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Viva

Problemas a perder de vista

Arquivo Geral

16/07/2013 8h20

Como já entoava Carlos Drummond de Andrade: “No meio do caminho tinha uma pedra”. No caso dos brasilienses que possuem deficiência visual, a coisa se complica. No caminho existe um meio-fio, uma porta, uma pilastra e até mesmo um piso tátil que leva o deficiente a dar de cara com uma parede feita de vidro. Ideal para dar asas à imaginação, a Biblioteca Nacional, por exemplo, é uma verdadeira armadilha.

Apesar de ter apenas quatro anos de existência, o prédio já apresenta diversos problemas. Logo no térreo, há o Espaço Clic – sala destinada para estudos por meio da utilização de computadores. A placa para identificação do local está fixada do lado esquerdo da vidraça, bem distante da entrada.

 

 Após várias tentativas, João deixou de frequentar o local

 

Sufoco

Ex-frequentador, o cineasta João Júlio não visita mais a biblioteca por conta das inúmeras dificuldades enfrentadas no local. João, que nasceu com retinose pigmentar, doença que causa a degeneração da retina, precisou se adaptar quando perdeu a visão. “É um absurdo. Além de não conseguir enxergar, passo um sufoco danado procurando as placas para me direcionar até as portas”, reclama.

Outro problema é a altura em que as placas são fixadas. As placas dos banheiros, por exemplo, estão tão baixas que a pessoa precisa se abaixar para fazer a leitura em braille. As identificações também não possuem letras maiúsculas, tudo é escrito em caixa baixa. “Parece que as placas foram feitas artesanalmente. A caligrafia está estranha e um pouco difícil de entender”, reclama Noeme Rocha, relações públicas.

 

Complicações

O funcionário público Roberto Carlos Moreira nunca tinha ido à Biblioteca Nacional e sentiu dificuldades ao percorrer o local. “Se não vier acompanhado, é complicado andar aqui. A gente  esbarra nas coisas”, conta.

Funcionários do local informaram que os problemas foram relatados diversas vezes para a Secretaria de Cultura e para a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), mas que nada foi feito.

 

Versão Oficial

 

Procurada pela reportagem do JBr, a Secretaria de Comunicação Social do DF informou apenas que “a instalação das ferramentas de acessibilidade continuam em andamento. A biblioteca possui exemplares em braille e servidores para atender pessoas cegas”. A assessoria informa também que “não há estimativas de quantos cegos frequentam o local”. Até o fechamento desta edição, a Novacap não havia se manifestado sobre o assunto.

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