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Ponto Cultural: um lugar de resistência

Arquivo Geral

04/06/2014 8h00

Imagine um espaço que se dedica a expor trabalhos artísticos, divulgar curta-metragens, videoclipes, lançamentos de livros e ainda conta com uma biblioteca. E mesmo não estando interessado em artes plásticas, cinema ou literatura, pode-se pedir uma bebida no bar ou sugerir alguma música para animar o ambiente. Esse local existe, chama-se Galeria Olho de Águia e está localizado aqui em Brasília, mais precisamente em Taguatinga Norte.

Inicialmente, a ideia do dono e fundador da galeria, Ivaldo Cavalcante, 58 anos, mais da metade dedicados ao fotojornalismo, era de ter um espaço para guardar fotos de suas exposições individuais. “Tinha a ideia de criar um banco de imagens”, conta. Quando escolheu o lugar, e se deparou com 200 metros quadrados de espaço, teve logo a ideia de abrigar trabalhos de outros artistas.

Há 14 anos, a Galeria Olho de Águia funciona na Praça da CNF, local conhecido pela boemia. Mas só passou a abrigar exposições e funcionar de terça a sábado em 2012, quando o projeto Imagem Sem Fronteiras foi aprovado pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC). “Para o projeto, trouxemos cinco fotojornalistas brasileiros e quatro estrangeiros. Só profissionais que vão para o front de guerra, pessoas visionárias e humanistas”, explica Ivaldo. Durante o evento, os convidados falaram sobre a profissão e as obras expostas.

Projetos

Após o fim do Imagem Sem  Fronteiras, Ivaldo teve a iniciativa de realizar projetos (sem fins lucrativos e sem apoio do governo) para a comunidade. “Criamos o Artistas do Bairro, em que sempre convidamos um artista plástico diferente. Estamos com a programação fechada até dezembro”, destaca. Além da exposição fixa, toda terça acontece o Cine Clube Praça do Relógio, com a divulgação de curta-metragens e videoclipes; na quinta, tem sempre lançamento de livro com a presença do autor.

Ele antecipa que este ano vai inscrever o Imagem Sem Fronteiras no FAC novamente. “Vamos diminuir a quantidade de fotógrafos e aumentar o cachê porque, desta vez, os convidados são também ensaístas, gente que trabalha por conta própria e que precisa de dinheiro. É uma maneira de ajudá-los a concluir seus projetos”, diz.

Prefácio de Jimmy Page

Além da Galeria Olho de Águia, coexistem no mesmo espaço o bar Faixa de Gaza e a Biblioteca Gérvasio Baptista, homenagem ao fotojornalista Gérvasio Baptista, 92, que atua na área há 50 anos.

Ivaldo Cavalcante já lançou dois livros. O primeiro, Brasília – 25 Anos de Fotojornalismo, conta com texto de abertura do lendário guitarrista do Led Zeppelin, Jimmy Page. “De uma maneira poderosa, ele descreve a realidade de milhares de crianças pobres que vivem nas ruas do Brasil”, diz um trecho do texto de Page. Também lançou Taguatinga – Duas Décadas de Cultura, que reúne imagens feitas por Ivaldo em eventos alternativos da cidade.

O fotojornalista, que atuou por dez anos no JBr. e tem diversos prêmios no currículo, não trabalha mais na área. Mas não deixa de fazer fotos dos visitantes da galeria. As imagens vão parar na página do espaço no Facebook, “mas só se eles autorizarem”, garante Ivaldo.

Metais em cartaz

Até domingo, a Galeria Olho de Águia recebe a exposição O Alquimista do Metais, do artista plástico Ramon Rocha. Na mostra, esculturas  de formas e tamanhos variados, que abordam o universo infantil, esportivo, musical e decorativo. “Faço as obras a partir de sobras de sucatas de carro, moto e máquinas que encontro pela rua”, explica. Para o artista, a galeria é um ótimo espaço para a divulgação de trabalhos. “Falta muito local apropriado, principalmente em Taguatinga. Aqui é bacana porque o público que frequenta o local gosta de arte e literatura”, finaliza.

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