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Professora de Ceilândia ganha prêmio nacional por projeto de valorização da mulher

Arquivo Geral

17/12/2014 18h01

No último dia 11 de dezembro, no SESC Vila Mariana, em São Paulo, o Centro de Ensino Fundamental de Ceilândia viveu uma noite especial. Ali acontecia a entrega do Prêmio Professores do Brasil, uma das premiações  mais importantes concedidas a professores das escolas públicas no país.

O Prêmio é uma iniciativa do Ministério da Educação e tem por objetivo valorizar e reconhecer experiências pedagógicas bem sucedidas e que possam ser aplicadas em outras unidades de ensino. O slogan do prêmio é “Quem faz mais pela educação deve ser reconhecido”.

Este ano o número de inscrições foi recorde, 6.808 trabalhos. Os projetos concorrem em duas categorias: temas livres e temas específicos e quatro subcategorias, Educação Infantil, Anos Iniciais do Ensino Fundamental, Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

O Centro de Ensino Fundamental 12 de Ceilândia concorreu ao prêmio com o Projeto Mulheres Inspiradoras. A professora Gina Vieira Ponte de Albuquerque embarcou para São Paulo, dia 08 de dezembro, para participar do Seminário Professores do Brasil, já como vencedora na região Centro-Oeste, na categoria Temas Livres, Anos Finais do Ensino Fundamental.  Na noite do dia 11 ela soube que foi a vencedora em nível nacional.

Segundo ela, o que a que motivou a elaborar o projeto foi o desejo de oferecer um referencial feminino que fosse diferente daquele mostrado e celebrado à exaustão pelas grandes mídias.

Há alguns anos usando as Redes Sociais como ferramenta pedagógica, ela percebeu que, entre as meninas, era muito recorrente a postagem de conteúdos com teor erótico. Um caso, em especial, chamou a atenção. Uma de suas alunas, de 13 anos, postava vídeos em que aparecia dançando de forma e sensual e vestindo roupas curtas.

Intrigada com a situação, a professora empreendeu pesquisas para compreender o que motivava esses comportamentos. Descobriu que o comportamento adotado pelas alunas, nomeado de sexting, é uma forma das novas gerações vivenciarem a descoberta da própria sexualidade. Mas ela percebeu ainda outras questões. Segundo ela, se somos seres sócio-históricos, tendemos a manifestar comportamentos que revelam os valores dos grupos aos quais nos vinculamos. Observando os modelos femininos que estão na mídia, ela notou que há uma representação negativa da mulher, na qual ela é reduzida a objeto sexual. Assim, as meninas reproduzem ou imitam esses modelos.

Partindo desse entendimento, ela decidiu então, que deveria oferecer aos seus alunos e às suas alunas outros paradigmas femininos. Foram selecionadas 10 grandes personalidades femininas para que os alunos estudassem as biografias. Anne Frank, Carolina Maria de Jesus, Cora Coralina, Irena Sendler, Lygia Fagundes Telles, Malala, Maria da Penha Fernandes, Malala, Rosa Parks e Zilda Arns.

Além de conhecer a história de mulheres que entraram para a história da humanidade, os alunos e as alunas também entrevistaram mulheres inspiradoras da própria comunidade, as professoras Creusa Pereira e Madalena Torres, a médica especialista em medicina comunitária, Patrícia Melo Pereira e Cristiane Sobral, escritora, atriz e cantora.

Como o projeto foi construído na perspectiva de privilegiar a leitura e a produção de textos, foram definidas seis obras de autoria feminina para serem lidas, foram elas: O Diário de Anne Frank, Eu sou Malala, Quarto de Despejo- Diário de uma favelada de Carolina Maria de Jesus, Não vou mais lavar os pratos, Só por hoje vou deixar os meus cabelos em paz, Espelhos, Miradouros, Dialéticas da Percepção, os três últimos da escritora Cristiane Sobral.

Uma vez que houve o estudo e a pesquisa da biografia de Maria da Penha Fernandes, os alunos e as alunas foram apresentados à Lei 11.340 de 2006, a lei criada para coibir e punir os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher. Para enriquecer as reflexões, o doutor Ben- Hur Viza, juiz da Vara de Violência Doméstica do 2º juizado no Núcleo Bandeirante e a delegada da DEAM, Ana Cristina Santiago participaram de uma mesa redonda, onde puderam tirar as dúvidas dos alunos sobre os casos vivenciados nos juizados e nas delegacias de atendimento à mulher.

Também foram levadas à escola duas pesquisadoras: Kamylla Tharrany e Vilmara Pereira para promoverem um debate sobre a violência virtual contra a mulher.

Os alunos e as alunas puderam ainda escolher uma mulher do seu círculo do convívio, que consideram inspiradora, para entrevistarem e produzir um texto no qual eles contam a história de vida dessa mulher. A maioria dos alunos escolheu para ser entrevistada a mãe, a avó e a bisavó e todos puderam conhecer melhor as suas próprias histórias.

Com o objetivo de apresentar aos alunos uma referência positiva para o uso das Redes Sociais, foi criada a campanha: “Nós dizemos NÃO a todas as formas de violência contra a mulher.” Pais, mães, alunos, alunas e comunidade escolar em geral foi fotografada com o cartaz da campanha, as fotos foram publicadas e compartilhadas na página da escola e nas páginas das pessoas envolvidas.

A professora diz que o prêmio é representativo do trabalho educacional desenvolvido na cidade. “Há excelentes iniciativas em Brasília. Ter trazido o prêmio para a cidade é uma forma de motivar outros professores a documentarem as suas experiências pedagógicas e a participarem do concurso que ocorre todo ano, desde 2007.” É uma alegria poder ter o trabalho valorizado e reconhecido institucionalmente. Voltei para a escola muito grata a Deus, aos meus alunos e a todos os meus colegas que foram parceiros na execução do projeto.

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