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Produções de filmes de terror sofrem com falta de patrocínio

Arquivo Geral

02/07/2014 7h30

Após ser atormentado pelo pesadelo de um vulto se arrastando até o seu próprio túmulo, em 1963, o diretor e ator paulista José Mojica deu vida ao lendário personagem popular Zé do Caixão, uma figura sádica, cruel e odiável, presente em mais de 15 longas-metragens brasileiros. Mais do que isso, é um representante fiel da produção do gênero “terror” no Brasil. Apesar da forte e marcante presença desse personagem que esteve nas telonas até 2008, no filme Encarnação do Demônio, é raro se ter na memória grandes produções que contemplem o medo e o terror no País.

O baixo investimento, a falta de interesse e de materiais adequados – como maquiagens – e a consequente falta de bilheteria e adeptos que, muitas vezes fogem do  terror “trash” são alguns dos motivos que desestimulam profissionais da área. Quem afirma são os próprios diretores de cinema.

Faltam adeptos

“A referência para quem quer ver um bom filme de terror e suspense ainda se limita ao cinema hollywoodiano. No Brasil, faltam adeptos e existe um certo preconceito de que o terror produzido aqui é trash, exagerado. Logo, falta também bilheteria. E existem bons filmes no País”, é o que afirma o cineasta Péterson Paim.

Goiano radicado em Brasília, Péterson trabalha com cinema desde 1996 e mostra sua preferência por produções que contemplem o suspense e o “horror”. Dos mais de 30 filmes que produziu, ele destaca aqueles que quebraram paradigmas por trabalhar com roteiros que realcem o medo, sem se preocupar com as limitações e em cair no exagero. O longa-metragem de terror/suspense Além dos Olhos (2010) é um exemplo.

‘Trash não é malfeito’

Além dos Olhos conta a história de Alves, um homem que teve os pais assassinados e cria sua família nas proximidades de uma cidade onde as pessoas desaparecem misteriosamente por conflitos religiosos.
Produzido com uma verba de R$ 25 mil, desembolsada pelo próprio diretor, o filme independente se limitou a uma exibição no Cine Brasília (106 Sul). O motivo: a falta de estímulos e de apoio.
 
“Tentei colocar em circuito comercial mas não foi aprovado. Há uma linha muito tênue entre o terror e o trash. Se produzimos um filme com uma cena jorrando muito sangue, já cai para o exagero, as pessoas riem e às vezes nem mesmo compram a ideia. Mas trash não quer dizer malfeito. Tudo depende da intenção do filme. Se é rir, por que não fazer o exagero?”, questiona Péterson.
 
De acordo com o diretor, a limitação para a produção não se deve à falta de acesso a efeitos especiais. As restrições vêm do próprio preconceito do público e diretores e da falta de materiais básicos, como maquiagens.
 
Terror na universidade

O cineasta brasiliense Santiago Dellape também não nega o interesse pelo gênero terror. Ele já fez sete curtas-metragens e um longa. Dentre eles, o curta A Vingança da Bibliotecária, produção que contempla o suspense/horror e mostra o lado sombrio da biblioteca da Universidade de Brasília. “No caso desse filme, eu não tinha a intenção de fazer cômico, mas ficou. Não vejo como um problema e nem acho que devemos rotular o terror no Brasil como trash. O problema está na falta de incentivo e estímulo. O cinema tem que querer o terror no Brasil”, defende o diretor.

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