Andréia Castro e Michel Toronaga
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O grande vencedor da última edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Branco Sai, Preto Fica, do goiano radicado em Ceilândia Adirley Queirós (A Cidade é uma Só?), tem como mérito subverter os rótulos documentário e ficção. Surpreende o espectador, que nem imagina estar diante de uma ficção científica.
Numa Brasília do futuro, onde é necessário um passaporte para entrar. Na cena inicial, vemos o cadeirante Marquim ligar o microfone de sua rádio pirata e narrar, com riqueza de detalhes, o que seria uma típica noite no Quarentão, conhecido baile black ceilandense da década de 1980, que culminaria com uma intervenção policial que marcaria a vida dos personagens para sempre. Ao final da sessão, o filme foi aplaudido de pé pelo público que enchia o Cine Brasília em setembro passado durante sua exibição no festival candango. O longa arrebatou vários prêmios no Brasil e em festivais internacionais.
Ceilândia
A ideia da última edição do Festival de Brasília era descentralizar e democratizar a sétima arte nacional. A vitória de Branco Sai, Preto Fica parece ser uma consequência positiva desse processo. Cria de Ceilândia, ele mostrou a força e a qualidade da produção audiovisual da região administrativa. Um endereço fértil que chama a atenção, não apenas nessa área, mas também em outras vertentes artísticas. Basta lembrar o talento de Ellen Oléria, cantora descoberta na primeira edição do reality show global The Voice Brasil, na Globo.