O maior desafio de um artista que trabalha com música é compor com qualidade, mas sem pretensões. Quando a poesia e a música se reúnem, a qualidade de um disco alcança outro nível. Vitor Ramil, com o disco Foi no Mês que Vem, prova que o lirismo pode acompanhar partituras leves e inspiradoras.
A canção que dá nome ao álbum abre o trabalho de maneira calma e serena, com um violão inspirado, para ser disfrutado a qualquer momento do dia. A melancolia pontua o disco. Exemplo disso é a canção O Primeiro Dia, que tem a participação da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro & Santiago Vasquez.
Participações
Um destaque do disco é a quantidade de participações especiais, como Marcos Suzano, Carlos Moscardini, André Gomes, Carlos Badia, Kátia B e Kleiton & Kledir. Com a canção Espaço, o argentino Fito Páez acrescenta um charme genuíno à obra. Milton Nascimento canta com Vitor a mais badalada música do álbum, Não é Céu, embalada pelo ritmo do samba. Ney Matogrosso participa de Que Horas Não São?, uma das faixas mais inspiradoras. Os filhos do cantor, Ian e Isabel Ramil também colaboram com as canções Passageiro e Noa Noa, respectivamente.
O trabalho poético de Vitor Ramil faz com que algumas canções do álbum ganhe letras mais reflexivas. Sapatos em Copacabana, música que representa a cultura carioca, declara: “Não tenho carro, somente minha juventude”.
Para alguns ouvintes, a obra pode parecer longa – os dois discos que compõem o álbum somam mais de duas horas de duração. O que não é um problema quando se tem um álbum que não necessita uma pausa. A delicadeza de cada canção faz de Foi no Mês que Vem uma experiência especial.