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Projeto escolar: sonhando enquanto ainda são tão jovens

Arquivo Geral

05/08/2014 10h00

“Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem, ou que seus planos nunca vão dar certo… Ou que você nunca vai ser alguém”. Na música Mais Uma Vez, Renato Russo deixaria uma mensagem que serve de exemplo e inspiração para jovens de todas as gerações. “Quem acredita, sempre alcança”, completa a canção. Morador de Brasília na adolescência, o músico tratou de correr atrás do sonho de se tornar um rock star, projeto que começou ainda na escola. Um dos alunos mais célebres do colégio Marista, Renato passou boa parte do ensino fundamental e médio frequentando aulas no tradicional colégio localizado na 615 Sul.

Passado e futuro

Como o eterno líder do Legião Urbana, grandes talentos começaram sua carreira musical ainda jovens no Maristão, que até hoje abre espaço para adolescentes aspirantes a artistas. Zélia Duncan, Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial, e o instrumentista Nelson Faria são exemplos de artistas que frequentaram a instituição.

Famoso pela programação extracurricular, o Marista incentiva a formação musical e teatral. Atualmente, a escola abriga diversos exemplos de jovens artistas. Mostram sua arte nos recreios, nos trejeitos, na porta do colégio. Com um violão na mão e uma ideologia na cabeça, os aspirantes a músicos protestam, tocam e sonham com a oportunidade de se tornar grandes artistas.

Pedro Raposo, de 18 anos, é baterista autodidata. Toca em casa e nos intervalos do Maristão. Junto com mais seis amigos, resolveu mostrar seu talento na escola ao montar a banda Tape Deck, que já faz sucesso nas Sextas Culturais, projeto que dá aos alunos a oportunidade de se apresentar nos intervalos. “É sensacional poder tocar para as pessoas desde cedo. A galera se amarra, aplaude no recreio. É, de fato, muito gratificante”, explica.

Vocalista do grupo, a estudante Marina Serra assina como Marina Saint Hills. “Acho fundamental que as escolas ofereçam aulas variadas, de teatro, música”, diz.

Para a jovem, “cada um tem o direito de seguir o que é melhor para si. Sou daquelas que compõe na aula de matemática, canta nos pátios do colégio, no meio da sala de aula. Cada um com seu sonho”.

Rebeldia, rock’n’roll e um violão

Moradora da capital por 16 anos, a cantora Zélia Duncan faz questão de relembrar dos tempos passados no Marista, época em que estudou com Dado Villa-Lobos, Dinho Ouro Preto e com o ator e diretor de teatro Marcelo Saback. Quem estudou no Maristão conhece as célebres histórias contadas pelo professor de educação física Orivaldo Pincinato, mais conhecido como Italiano, apelido que ganhou por conta da estatura elevada e os olhos claros.
 
Há 43 anos trabalhando na instituição, Pincinato, que hoje é o diretor-geral da escola, guarda com carinho as memórias do período em que deu aula para Zélia Duncan, Nelson Faria, Dinho Ouro Preto e Renato Russo.
 
Lembranças
 
O líder do Legião Urbana tratou de correr atrás do sonho de se tornar um rock star, projeto que começou ainda no Marista. Quando moleque, Renato costumava pegar o violão para combinar com sua voz de protesto ao tocar nos palcos do colégio. Acreditou, foi atrás e saiu dos palcos da escola para conquistar milhões de fãs Brasil afora.
 
“São boas lembranças. Lembro-me do Renato (Russo) como um menino que chamava a atenção. Era meio rebelde, tocava violão e era muito inteligente. Não fazia as aulas de educação física porque tinha um problema na perna, mas ficava ali, concentrado. Observava tudo”, lembra.
 
Carreira começou nos corredores
 
O mineiro Nelson Jairo Sanches Faria é guitarrista, violonista, arranjador e conhecido por tocar música instrumental brasileira com “sotaque jazzístico”, uma característica que ele mesmo cita na hora de definir seu som. Com 11 CDs autorais gravados e participação em mais de 200 discos de artistas nacionais e internacionais, o artista também é ex-aluno do Marista.
 
Antes de se projetar nacionalmente, tocando ao lado de nomes como João Bosco, Milton Nascimento, Cassia Eller, dentre outros, Nelson Faria se apresentava com seus colegas e o irmão no Maristão, onde estudou de 1972 a 1980.
 
O artista, que acaba de lançar o álbum Duo, em parceria com Leila Pinheiro, guarda boas memórias do colégio e do início da sua relação com a cultura.
“Tenho amigos da música que ficaram até hoje. Toquei em alguns festivais do Marista, mas minha primeira apresentação grande foi no ginásio, enquanto acontecia um desfile de moda. Eu era muito novo, tinha cerca de 14 anos de idade. Tocamos eu, no piano; meu irmão Eduardo, no baixo; e Eduardo Costa (Pelé), no violão e vocal. Foi bem divertido. Dali, não parei mais”, recorda o artista.
 
Nelson destaca ainda a boa conexão que a escola proporcionava, e que ainda proporciona, para os estudantes que gostavam de música, independentemente se iriam seguir a carreira artística ou não. Ele rememora ainda os momentos de recreio, “em que levava o violão no braço para tirar aquele som e animar a moçada”.
 
Período fértil e nostalgia
 
Com nostalgia, a mãe de Renato Russo, Carminha Manfredini, tem gravado na memória o tempo em que o filho voltava sorridente do Maristão. “Ficaram os momentos de alegria do Renato, que amava os colegas e o colégio. Além da música, é claro, que sempre permeou sua história”, diz.
 
“Chegamos aqui em 1973, ano em que ele foi matriculado no Maristinha. Ele tinha muito orgulho de estudar lá e saiu da escola ainda mais motivado com a música”, conta Carminha, em entrevista ao Jornal de Brasília.
 
Incentivo
 
Aliás, de acordo com a mãe do músico, após estudar no Maristão, Renato Russo ganhou o incentivo que precisava para criar a banda Aborto Elétrico, seu primeiro grupo. O incentivo do colégio, o contato com outros colegas músicos e a rotina recheada de arte já anunciavam o futuro do artista.
“Era um período fértil para o meu filho. Lembro-me dele trancado no quarto, compondo e escutando música. Ele quase não estudava as matérias da escola. Sentava-se na frente da sala, prestava atenção, mas só ia pegar nos livros na última hora. Mesmo assim, sempre tirava boas notas”, conta Carminha, cheia de saudosismo e sorrisos.
 
Hora decisiva
 
Zélia Cristina Gonçalves Moreira, conhecida em todo o Brasil como Zélia Duncan, ingressou no Maristinha em 1974. Com 10 anos, se interessou pelo basquete, esporte que levou a sério até os 16. Integrante da banda marcial, a cantora e seu inseparável violão animavam as viagens com o time de basquete. Amigo de Duncan, o professor Orivaldo Pincinato tem várias recordações de quando a artista frequentava as aulas de basquete. “Brincava com ela: ‘Vai jogar basquete ou tocar violão?’ Em uma das nossas viagens para jogar pelo time, ela precisou eleger uma das opções. A escolha pela música mudaria sua vida para sempre. E assim foi”, explica, orgulhoso.
 
Saiba mais
 
A próxima semana cultural do Maristão está marcada para acontecer entre os dias 22 e 26 de setembro.
O evento vai abrir espaço para 20 bandas se apresentarem nos palcos do colégio.
A próxima edição da Sexta Acústica será no dia 12 de setembro. Na programação, mais recreio recheado de música.
 
Pense nisso
 
A fase da adolescência é marcada por muitas dúvidas sobre o futuro. É, geralmente, quando os jovens pensam sobre qual caminho profissional devem tomar. A oportunidade de poder se expressar no ramo da música, por exemplo, serve como um grande incentivo para que os alunos tenham a chance de despertar vocação para a arte, além de descobrir novos talentos. Será que não existem, escondidos pela cidade, vários artistas com potencial para brilhar?

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