Após ser atormentado pelo pesadelo de um vulto se arrastando até o seu próprio túmulo, em 1963, o diretor e ator paulista José Mojica deu vida ao lendário personagem popular Zé do Caixão, uma figura sádica, cruel e odiável, presente em mais de 15 longas-metragens brasileiros. Mais do que isso, é um representante fiel da produção do gênero “terror” no Brasil. Apesar da forte e marcante presença desse personagem que esteve nas telonas até 2008, no filme Encarnação do Demônio, é raro se ter na memória grandes produções que contemplem o medo e o terror no País.
O baixo investimento, a falta de interesse e de materiais adequados – como maquiagens – e a consequente falta de bilheteria e adeptos que, muitas vezes fogem do terror “trash” são alguns dos motivos que desestimulam profissionais da área. Quem afirma são os próprios diretores de cinema.
Faltam adeptos
“A referência para quem quer ver um bom filme de terror e suspense ainda se limita ao cinema hollywoodiano. No Brasil, faltam adeptos e existe um certo preconceito de que o terror produzido aqui é trash, exagerado. Logo, falta também bilheteria. E existem bons filmes no País”, é o que afirma o cineasta Péterson Paim.
Goiano radicado em Brasília, Péterson trabalha com cinema desde 1996 e mostra sua preferência por produções que contemplem o suspense e o “horror”. Dos mais de 30 filmes que produziu, ele destaca aqueles que quebraram paradigmas por trabalhar com roteiros que realcem o medo, sem se preocupar com as limitações e em cair no exagero. O longa-metragem de terror/suspense Além dos Olhos (2010) é um exemplo.
Além dos Olhos conta a história de Alves, um homem que teve os pais assassinados e cria sua família nas proximidades de uma cidade onde as pessoas desaparecem misteriosamente por conflitos religiosos.