moura protagoniza o curta Inútil Paisagem, dirigido por José Padilha, repetindo a dobradinha de Tropa de Elite 1 e 2. Na trama, ele vive um carioca que decide dar uma “bronca” no Cristo Redentor durante um voo de asa-delta. O monólogo gerou polêmica com a Arquidiocese do Rio, que decidiu banir a imagem do Cristo, mudando de ideia pouco tempo antes da estreia.
O Milagre, dirigido por Nadine Labaki (Caramelo), que também está no elenco, que ainda conta com a presença do sempre ótimo Harvey Keitel (Cães de Aluguel) e do surpreendentemente talentoso Cauã Salles, ator estreante que vive um garoto de rua adorável. A Musa, de Fernando Meirelles, conta a história de um escultor de areia interpretado por Vincent Cassel (Cisne Negro) e sua musa inspiradora (Deborah Nascimento). Momento bonito do filme, que nos faz entender um pouquinho da força poética existente no Rio de Janeiro.
O curta Texas, dirigido pelo roteirista de 21 Gramas, Guillermo Arriaga, também é um ótimo acerto. No segmento, o protagonista, vivido por Land Vieira (Gonzaga), é um boxeador em ascensão que perde o braço após um acidente de carro. A tragédia acaba colocando sua mulher (Laura Neiva, de À Deriva) numa cadeira de rodas. Ambos entregam ótimas atuações.
Outras histórias
É claro que há irregularidade. Foi assim com Paris, Nova York e agora com Rio, Eu Te Amo. É o caso de Dona Fulana, de Andrucha Waddington (Casa de Areia), que desperdiça Fernanda Montenegro; La Fortuna, de Paolo Sorrentino (A Grande Beleza); Acho Que Estou Apaixonado, de Stephan Elliott (Priscila, A Rainha do Deserto); Quando Não Há Mais Amor, de John Turturro (Amante a Domicílio); O Vampiro do Rio, de Im Sang Soo (A Empregada); e Transições (unindo as histórias), de Vicente Amorim (Corações Sujos).
Após assistir às dez histórias, é difícil não querer entrar no primeiro avião rumo à Cidade Maravilhosa. Mas tirando a fotografia e bons momentos de poesia, pode-se dizer que o filme é apenas engraçadinho.